Sinceramente, quem ficou surpreso com isso? A Activision resolveu lançar os ports de Call of Duty: Black Ops 1 e 2 para PlayStation 4 e PS5 cobrando um valor salgado por algo que entrega o mínimo do mínimo, e o resultado não poderia ser outro: um caos absoluto. A gente sabe que a nostalgia vende, mas lançar um produto assim, sem a menor preocupação com a infraestrutura moderna, é praticamente pedir para a comunidade de modders e trapaceiros fazer a festa logo no primeiro dia.
O que aconteceu foi aquele roteiro clássico de qualquer lançamento mal planejado da franquia. Mesmo sendo versões simplórias, os jogos dispararam no topo das vendas da PS Store, provando que a galera ainda ama esses clássicos. Só que essa popularidade repentina atraiu justamente a escória que já detonava a experiência nos consoles da geração passada, trazendo todo aquele lixo de hacks e lobbies modded para o hardware novo.

Para quem não lembra ou não viveu a época do PS3 e Xbox 360, a situação é deplorável. Os hackers estão usando exploits antigos para atingir o nível máximo instantaneamente e, o que é pior, rebaixando os outros jogadores do lobby para níveis abaixo de um, tornando a partida completamente injusta. Tem gente usando as famosas 'Pro Perks', versões apelonas de vantagens que nenhum jogador honesto consegue, além do onipresente wall-hack, que deixa a movimentação tática de qualquer Shooters um completo piada.
O subreddit de Call of Duty virou um mural de reclamações, com players postando evidências de que é quase impossível encontrar uma partida limpa hoje em dia. As listas de reprodução mais atingidas, como Ground War e Domination, viraram verdadeiros parques de diversões para quem gosta de trapacear, forçando a Activision a tomar uma medida desesperada e desativar completamente esses modos na última segunda-feira.

A resposta da empresa foi aquele típico 'estamos trabalhando nisso' que a gente já conhece. Na terça-feira, eles reativaram os modos alegando que era a "primeira fase de um conserto". Eles aplicaram um fix no lado do servidor para resolver o problema do XP negativo, dando um boost forçado para todos os afetados até o nível 20, mas isso é como tentar apagar um incêndio florestal com um copo d'água enquanto a casa ainda está pegando fogo.
O método que esses caras estão usando é puro suco de gambiarra técnica. Como o PS5 não permite a transferência de saves via USB, os malandros fazem tudo pelo PlayStation 4. Eles pegam o arquivo de save, sobem em sites duvidosos de modificação, baixam a versão hackeada e fazem o upload para a PSN, sincronizando tudo depois com o console novo. É um fluxo tosco, mas que funciona perfeitamente para destruir a experiência de quem pagou caro pelo jogo.

Outra coisa que irrita profundamente é a questão do cross-gen. A Activision confirmou que as duas gerações podem jogar juntas, o que na prática significa que o lixo do PS4 está contaminando a experiência de quem investiu em um PlayStation de última geração. Quando um hacker entra e começa a se explodir repetidamente para subir de rank via glitch, ele não só estraga a partida, mas causa instabilidade no host, fazendo com que a conexão caia ou mude constantemente.
E aqui chegamos no ponto crucial: a falta de servidores dedicados. Esses ports mantêm o modelo arcaico de listen-server (P2P), onde a partida roda na conexão de um dos jogadores. Sem um servidor autoritativo da própria empresa para validar o que está acontecendo na partida, validar cheats se torna um pesadelo, facilitando a vida de qualquer um que saiba mexer num editor de hexadecimais no PC.

É inadmissível que em 2026 a gente ainda veja esse tipo de negligência em produtos que são vendidos como 'novos' ports. A sensação é de que a empresa só quis monetizar a nostalgia sem investir um centavo em segurança ou infraestrutura moderna. Lançar um jogo sem servidores dedicados hoje em dia é basicamente aceitar que o multiplayer vai flopar ou ser dominado por trapaceiros em questão de horas.
No fim das contas, quem quis matar a saudade de Black Ops acabou levando um nerf na paciência. A Activision pode até prometer mais correções, mas a confiança do jogador já foi pro ralo. Se você está pensando em comprar essas versões agora, meu conselho é: espera. Não gaste seu dinheiro em algo que, no momento, serve mais como laboratório de hackers do que como um jogo de tiro competitivo e divertido.

O veredito é simples: a ganância atropelou a qualidade. Esperamos que a empresa pare de tratar a comunidade como caixa de dinheiro e realmente implemente algo que segure esses modders, mas conhecendo o histórico, a gente sabe que eles vão preferir lançar a próxima temporada de algum outro jogo do que consertar um port de dez anos atrás.



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