Olha, eu já vi muita coisa nessa indústria em 15 anos, mas a Asobo Studio resolveu chutar o balde de um jeito que eu não esperava. Quem acompanhou a jornada emocionante de Amicia e Hugo sabe que o DNA de A Plague Tale era aquele clima tenso de stealth, de se esconder nas sombras enquanto milhares de ratos tentavam te devorar. Agora, chega com Resonance: A Plague Tale Legacy, a empresa decidiu que 'está tudo mudando'. Sim, você leu certo: nada de stealth, nada de França e, pasmem, nada de Amicia ou Hugo. No começo, isso parece um flop anunciado ou uma crise de identidade, mas depois de analisar a proposta, parece que eles estão querendo dar um buff gigante na gameplay.
A protagonista da vez é a Sophia, aquela personagem que apareceu em A Plague Tale: Requiem como a mentora da Amicia. A gente sabia que ela era grega, que lutava bem e que tinha um passado misterioso envolvendo a fuga de um convento para procurar o pai, mas agora teremos a chance de mergulhar fundo nisso. O jogo se passa 15 anos antes dos eventos dos títulos anteriores, levando a gente para a ilha de Crete, na Grécia. A trama gira em torno de templos antigos e sonhos estranhos que a Sophia tinha quando criança, tudo isso conectado, obviamente, à maldita Macula e ao controle dos ratos que define a série.
O que mais me chamou a atenção foi a sacada narrativa de usar duas linhas temporais. Enquanto a Sophia explora as ruínas do templo nos dias atuais (do jogo), a gente é transportado para o corpo de Theseu, milhares de anos no passado. É como se estivéssemos vivendo a lenda grega de Theseu e o Minotauro em tempo real. Essa transição é feita de forma fluida; em um momento a Sophia entra em uma câmara vazia e empoeirada e, num piscar de olhos, estamos no auge da civilização grega, com arenas lotadas e gritos de gladiadores. Essa dualidade traz um ritmo que a série nunca teve, alternando a exploração tensa com espetáculos de ação pura.
Falando em ação, jogar com Theseu é uma experiência completamente diferente. Esqueça a delicadeza de carregar uma funda; aqui o negócio é pancadaria bruta em arenas em formato de rosquinha, onde você precisa dar aquele chute estilo espartano para jogar os inimigos para fora da plataforma. É um espetáculo ensurdecedor, com tambores reverberando e aquela vibe de culto antigo que deixa qualquer um no hype. É um contraste absurdo com a exploração cautelosa da Sophia, e é justamente esse choque de ritmos que pode salvar o jogo de se tornar apenas 'mais um jogo de ação'.
Mas não pensem que a Sophia é só para caminhar por ruínas. A Asobo Studio deixou claro que Resonance: A Plague Tale Legacy é, primariamente, um jogo de combate. A Sophia é do tipo que resolve as coisas no soco e na lâmina, indo direto para cima dos inimigos. O produtor Eric Chort até deu aquela enrolada básica dizendo que 'existem mistérios' sobre o stealth, mas para todos os efeitos, a furtividade foi deixada de lado. Faz sentido, já que a Amicia nem tinha nascido na época dessa história, então não tem como ter aquele crossover de gameplay que a gente viu nos outros jogos.
Agora, o ponto que me deixou mais curioso foi a inspiração do combate. A Asobo Studio admitiu que bebeu da fonte de Ghost of Tsushima, Batman Arkham e os jogos do Marvel's Spider-Man. Estamos falando de um sistema de combate rítmico, baseado em timings perfeitos de ataque e esquiva. Se você dominar o tempo certo, a Sophia vira um borrão de lâminas, executando golpes viscerais e finalizações plásticas que parecem uma dança da morte. Para um estúdio que nunca focou em combate ação, a entrega parece surpreendentemente competente e polida.
Visualmente, o jogo continua sendo um absurdo. A Asobo Studio sempre foi mestre em criar cenários que tiram o fôlego, e levar isso para a Grécia Antiga foi uma escolha certeira. As animações de combate estão extremamente bem observadas, com cada golpe transmitindo o peso necessário. Mesmo mudando a fórmula, o jogo ainda respira a atmosfera de A Plague Tale, mantendo aquele sentimento de desolação e a conexão com a Macula, que é o que realmente amarra a franquia.
É claro que mudar a fórmula tão drasticamente é um risco. Tem muita gente que amava a tensão do stealth e pode achar que a série 'perdeu a mão'. Mas, honestamente? Eu prefiro ver um estúdio tentando evoluir e experimentar do que entregar o mesmo jogo três vezes seguidas. Se o combate for realmente tão fluido quanto o de Ghost of Tsushima, temos um hit nas mãos. O fato de ter sido anunciado no Xbox Games Showcase 2026 já mostra que a Microsoft e a Asobo estão botando fé nesse novo rumo.
No fim das contas, Resonance: A Plague Tale Legacy parece ser aquela aposta ousada que divide opiniões, mas que traz frescor para a marca. Ver a Sophia assumindo o protagonismo e explorando as raízes da praga na Grécia é um movimento inteligente para expandir o lore sem precisar forçar a barra com os personagens principais. Agora é só torcer para que o sistema de combate não seja genérico e que a história de Theseu não seja apenas um pretexto para lutas de arena.
Meu veredito precoce é: estou genuinamente empolgado. A mudança de tom é brusca, mas a execução parece sólida e a ambição da Asobo Studio é admirável. Se eles conseguirem equilibrar a exploração atmosférica com esse combate frenético, teremos um dos jogos mais surpreendentes dos próximos anos. Só espero que não nerfem a dificuldade para tentar agradar todo mundo, porque esse tipo de jogo pede um desafio real para brilhar.
Você prefere a tensão do stealth dos jogos anteriores ou curtiu essa mudança para o combate visceral? Deixe sua opinião nos comentários!