Cara, vamos ser sinceros: a Opening Night Live da Gamescom deste ano foi, em grande parte, um tédio absoluto. Eu estava genuinamente exausto de ver aquela sequência infinita de jogos de ação e fantasia que parecem ter sido feitos com a mesma receita de bolo, todos com a mesma cara e a mesma gameplay genérica. Parecia que tudo estava destinado a flopar na monotonia, até que surgiu algo que realmente quebrou esse padrão e me deixou com a pulga atrás da orelha.
O grande destaque foi Ontos, a nova pira da Frictional Games. Sabe aquela sensação de ver algo tão bizarro que você não consegue parar de olhar? Pois é. O trailer entregou imagens perturbadoras, desde racks de servidores feitos de ratos até caras com eletrodos saindo da cabeça. É aquele tipo de proposta que grita originalidade e me fez lembrar por que eu amo o gênero de horror psicológico, especialmente vindo de um estúdio que já sabe como mexer com a nossa cabeça.

No vídeo de gameplay extendido, a gente acompanha a protagonista, uma mulher chamada Aditi, chegando na ala hospitalar de um lugar chamado Samsara, que na verdade é um 'Hotel Lunar' reaproveitado. O clima é pesado e a exploração começa via um sistema ferroviário interno, onde a gente começa a desvendar as experiências macabras de um cientista chamado Crombie. A ambientação está absurda e passa aquela sensação de isolamento que a gente tanto busca em jogos de PC.
Em termos de jogabilidade, Ontos segue a linhagem de sucesso da Frictional Games, focando muito na interação tátil com o cenário. Não é aquele negócio de apertar um botão e a animação acontece sozinha; você sente que está realmente mexendo nas coisas. Tem muita leitura de logs em computadores antigos e sequências viscerais, como aquela em que a Aditi precisa arrancar eletrodos do cérebro exposto de um rato vivo. É nojento, é perturbador e é exatamente isso que a gente quer de um jogo de terror.

Além do terror visceral, o jogo traz pitadas de stealth que parecem bem interessantes. Vi a Aditi enganando uma câmera de segurança jogando uma caixa para o outro lado da sala, e o detalhe é que a câmera realmente rastreia o movimento do objeto no ar. Pode parecer algo simples, mas é esse tipo de polimento que tira o jogo da mediocridade e cria um hype real. É a prova de que a empresa não está apenas tentando assustar com jumpscares, mas criando sistemas que fazem sentido no mundo.
O ponto alto da demo é quando chegamos ao experimento do Crombie, envolvendo aquele rack de servidores de ratos que mencionei. Através dessa máquina bizarra, o Crombie revela que tentou criar uma cópia de sua personalidade para armazenar na memória RAM dos ratos, mas acabou fazendo o upload da sua consciência inteira, deixando seu corpo físico em estado vegetativo numa cadeira. Ele então pede a ajuda da Aditi para voltar ao próprio corpo, o que abre margem para dilemas filosóficos pesados sobre identidade e existência.

Essa pegada me lembrou imediatamente de SOMA, outro clássico da casa, onde o medo não vem apenas do monstro, mas da percepção de que a realidade é cruel e a consciência é frágil. Se Ontos conseguir entregar a mesma profundidade intelectual misturada com esse horror corporal, teremos um candidato forte a jogo do ano no seu nicho. É aquele tipo de experiência que te deixa pensando na vida por horas depois que você desliga o monitor ou o console da PlayStation.
Porém, nem tudo são flores. Eu achei a dublagem da Aditi um pouco fora de tom. Ela soa animada demais, quase alegre, para alguém que está vendo cenas traumáticas e realidades distorcidas. Espero que isso seja apenas um problema da versão de desenvolvimento, porque se a protagonista não transmitir o medo, a imersão do jogador vai pro espaço. De qualquer forma, a promessa é alta e a data de lançamento em 2027 parece estar longe demais para a minha expectativa.

Para fechar, embora Ontos tenha sido a joia da coroa para mim, tivemos outros vislumbres interessantes na Gamescom. Alien Isolation 2 parece estar no caminho certo para ser um sucessor digno do primeiro, e a promessa de uma última aventura com o Geralt de Rivia em The Witcher 3: Songs of the Past deixou qualquer fã de RPG com o coração batendo forte. Vale a pena conferir as Notícias para não perder nenhum detalhe desses lançamentos.
No fim das contas, Ontos prova que ainda existe espaço para a experimentação na indústria, longe dos blockbusters genéricos. Se você curte jogos que te fazem questionar a própria existência enquanto você sente nojo de um rato cibernético, esse é o seu jogo. Agora é segurar a expectativa e torcer para que a Frictional Games não mude a essência desse projeto até o lançamento final na Steam e outras plataformas.




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