Sabe aquele momento da vida em que você olha para trás e pensa: 'Meu Deus, o que eu estava fazendo?'. Para a maioria de nós, isso envolve um corte de cabelo duvidoso na adolescência ou um post vergonhoso em rede social. Mas para o Ryan Reynolds, esse trauma tem nome, sobrenome e um anel verde brilhante: Green Lantern. Sim, estamos falando daquele colossal flop de junho de 2011 que, até hoje, serve como o exemplo perfeito de como NÃO fazer um filme de super-herói.
O lance é que, na época, o Ryan Reynolds era aquele cara que fazia de tudo um pouco. Ele transitava entre comédias românticas e papéis de herói genérico, mas ainda não tinha encontrado a sua 'voz' definitiva. Ele tinha o porte físico, o carisma e a cara de galã, mas estava apenas seguindo ordens. O resultado foi um filme que não só foi massacrado pela crítica, mas que drenou a paciência de qualquer fã de quadrinhos da DC Comics.
Para vocês terem uma ideia do tamanho do estrago, Green Lantern foi um buraco negro financeiro para a Warner Bros., com um prejuízo estimado em $75 million (cerca de R$ 412,5 milhões). No Rotten Tomatoes, a nota foi deplorável: apenas 25% de aprovação dos críticos e 45% do público. O filme tentou contar a história de Hal Jordan, um piloto de testes que vira o primeiro Lanterna Verde da Terra para enfrentar o Parallax, mas tudo isso ficou soterrado sob camadas de um CGI horroroso e um roteiro que parecia ter sido escrito por um estagiário.
O próprio Ryan Reynolds já admitiu que o filme estava condenado desde o início. Segundo ele, não existia um roteiro funcional ou uma identidade clara para a obra. O foco estava tanto em tentar construir um mundo complexo que esqueceram de dizer qual era a mensagem do filme. Aqui entra a lição mais valiosa que ele tirou disso: dinheiro demais e tempo demais podem aniquilar a criatividade. Quando você tem orçamento infinito, você para de pensar em soluções inteligentes e começa a jogar CGI em tudo, o que resultou naquele visual plástico e sem alma que a gente lembra até hoje.
O ator confessou que, naquela época, ele era basicamente um boneco nas mãos dos produtores. Ele vivia no modo 'sim senhor, vou pular o mais alto que você quiser'. Mas o problema de ser o rosto do filme é que, quando a coisa flopou, quem apareceu na manchete como o responsável pelo desastre foi ele, e não o produtor ou o diretor. Essa percepção foi o divisor de águas na carreira do cara. Ele percebeu que, se ia estar no título de uma notícia sobre um fracasso, ele preferia ser o arquiteto da própria ruína — ou do próprio sucesso.
Essa frustração com Green Lantern e com a versão bizarra do Wade Wilson em X-Men Origins: Wolverine deu o combustível necessário para ele lutar por algo real. O Ryan Reynolds, junto com o diretor Tim Miller, passou anos tentando convencer a 20th Century Fox a fazer um filme de Deadpool que fosse fiel aos quadrinhos: classificação R, humor ácido e aquele deboche que a gente ama. Ele parou de aceitar qualquer coisa e passou a impor a sua visão criativa, entendendo que a limitação (o orçamento menor, a proposta arriscada) era, na verdade, a maior ferramenta de criação que ele poderia ter.
É surreal pensar que, sem o trauma de Green Lantern, talvez a gente nunca tivesse tido o Deadpool como conhecemos. O ator aprendeu a confiar nos seus próprios instintos e a parar de tentar se encaixar no molde do 'herói perfeito' de Hollywood. Ele abraçou o caos, a ironia e a quebra da quarta parede, transformando sua imagem de 'galã de comédias' em um dos maiores ícones da cultura pop atual. Ele pegou o nerf que a carreira levou e transformou em um buff absurdo de carisma e autoridade criativa.
Olhando agora, Green Lantern não é apenas um filme ruim; é quase um estudo de caso sobre gestão de carreira. O cara foi ao fundo do poço cinematográfico para entender que a única pessoa capaz de salvar a pele dele era ele mesmo. Ele deixou de ser um empregado do estúdio para se tornar o dono da própria marca, provando que, às vezes, você precisa de um fracasso retumbante para finalmente acertar o alvo.
No fim das contas, a trajetória do Ryan Reynolds nos ensina que o hype vazio e orçamentos astronômicos não substituem uma ideia sólida e paixão. Green Lantern pode ter sido um desastre técnico e financeiro, mas foi a faísca que acendeu a genialidade do mercenário tagarela. Hoje, quem olha para aquele anel verde provavelmente dá risada, mas é graças a esse riso que temos alguns dos filmes mais divertidos da última década.
Meu veredito é simples: Green Lantern é trash, mas foi essencial. Sem esse mico monumental, o cinema perderia a chance de ver um ator assumir as rédeas da sua arte de forma tão agressiva e certeira. Fica a lição para todos nós: não tenha medo de errar, desde que você use esse erro para construir algo que realmente preste.
Você acha que algum herói da DC merece um "reset" total no estilo Deadpool para finalmente funcionar no cinema? Deixe sua opinião nos comentários!