Sabe aquela história de jogo banido que a gente ouve por aí? Geralmente é coisa de violência extrema ou alguma polêmica política que vira meme, mas o que eu encontrei hoje bateu num nível de bizarrice que eu nem imaginava. Estamos falando de censura raiz, daquelas que não se contentam em apenas proibir a venda, mas que decidem que o software é tão repugnante que precisa ser literalmente eliminado da existência física.
Eu já joguei muita coisa ruim na minha vida, títulos que me deram vontade de desinstalar e esquecer que existiam, mas nunca vi um caso onde o governo de um país decidiu que o disco precisava ser triturado. O protagonista dessa tragédia (ou comédia, dependendo do ponto de vista) é Sex Vixens from Space, uma aventura gráfica lançada em 1988 pela Free Spirit Software. O bagulho era tão "pesado" para a época que a alfândega do Reino Unido não quis nem saber de burocracia: interceptaram a carga e deletaram as cópias da face da Terra.

Para quem curte acompanhar as Notícias mais estranhas do mundo retro, esse caso é ouro. Tudo o que sabemos sobre essa "limpeza etílica" vem de recortes de revistas de computador dos anos 80. Em janeiro de 1989, a revista .info, focada em Commodore, soltou a bomba: 75 cópias do jogo foram apreendidas e destruídas. O mais engraçado é que o game estava em um carregamento com outros títulos, mas a alfândega britânica resolveu fazer um "filtro de pureza" e selecionou especificamente Sex Vixens from Space para a aniquilação total.
O diretor do projeto, Joe Hubbard, não ficou calado e mandou a real para a revista The Australian Commodore and Amiga Review. Ele disparou que o jogo era apenas "picante" e não pornografia, acusando as autoridades britânicas de serem puritanas demais ou de não terem a menor noção de humor. O cara foi longe, chamando o ato de apreender os jogos de atitude de um governo fascista. Papo reto, o maluco transformou um jogo de sexo espacial em uma bandeira de liberdade de expressão artística.

Agora, você deve estar se perguntando: "Será que esse jogo era tão absurdo assim para justificar esse massacre de disquetes?". Bom, como um jornalista veterano que não tem medo de sujar o histórico do navegador, eu fui testar essa relíquia via abandonware no PC. A gente assume o papel de Brad Stallion, o dono e operador de uma nave chamada Big Thruster. E aqui vem a primeira piada: a nave tem, literalmente, o formato de um pênis com testículos. Se você morre no jogo, a tela mostra a nave ficando "murcha", o que eu admito que é a única piada decente do título.
A premissa do game é digna de um filme B de quinta categoria. No espaço do Governo Federado, correm boatos sobre uma colônia de mulheres "lindas e sedentas de sexo" conhecidas como a Tribe. Essas Valkírias espaciais atacariam sistemas planetários dominados por homens usando uma "arma de raio sexual", que transformaria os caras em eunucos sem libido. A missão do Brad Stallion é encontrar esse bando e "neutralizá-las", e eu, ingenuamente, achei que isso envolveria usar o magnetismo sexual do personagem para conquistá-las.

Os primeiros quinze minutos são gastos basicamente aprendendo a mexer na Big Thruster (algo que todo menino já tentou fazer com seus brinquedos, convenhamos) até recebermos a info de que uma mulher chamada Lila, que teria conexões com a Tribe, trabalha como empregada no Pink Flamingo. A partir daí, o jogo tenta seguir a fórmula de aventura gráfica da época, mas com um conteúdo que, para os padrões de 1989, devia ter feito a cabeça dos fiscais da alfândega explodir de indignação.
Se a gente olhar para a cena hoje, com a liberdade que temos na Steam e a quantidade de mods adultos que existem para quase tudo, esse banimento parece piada. Mas na época, a indústria não tinha as classificações etárias bem definidas como temos agora, e qualquer coisa que fugisse do padrão "estéril" era vista como crime. O jogo em si não é nenhum masterpiece; é mais uma curiosidade histórica, um tipo de flopou técnico que só sobreviveu por causa do choque que causou.

Na moral, Sex Vixens from Space é a prova de que o puritanismo pode ser bem engraçado quando visto décadas depois. O governo britânico gastou tempo e recursos para destruir 75 discos de um jogo que, honestamente, não tem a menor chance de ser um clássico. No fim das contas, a tentativa de apagar o jogo só serviu para dar a ele a fama de "lendário" que ele jamais teria se tivesse sido lançado normalmente nas lojas.
O veredito é simples: não jogue por causa da gameplay, porque ela é datada e travada, mas jogue pela experiência de ver o que causou um colapso nervoso na alfândega do Reino Unido. É aquele tipo de bizarrice que a gente ama encontrar nos cantos obscuros da internet para rir da hipocrisia do passado. No fim, o Brad Stallion e sua nave murcha venceram a censura, provando que o que é proibido sempre acaba atraindo mais a nossa curiosidade.




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