A promessa feita pela Microsoft quando abriu a carteira para comprar a Activision Blizzard parecia simples demais para dar errado: colocar o catálogo lendário de uma das maiores franquias da história diretamente nas mãos dos assinantes do Xbox Game Pass. No entanto, a realidade tem se mostrado bem diferente, deixando uma lacuna enorme que frustra tanto os veteranos quanto a nova geração de jogadores no Xbox Series X e no PC. Enquanto o hype em torno dos lançamentos anuais continua ditando o ritmo da indústria de jogos, grandes clássicos que moldaram o gênero de tiro em primeira pessoa seguem presos atrás de paywalls tradicionais, exigindo compra individual.
Com a chegada iminente de novos títulos marcando o calendário de outubro de 2026, a ausência desses medalhões na assinatura da Microsoft levanta debates intensos na comunidade sobre o real valor de preservação das plataformas digitais. Afinal, por que investir bilhões em um ecossistema se os fãs não conseguem rejogar as campanhas marcantes que definiram uma era inteira do multiplayer online? Vamos abrir o jogo e relembrar oito Call of Duty que merecem, com máxima urgência, um lugar de destaque no catálogo do Game Pass.
1. Call of Duty: Black Ops

Depois do estrondoso sucesso de Modern Warfare 2, a Treyarch tinha a difícil missão de superar expectativas absurdas e entregar algo verdadeiramente memorável. O resultado foi Call of Duty: Black Ops, lançado em 9 de novembro de 2010, trazendo uma campanha eletrizante focada em operações encobertas e conspirações da Guerra Fria que ousou tentar assassinar Fidel Castro. Além da narrativa cinematográfica repleta de reviravoltas com Alex Mason e Viktor Reznov, foi aqui que nasceu o lendário mapa Nuketown, que virou febre absoluta no multiplayer competitivo e se tornou sinônimo da franquia. Deixar essa obra-prima fora do Game Pass é uma decisão inexplicável que prejudica diretamente a preservação da história dos games.
2. Call of Duty: World at War

Embora a Treyarch tenha voltado suas lentes para a Segunda Guerra Mundial em Call of Duty: World at War, lançado em 10 de novembro de 2008, o grande legado deste título não está apenas na brutalidade realista dos campos de batalha históricos do Pacífico e do Front Oriental. Foi neste jogo que o estúdio introduziu o famigerado modo Zombies, uma experiência cooperativa de sobrevivência contra hordas implacáveis que rapidamente se transformou em um pilar fundamental para toda a franquia e inspirou dezenas de cópias no mercado. Se hoje milhões de jogadores passam horas farmando rounds e desvendando easter eggs macabros contra mortos-vivos, eles devem isso a este clássico atemporal que infelizmente continua ausente do serviço de assinatura da Microsoft.
3. Call of Duty: Advanced Warfare

O ano era 2014 e a Sledgehammer Games resolveu chacoalhar a gameplay tradicional introduzindo exoesqueletos futuristas, saltos verticais e mobilidade frenética em Call of Duty: Advanced Warfare. Lançado em 4 de novembro de 2014, o jogo ficou mundialmente marcado na cultura pop por um meme inusitado: o famigerado comando “Press F to pay respects” durante um funeral militar no início da campanha. Contando com a atuação impecável do ator Kevin Spacey no papel do magnata Jonathan Irons, a trama explorava os perigos das corporações militares privadas versus o governo dos Estados Unidos. É uma aventura ousada, exagerada na medida certa, que merece ser revisitada pelos fãs no Xbox sem barreiras de preço.
4. Call of Duty: Ghosts

Lançado em 5 de novembro de 2013 pela Infinity Ward com o apoio da Neversoft e da Raven Software, Call of Duty: Ghosts chegou ao mercado carregando o peso colossal de suceder a aclamada trilogia Modern Warfare. Mesmo enfrentando críticas mistas na época devido a um ritmo mais cadenciado e mapas menos inspirados, o título entregou momentos de ação cinematográfica intensa — ao lado do fiel pastor alemão Riley — e o criativo modo cooperativo Extinction, focado em enfrentar ameaças alienígenas. Embora não seja lembrado como o ápice criativo da série, ele oferece uma campanha sólida e divertida para quem busca tiroteio descompromissado, fazendo falta na biblioteca do Game Pass.
5. Call of Duty: Modern Warfare 2 (2009)

