Cara, olha só que loucura. A gente passa décadas assistindo aos filmes de Jurassic Park, acha que já manja de cada detalhe da Isla Nublar e do DNA de dinossauro, mas aí surge uma daquelas curiosidades que fazem você questionar a própria memória. Sabe aquele tipo de easter egg que está na nossa cara, mas a gente simplesmente ignora porque o roteiro não joga na nossa mesa com um letreiro luminoso? Pois é, descobrimos que dois personagens da franquia são pai e filha, e eu aposto meu setup que você nunca tinha ligado esses pontos.
Vamos voltar ao primeiro filme, aquele clássico absoluto. Lembra do Gerry Harding? Ele é aquele veterinário de dinossauros, o cara que a gente encontra logo no início, perto daquele Triceratops doente que estava dando trabalho. Ele tem uma interação rápida com a Ellie Sattler e depois some do mapa. A gente assume que ele pegou o mesmo barco que o Dennis Nedry deveria ter pego para fugir da ilha, e pronto, personagem esquecido enquanto o T-Rex causava o caos.
Agora, pula para a sequência, The Lost World: Jurassic Park. Lá a gente é apresentado à Sarah Harding, uma especialista em comportamento animal que está num relacionamento com o icônico Ian Malcolm. A Sarah é uma das figuras centrais do segundo longa e, obviamente, consegue sobreviver ao massacre dos dinossauros. O ponto aqui é: ninguém nos filmes menciona, mas a Sarah e o Gerry são, na verdade, pai e filha. Sim, você leu certo. É uma coincidência absurda que tanto o pai quanto o namorada da mina tenham sobrevivido aos eventos catastróficos do primeiro filme.
Se você estiver pensando "que plot hole é esse?", calma que a resposta está nos livros. No romance de The Lost World, essa relação é citada, mas de um jeito bem críptico, quase como se o autor estivesse brincando com a gente. Em uma cena onde a Sarah está cuidando de um bebê T-Rex, ela solta a frase: "Meu pai era veterinário". O Ian, que já conhece a história dela, fica surpreso, e ela complementa dizendo que ele trabalhava no Zoológico de San Diego como especialista em aves.
Para quem é fã de verdade, isso é um encaixe perfeito. Se você olhar a descrição do Gerry Harding no primeiro livro de Jurassic Park, está escrito explicitamente que, antes de ser contratado pelo John Hammond, ele era o chefe da medicina veterinária do Zoológico de San Diego e a maior autoridade mundial em cuidados aviários. Faz todo o sentido, já que, como o Alan Grant explica no filme, as aves evoluíram dos dinossauros. A Sarah até começa a falar mais sobre isso no livro, mas se corta abruptamente e muda de assunto, o que já entrega que tem algo estranho rolando ali.
Mas a prova definitiva, aquela que não deixa margem para teorias de fórum, vem dos games. No jogo Jurassic Park: The Game, lançado em 2011, o Gerry Harding é o protagonista. Nele, a gente conhece a filha mais nova dele, a Jess Harding. Em um momento de briga entre pai e filha, a Jess manda a real e pergunta: "Você sequer falou com a Sarah ultimamente?". Mais para frente, o Gerry admite que a Sarah "escapou dele", deixando claro que os dois estão completamente afastados.
É bizarro pensar que o John Hammond, que contratou o Gerry, nunca mencionou para a Sarah que o pai dela era um de seus funcionários. Isso faz a gente pensar que a relação deles era tão tóxica ou distante que a Sarah preferia esconder isso de todo mundo, inclusive do Ian Malcolm. Esse distanciamento explica por que a conexão nunca foi explorada nos filmes; seria um drama familiar pesado demais para um filme onde o foco é ver dinossauros comendo gente.
Claro que tem a galera que discute se Jurassic Park: The Game é canônico ou não, especialmente porque a série da Netflix, Jurassic World: Camp Cretaceous, traz algumas contradições. Mas, honestamente, quando você junta as pistas dos livros e do jogo, fica difícil ignorar. Parece que a Sarah tem sérios problemas com a figura paterna, o que daria um arco de personagem incrível se a franquia não estivesse tão focada apenas em criar novos híbridos geneticamente modificados que, convenhamos, às vezes flopam no roteiro.
No fim das contas, esse tipo de detalhe é o que mantém a comunidade viva. A gente começa procurando por um detalhe técnico de CGI e termina descobrindo traumas familiares de personagens secundários de 30 anos atrás. É aquele tipo de lore que não muda a história principal, mas deixa o universo muito mais rico e humano, tirando a sensação de que os personagens são apenas peões para servirem de comida de Raptor.
No meu veredito, essa conexão é um exemplo perfeito de como a Universal e os roteiristas jogam migalhas para os fãs mais atentos. Pode não ter sido o foco do Steven Spielberg, mas saber que a Sarah Harding carregava esse peso enquanto fugia de dinossauros adiciona uma camada de profundidade que a gente não esperava. É a prova de que, mesmo em um mundo de clones e ciência impossível, os dramas de família são a única coisa universal.
Você acha que esse parentesco deveria ter sido explorado nos filmes ou o mistério era melhor? Deixe sua opinião nos comentários!