Cara, quem curte RPG de verdade sabe que a Owlcat Games é aquele tipo de estúdio que não tem medo de complicar as coisas, e é exatamente por isso que a gente ama. Eles pegaram a complexidade absurda de sistemas de mesa e jogaram no PC, criando experiências que fazem qualquer jogador casual chorar no banho. Agora, a empresa está passando por uma transformação gigante e o papo é reto: eles não estão brincando em serviço para dominar o gênero.
Em uma entrevista recente para celebrar os 10 anos da casa, o co-fundador e diretor criativo Alexander Mishulin deixou claro que a Owlcat Games não vai dar as costas para os CRPGs hardcore. Existe aquele medo constante de que, quando um estúdio cresce, ele comece a "simplificar" os jogos para atingir a massa e acabe com o hype de quem gosta de profundidade. Mas o Mishulin garantiu que eles vão continuar experimentando abordagens diferentes para encontrar o encaixe perfeito para cada ideia, sem deixar a essência de lado.

O projeto que está mexendo com a cabeça de todo mundo é o The Expanse: Osiris Reborn. A galera já está chamando o jogo de "assassino de Mass Effect", e não é para menos. Estamos falando de um salto imenso na estrutura do estúdio, saindo daquela pegada de liderar estados e organizações para algo mais focado em personagens e exploração espacial, mudando completamente o design que vimos nos três primeiros títulos da casa.

Para conseguir dar conta desse tranco, a Owlcat Games inflou o time de forma assustadora, chegando a 600 funcionários. Para você ter uma ideia do peso disso, eles agora jogam na divisão dos pesos pesados da indústria. Enquanto a Obsidian Entertainment está lutando para se recuperar de demissões recentes impostas pela Microsoft, a Owlcat Games está em plena expansão, o que mostra que há espaço (e dinheiro) para quem se atreve a fazer jogos densos.

Se a gente comparar com os gigantes, a CD Projekt Red tem um time global maior, mas o núcleo de Varsóvia tem um tamanho bem similar ao atual da Owlcat Games. É bizarro pensar que a antiga BioWare, nos seus anos dourados, operava com um headcount parecido para conseguir equilibrar franquias como Mass Effect e Dragon Age. Agora, com esse exército de desenvolvedores, a Owlcat Games tem braço suficiente para rodar dois projetos AAA simultaneamente sem que a qualidade flope.

Mas não pense que eles esqueceram a raiz. O outro projeto no forno é o Warhammer 40K: Dark Heresy, que promete ser a evolução natural do que vimos em Warhammer 40,000: Rogue Trader. A grande sacada aqui é a mudança de perspectiva: em vez da fantasia de governante e elementos de 4X que eles tanto amam, o foco agora será um metagame de investigação e detetive altamente reativo. Ou seja, menos administração de império e mais "estou tentando descobrir quem é o traidor nesta colmeia espacial".

Essa transição entre o motor de CRPG clássico e a nova pegada de Action-RPG em The Expanse: Osiris Reborn é o movimento mais arriscado da empresa até agora. Eles estão tentando replicar aquele modelo de sucesso da BioWare dos anos 2010, onde você podia ter um jogo extremamente tático e outro mais fluido e cinematográfico sob o mesmo teto. Se isso der certo, a Owlcat Games deixa de ser apenas "aquela empresa de nicho" para se tornar a nova referência de RPGs no PC.
Sendo sincero como um veterano que já viu muito estúdio prometer o mundo e entregar um jogo quebrado, eu fico com um pé atrás, mas confio no processo. A evolução de Pathfinder: Kingmaker para Pathfinder: Wrath of the Righteous mostrou que eles sabem ouvir a comunidade e polir a experiência. Ter 600 pessoas trabalhando nisso é um sinal claro de que a ambição aqui é colossal e que eles querem ditar as regras do gênero daqui para frente.
No fim das contas, o que a gente quer é jogo denso, com história que mude conforme nossas escolhas e mecânicas que não peguem na nossa mão. Se a Owlcat Games conseguir manter a veia hardcore enquanto expande o alcance para novos públicos, teremos um novo padrão de qualidade para a indústria. É hora de torcer para que esse crescimento não resulte em burocracia, mas em mais conteúdo absurdo para a gente se perder por centenas de horas.
Meu veredito final é que estamos diante de um momento crucial. Se The Expanse: Osiris Reborn entregar a profundidade prometida com a fluidez de um jogo moderno, ele não será apenas um "assassino de Mass Effect", mas o começo de uma nova era para os RPGs. Fiquem de olho nas Notícias, porque se isso der certo, o cenário de RPGs vai mudar completamente nos próximos anos.



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