Falar da era de ouro dos jogos de tiro sem citar o Call of Duty: Modern Warfare 2 original, lançado pela Infinity Ward em 10 de novembro de 2009, é simplesmente impossível. O jogo elevou o patamar cinematográfico da indústria com a lendária Task Force 141, imortalizando personagens como Captain Price, Soap MacTavish e Ghost, além de entregar uma das traições mais chocantes dos videogames protagonizada pelo General Shepherd. No multiplayer, mapas icônicos como Rust, Terminal e Highrise definiram a adolescência de milhões de jogadores em lobbies caóticos e inesquecíveis. Sua ausência completa — tanto na versão clássica quanto na campanha remasterizada — dentro do Xbox Game Pass é um desperdício monumental.
6. Call of Duty: Black Ops II

Considerado por grande parte da comunidade como o ápice absoluto da franquia, Call of Duty: Black Ops II chegou às lojas em 13 de novembro de 2012 pelas mãos da Treyarch e acertou em cheio em todas as frentes. A campanha alternava brilhantemente entre os anos 1980 e o então futurista ano de 2025, apresentando escolhas ramificadas que alteravam o final da história e um dos melhores vilões de toda a série: o carismático e implacável Raul Menendez. Somado ao sistema Pick 10 que revolucionou a criação de classes no multiplayer competitivo e mapas eternizados como Raid, Standoff e Hijacked, a falta desse gigante no catálogo da Microsoft deixa os fãs órfãos da melhor fase da franquia.
7. Call of Duty: Modern Warfare 3 (2011)

Encerrando a trilogia original com chave de ouro em 8 de novembro de 2011, o clássico Call of Duty: Modern Warfare 3 uniu os esforços da Infinity Ward e da Sledgehammer Games para entregar uma Terceira Guerra Mundial em escala global. A caçada implacável ao terrorista Vladimir Makarov levou os jogadores de Nova York a Paris e Londres em missões de tirar o fôlego, entregando o desfecho épico que os fãs esperavam há anos. Além do excelente modo cooperativo Spec Ops Survival, que viciou a galera enfrentando ondas de inimigos e Juggernauts, o multiplayer refinou o sistema de Killstreaks com os pacotes de suporte e especialista, merecendo demais retornar aos holofotes no Game Pass.
8. Call of Duty: Black Ops III

Lançado em 6 de novembro de 2015, Call of Duty: Black Ops III consolidou a Treyarch como a rainha indiscutível do conteúdo cooperativo ao entregar a experiência definitiva do modo Zombies. Com o lançamento posterior da expansão Zombies Chronicles, o jogo reuniu os mapas mais amados da história da franquia remasterizados com gráficos de ponta, além de contar com suporte a mods e mapas customizados da comunidade no PC via Steam Workshop. Combinando o sistema de movimentação fluida nas paredes com especialistas carismáticos no multiplayer, colocar Black Ops III no Xbox Game Pass encheria os servidores imediatamente de veteranos e novatos.
A comunidade gamer continua cobrando posicionamentos mais claros da Microsoft e da Activision em relação ao ritmo lento de adição desses títulos clássicos. A sensação geral entre os assinantes é de que o potencial máximo do Game Pass ainda está sendo reprimido por burocracias corporativas e acordos antigos que emperram a curadoria do catálogo. Afinal, a biblioteca histórica construída ao longo de décadas é o maior patrimônio que a marca possui para cativar novos públicos e manter os veteranos engajados por centenas de horas.

Esperamos sinceramente que os executivos responsáveis ouçam o clamor dos fãs e tragam esses tesouros perdidos para o serviço nos próximos meses. A preservação digital não pode ser tratada como segundo plano quando estamos falando de franquias que moldaram o comportamento de uma geração inteira de entusiastas dos videogames.



💬 Comentários da Comunidade
Carregando comentários...