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O paradoxo de J.K. Simmons: O mestre da voz que não sabe jogar

Imagina você ser a voz de um dos vilões mais imponentes de um dos maiores sucessos da década, mas não ter a menor ideia de como segurar um controle sem parecer que está lutando contra um polvo. Pois é, essa é a realidade do lendário J.K. Simmons. O cara é um monstro da atuação, mas quando o assunto é gameplay, ele simplesmente passa longe. A gente aqui da Gamer Elite sempre viu essa dinâmica de atores de voz que nem sequer tocam nos jogos que dublam, mas ver isso vindo de alguém com a energia do Simmons é quase cômico.

Recentemente, em uma participação no podcast Happy Sad Confused, o veterano abriu o jogo sobre sua relação — ou a falta dela — com a cultura gamer. O papo ficou interessante quando ele mencionou que, apesar de ter dado vida ao temível Ketheric Thorm no aclamado Baldur's Gate 3, ele nunca sequer abriu o jogo para jogar. É bizarro pensar que o cara que impõe medo em milhares de jogadores no PC e consoles não sabe nem onde fica o botão de pulo, mas isso mostra que a atuação de alto nível não depende de você ser um pro player.

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O Simmons contou uma história hilária sobre como ele é reconhecido por esses papéis, mesmo sem jogar. Um conhecido dele, chamado Tom Britney, mandou um vídeo do personagem dele em Baldur's Gate 3 com a mensagem: "Estou prestes a te matar". A resposta do ator foi a coisa mais Simmons possível: "Ok, boa sorte com isso". É aquele tipo de deboche que a gente ama, tratando a ameaça de um vilão de um RPG massivo como se fosse um e-mail de cobrança do condomínio.

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Quando questionado pelo host Josh Horowitz se ele curte jogar alguma coisa nas horas vagas, o Simmons foi categórico: não. Ele alegou que suas mãos simplesmente não funcionam com esses controles modernos. O cara tentou, mas desistiu. Enquanto os filhos dele, já na casa dos vinte e poucos anos, e até a esposa, que curte uns Mario Bros. aqui e ali, se divertem, ele se sente um completo alienígena segurando um gamepad. É aquele clássico caso de quem tem o timing perfeito para a fala, mas zero reflexo para o combo.

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Mas nem tudo é flop total no quesito games. Existe uma exceção gloriosa na carreira dele: Portal 2. O Simmons não ama o gameplay (porque, bem, ele não joga), mas ele é absolutamente apaixonado pelo roteiro. Ele deu voz ao icônico Cave Johnson, o fundador da Aperture Science, e afirmou que o texto era tão genial e hilário que ele teria aceitado fazer o papel em um filme ou em uma peça de teatro sem pensar duas vezes. Para ele, a escrita de Portal 2 é arte pura, independente da plataforma.

Essa conexão com a Valve foi tão forte que ele acabou voltando para reprisar o papel de Cave Johnson em Aperture Desk Job, aquele tie-in lançado para o Steam Deck em 2022. O jogo contou novamente com a escrita de Eric Wolpaw, o gênio por trás da personalidade ácida e delirante do personagem. Isso prova que, mesmo sem dar um único tiro ou resolver um puzzle de portais, o Simmons reconhece quando um projeto tem substância e um humor que não envelhece.

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É curioso observar como cada ator lida com isso. Se você olhar para o cenário de Notícias, verá que há extremos. De um lado, temos caras como Elias Toufexis, que dublou Deus Ex e Starfield e é totalmente imerso no hobby. Do outro, temos Steven Ogg, de Grand Theft Auto 5, que já mandou a real dizendo que a galera deveria largar as bobagens e ir ler Dostoievski. O Simmons está no meio do caminho: ele não joga, mas respeita a arte da narrativa nos games, especialmente quando o roteiro é aclamado.

Essa disparidade mostra que a indústria de games amadureceu a ponto de atrair talentos de Hollywood que não são necessariamente "nerds" de controle. Quando a Larian Studios escala alguém como o Simmons para Baldur's Gate 3, eles não estão buscando um gamer, estão buscando a presença e a autoridade vocal que só um veterano tem. O resultado é que o personagem fica absurdo, mesmo que o ator nunca tenha visto a tela de carregamento do jogo na vida.

No fim das contas, isso é um ponto positivo para a mídia. Ver atores de primeira linha valorizando o roteiro de um jogo como Portal 2 valida a ideia de que games são, sim, veículos de narrativa tão potentes quanto o cinema. O fato de o Simmons não conseguir operar um controle no PC ou console não tira em nada o peso da sua performance. O hype em torno de vozes famosas continua forte, e a gente continua ganhando com isso.

Agora, fica a reflexão: será que a gente conseguiria jogar Baldur's Gate 3 com a mesma paciência se tivéssemos a coordenação motora do Simmons? Provavelmente não, mas teríamos diálogos muito mais interessantes enquanto falhamos miseravelmente em todos os testes de carisma do jogo.

Links Úteis

* Happy Sad Confused Podcast
Baldurs Gate 3
Site Oficial

Baldurs Gate 3

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