Se você é fã de carteirinha de Resident Evil, sabe que a trajetória da franquia nos cinemas é, no mínimo, questionável. Já tivemos de tudo: desde adaptações que tentam ser fiéis até aquelas que jogam a história no lixo para fazer filmes de ação genéricos. Agora, surge Zach Cregger com uma proposta que, no papel, parece bem mais interessante e arriscada, prometendo fugir do óbvio e entregar algo que realmente capture a agonia de estar cercado por mortos-vivos.
O papo aqui é reto: Cregger não quer entregar mais do mesmo. Ele descreveu a experiência do novo filme como "uma sequência gigantesca", focando na jornada de um personagem que não tem a menor ideia do que está fazendo. Não estamos falando de um soldado treinado ou de um agente especial com mira perfeita, mas sim de alguém que está completamente fora de sua zona de conforto, o que pode trazer de volta aquele sentimento de vulnerabilidade que tornou o survival horror lendário nos anos 90.

O protagonista se chama Bryan, interpretado por Austin Abrams, e a descrição do diretor é hilária: ele é basicamente um "idiota". Calma, ele não é burro, mas é totalmente inepto em combate e sobrevivência, servindo como aquele típico "everyman" que a gente ama odiar enquanto ele toma decisões desesperadas. A ideia é que Bryan carregue uma missão sagrada, transformando a trama em algo parecido com a jornada de Frodo indo para Mordor, mas trocando o anel por um pesadelo biológico.
Essa escolha é um tapa na cara de quem espera ver Leon S. Kennedy ou Claire Redfield saltando na tela para salvar o dia. Cregger deixou bem claro que quer evitar os personagens icônicos da Capcom para criar sua própria dinâmica. Para alguns, isso pode soar como se o filme já tivesse flopou antes da estreia, mas para quem busca originalidade, é um sopro de ar fresco em uma franquia que já explorou quase tudo com os personagens principais.

Claro que a ambientação continua sendo Raccoon City, e a vilã da história continua sendo a onipresente e corrupta Umbrella. No entanto, o diretor sugere que esta é uma versão da cidade desenhada para não necessariamente cruzar caminhos com a linha do tempo dos jogos. Isso dá a ele a liberdade de brincar com a cidade sem ficar preso a cada detalhe do mapa original, embora prometa espalhar vários Easter eggs para a galera mais hardcore.
Se você conhece a diferença entre um Crimson Head e uma red herb, ou sabe quem são os Ashfords, provavelmente vai se divertir caçando essas referências. O objetivo é que o filme seja acessível para qualquer pessoa, mesmo para quem nunca encostou em um controle de PS5 ou PC, mas que ainda assim recompense quem conhece a lore profunda da série. É aquele equilíbrio difícil de acertar, mas que pode gerar um hype absurdo se for bem executado.

Outro ponto que me chamou a atenção foi a estrutura narrativa. Cregger quer mimetizar o ritmo dos jogos, onde você pula de um set-piece para outro, enfrentando desafios únicos em cada nova sala ou corredor. Ele afirma que as coisas começam a desandar cerca de cinco minutos após o início do filme e que a tensão se mantém no limite até os créditos subirem, criando a sensação de que o espectador está atravessando um verdadeiro corredor de tortura.
Essa abordagem de "corrida contra o tempo" é essencial para evitar que o filme se torne apenas mais um passeio lento por cenários escuros. Se ele conseguir manter a cadência de ação e o pânico constante, teremos um filme que realmente traduz a gameplay de Resident Evil para a sétima arte. É a tentativa de transformar o cinema em uma experiência de sobrevivência, onde cada erro do protagonista pode significar a morte.

Marquem no calendário: o filme chega aos cinemas em 18 de setembro de 2026. Sim, ainda temos um bom tempo de espera, mas considerando a complexidade de montar algo que não seja apenas um amontoado de CGI barato, a paciência pode ser a nossa melhor amiga. Esperamos que a produção não sofra nenhum nerf no caminho e que a visão de Cregger chegue intacta às telas.
No fim das contas, estamos diante de uma aposta ousada. Trocar heróis competency por um "idiota» em missão suicida é a receita perfeita para ou um clássico cult ou um desastre total. Eu, pessoalmente, estou torcendo para que a tensão seja real e que a gente sinta o medo genuíno de encontrar um zumbi num corredor apertado, sem ter uma pistola de 9mm para resolver tudo rapidamente.




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