Se você acompanha o mundo do entretenimento, sabe que existe uma mania irritante de resumir a carreira do J.J. Abrams de forma rasa. A galera costuma rotulá-lo apenas como o cara de Alias, o mentor de Fringe ou aquele que deu a cara no reboot de Star Trek com o Chris Pine. Para quem é fã de carteirinha de séries antigas, ele é o criador de Felicity, e para a galera do YouTube que vive de ragebait, ele ainda é o vilão por causa de The Rise of Skywalker. Mas a verdade é que o homem está na ativa há muito mais tempo do que a maioria imagina e sempre teve mil projetos rodando ao mesmo tempo.
Nós aqui da Gamer Elite vimos que esta semana marca a estreia nos cinemas de um dos primeiros projetos originais do Abrams em anos: ele assina como um dos produtores de The End of Oak Street, dirigido por David Robert Mitchell. É aquele tipo de movimentação que gera um hype genuíno, porque tira o cara da zona de conforto das grandes franquias da Disney e o coloca de volta no terreno da experimentação. Para celebrar esse retorno, resolvemos cavar o passado e analisar a trajetória bizarra desse cara, ignorando o óbvio como Star Wars e Super 8 para focar no que realmente importa.

Se a gente voltar para 1992, encontramos Forever Young, um filme que é a definição de "estranho". O Jeffrey Abrams (sim, ele usava o nome assim no começo) escreveu o roteiro desse drama dos anos 90 onde Mel Gibson interpreta Daniel McCormick, um piloto de testes que, após perder a noiva em um acidente, resolve entrar em suspensão criogênica. O plano era dormir por um ano para fugir da dor, mas, como tudo que é sci-fi antigo, deu tudo errado e ele acordou 53 anos depois. O roteiro, originalmente chamado de The Rest of Daniel, foi vendido para a Warner Bros por cerca de R$ 11 milhões, um valor absurdo para a época.

Naquela época, a imprensa massacrou o valor da venda, achando que a Warner Bros tinha sido enganada, mas o filme acabou arrecadando cerca de R$ 704 milhões nas bilheterias mundiais. Isso prova que, mesmo no início, o Abrams já sabia como vender a ideia de um conceito maluco para o grande público, transformando a melancolia em lucro. É fascinante ver como a base do que ele faz hoje — criar mistérios que prendem o espectador — já estava lá, mesmo em um filme de romance e ficção científica com o Mel Gibson congelado.
Pulando para 1998, chegamos em Armageddon, que hoje em dia é basicamente uma piada interna para qualquer fã de cinema. O estilo sturm und drang do Michael Bay, com explosões a cada dois segundos e ângulos de câmera giratórios, transformou a premissa de furadores de petróleo virando astronautas em algo completamente absurdo. Honestamente, seria muito mais lógico ensinar astronautas a furar rochas do que ensinar mineiros a pilotar naves espaciais, mas ninguém estava pensando na lógica quando o filme estreou nos cinemas.

O Abrams foi um dos roteiristas trazidos para dar aquele "tapa" no script de Armageddon, que foi produzido às pressas como uma resposta direta ao filme Deep Impact. Quando você assiste a essa obra no cinema, ela te arrasta pelo puro momentum, mas se você parar por um segundo para analisar a trama, tudo desmorona. Ainda assim, essa experiência de trabalhar com a escala colossal de Michael Bay provavelmente ajudou o Abrams a entender como manejar grandes orçamentos, algo que ele aplicaria mais tarde em suas produções de Filmes.
Já em 2001, ele mudou o foco para a TV e criou Alias, a série que catapultou Jennifer Garner ao estrelato. A trama sobre Sydney Bristow, uma agente da CIA que descobre que sua força-tarefa era, na verdade, uma organização criminosa, era o ápice do entretenimento de espionagem da época. Se você gostava de ver agentes em roupas de couro dando chutes giratórios na cabeça de vilões, Alias era o paraíso. É impossível assistir às temporadas finais hoje e não notar a influência direta que a série teve em franquias como Assassin's Creed.

Para fechar esse retrospecto, não podemos esquecer de Lost, lançada em 2004, que basicamente moldou a forma como consumimos séries hoje. Aquele modelo de "televisão de compromisso", onde milhões de espectadores sintonizavam toda semana para tentar entender que diabos estava acontecendo na ilha, criou a cultura do fórum de teorias. Embora a escrita tenha se tornado caótica e improvisada com o tempo, o impacto de Lost foi tão massivo que definiu o conceito de mystery box que o Abrams usa até hoje em todas as suas produções de Notícias.
Olhando para tudo isso, fica claro que o J.J. Abrams não é apenas um herdeiro de franquias, mas um cara que transita entre o ridículo e o genial com uma facilidade invejável. Ele consegue pegar conceitos que deveriam flopar, como um piloto congelado ou mineiros no espaço, e transformá-los em sucessos de bilheteria. Essa versatilidade é o que torna a expectativa por The End of Oak Street tão alta, já que ele está voltando a produzir algo original, longe da sombra dos sabres de luz ou das naves da federação.

No fim das contas, seja através de séries complexas ou filmes de ação exagerados, o objetivo dele sempre foi o mesmo: deixar o público curioso e levemente confuso. Agora, com a estreia de seu novo projeto, queremos ver se ele ainda consegue entregar aquele frescor criativo de quando escreveu Forever Young ou se ele se tornou refém de suas próprias fórmulas. O retorno aos cinemas após sete anos é um movimento arriscado, mas vindo de um cara que já sobreviveu ao caos de Michael Bay, as chances de surpreender são enormes.



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