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O Vício do Backlog: Conheça o Simulador de Compras da Steam que Não Custa Nada

Fala, galera! Quem nunca passou por aquele momento de pura loucura durante uma promoção da Steam? Você olha para o lado e vê um jogo que custava uma fortuna agora por um preço ridículo, e mesmo que você já tenha uns 200 jogos sem tocar, você clica naquele botão de compra com uma vontade absurda. É aquele sentimento de 'eu vou jogar isso um dia', mesmo que a gente saiba que esse 'um dia' provavelmente nunca vai chegar. A gente não está comprando apenas software, a gente está comprando a promessa de diversão futura, e isso gera um hype mental que é quase impossível de ignorar.

Essa obsessão por empilhar jogos, o famoso backlog, virou quase um esporte olímpico para quem joga no PC. A verdade é que, para muitos de nós, o prazer não está nem tanto em zerar o game, mas sim em ver a biblioteca crescer, personalizar o perfil com pontos da Valve ou colecionar cartas. É um comportamento quase compulsivo que transforma a loja em um catálogo de troféus digitais, onde a quantidade importa mais do que aquelas horas de gameplay que a gente jura que vai dedicar ao título.

Imagem Cena de  <strong>Steam</strong> Week in 1

Para vocês terem uma ideia do nível da tentação, imagina pegar um jogo como Watch Dogs 2 por cerca de R$ 13,75. O cara que escreveu a matéria original fez a conta: sai por um centavo a cada 10 minutos de conteúdo. Como é que você resiste a isso, mano? É quase um crime não comprar. E não para por aí; tem gente que consegue catar mais de 30 jogos gastando menos de R$ 27,50 cada. A gente acaba investindo em coisas que nem gosta, tipo comprar Dead Island 2 mesmo odiando jogo de zumbi, só porque o preço estava baixo demais para deixar passar.

Eu mesmo já caí nessa armadilha com Gotham Knights. Eu não curto Batman, detesto super-heróis e não suporto esses mundos abertos cheios de ícones que parecem uma lista de compras de supermercado, mas lá estava ele, na minha biblioteca. É a lógica do 'investimento': eu compro agora por um valor baixo para o caso de eu mudar de ideia sobre tudo o que eu gosto no futuro. É um delírio coletivo que a Steam alimenta com maestria a cada promoção sazonal.

Imagem Cena de  <strong>Steam</strong> Week in 2

Mas agora vem a parte bizarra e fascinante da história. Lá na Coreia, a galera criou uma solução gratuita para esse vício em compras impulsivas: os chamados 'sites de dopamina'. Existe um app chamado FoodNeverComes que simula todo o processo de pedir comida online. Você escolhe o restaurante, monta o pedido, clica em comprar e até acompanha o GPS da entrega, mas a comida nunca chega e você não gasta um centavo. É puramente para enganar o cérebro e dar aquele pico de prazer sem ferrar com a conta bancária.

Segundo a psicóloga Dr. Gabrielle Schreyer-Hoffman, a gente usa redes sociais e compras para preencher vazios e evitar estar presente no momento. O problema é que, mesmo sem gastar dinheiro nesses simuladores, a gente continua sem resolver a questão central de por que sentimos essa necessidade de 'adquirir' coisas freneticamente. É um ciclo de satisfação imediata que não leva a lugar nenhum, mas que é viciante pra caramba.

Imagem Cena de  <strong>Steam</strong> Week in 3

Obviamente, alguém viu isso e pensou: 'precisamos disso para a Steam'. E assim nasceu o steamsalesimulator.com, criado pelo desenvolvedor Mike Wing. O site é basicamente um clone perfeito da loja. Você pode adicionar tudo no carrinho, injetar milhares de dólares falsos na sua carteira e apertar aquele botão bendito de 'confirmar compra'. O resultado? Uma sequência de sons de caça-níquel, sinos e comemorações que fazem você se sentir o rei do PC Gaming, tudo isso sem gastar um real.

O simulador é tão detalhado que até o Gabe Newell aparece para te dar presentes aleatórios. Eu testei a parada e comprei itens cosméticos falsos no mercado da comunidade, como uma mesa antiga para Don't Starve Together por aproximadamente R$ 0,50. Em dez minutos de navegação, eu tinha acumulado 49 jogos, cheguei ao nível 51 da Steam e 'economizei' cerca de R$ 5.377,50. E sabe qual foi a sensação? Um vazio imenso. É a prova definitiva de que a gente gosta da adrenalina da compra, não necessariamente do produto.

Imagem Cena de  <strong>Steam</strong> Week in 4

Essa tendência me lembrou muito o surgimento dos idle games, tipo Candies e Cookie Clicker, lá no início dos anos 2010. Na época, todo mundo achava que era piada, uma sátira aos sistemas de progressão de RPGs onde você só clica para ver um número subir. Mas a verdade é que a gente é viciado em progressão, mesmo que seja uma progressão falsa e sem sentido. O Steam Sale Simulator é basicamente um idle game de consumo.

No fim das contas, isso tudo mostra como a nossa relação com os jogos mudou. O consumo se tornou parte da experiência de jogo. A gente gasta mais tempo organizando a biblioteca e caçando promoções do que realmente jogando os títulos que compramos. É um comportamento estranho, mas que define a era digital em que vivemos, onde o acúmulo de dados substitui a posse física.

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