Sabe aquele medo existencial de que a inteligência artificial fosse roubar nosso emprego? Pois é, o buraco é bem mais embaixo. Agora a tecnologia não quer apenas a nossa vaga no escritório, ela quer roubar nossas únicas alegrias na vida: comer besteira no sofá e maratonar games. Eu sinceramente não sei mais para que eu existo nesse planeta se um amontoado de metal e plástico consegue fazer tudo o que eu faço, só que provavelmente com mais precisão e sem precisar de banho.
O papo agora é sobre o NEO, a nova criação da galera da 1X Technologies, lá de Palo Alto. Esse bicho é basicamente um assistente doméstico que parece ter saído de um pesadelo febril, mas que ostenta mãos super articuladas e a capacidade de realizar tarefas que, sinceramente, me fazem questionar a minha utilidade como ser humano. Se você acha que o seu setup de PC é o ápice da conveniência, espera até ver um robô fazendo o trabalho sujo por você.

Nas demonstrações que vimos, o NEO consegue fazer coisas básicas, como trocar uma lâmpada ou pegar um parafuso com uma delicadeza impressionante. Mas o que realmente me quebrou foi ver esse robô operando um controle de Xbox. Alguém me explica em que momento a gente avançou tanto a ponto de terceirizar até o nosso lazer? Daqui a pouco vamos ter robôs jogando ranked de League of Legends enquanto a gente dorme para garantir o diamante sem esforço. É o ápice da preguiça humana, e eu estou aqui para aplaudir e chorar ao mesmo tempo.
Agora, vamos falar da estética, porque isso aqui é puro suco de filme de terror. O NEO usa um suéter branco e luvas brancas enquanto circula pela casa, o que, para qualquer pessoa com dois neurônios funcionando, é a descrição clássica de um serial killer de filmes dos anos 80. Para piorar, a cara dele é um vazio absoluto com dois olhos pretos e profundos que ficam te encarando sem piscar. Dá para imaginar perfeitamente esse troço parado no canto do quarto às 3 da manhã, só observando você respirar.

O vídeo de demonstração é, no mínimo, bizarro. Em vários momentos, o robô é atacado com um martelo sem motivo nenhum, como se a 1X Technologies quisesse provar a resistência do hardware de um jeito bem caótico. E tem a parte do zíper: em vez de mostrar o robô ajudando alguém a se vestir, eles mostram ele abrindo lentamente o zíper do casaco de alguém. Por que? Quem pensou nisso? O clima de hype tecnológico rapidamente se transforma em um sentimento de "eu preciso sair daqui agora".

Claro que existe um lado nobre nisso tudo. Para idosos ou pessoas com deficiência, ter um assistente que consegue abrir um saco de salgadinhos ou manipular objetos pequenos pode ser a diferença entre a independência e a dependência total. O problema é que essa independência custa caro pra caramba. O NEO sai por cerca de R$ 110.000 (conversão de $20,000) ou exige uma assinatura mensal de aproximadamente R$ 2.750 (conversão de $500). Basicamente, você precisa ser um milionário ou um herdeiro para ter o privilégio de ser encarado por um robô sem boca.
Mas aqui vem a grande reviravolta, o verdadeiro nerf na ideia da IA suprema. Depois de investigar, descobrimos que a maioria dessas ações não é autônoma. O NEO é, na verdade, controlado remotamente por um ser humano usando equipamentos de VR. Ou seja, não é o robô que é inteligente; tem algum estagiário de 19 anos em Palo Alto usando um headset de realidade virtual para operar a máquina e abrir o seu pacote de Funyuns. Isso dobra o nível de creepiness da situação, porque agora você sabe que tem olhos humanos reais espiando você através daquela carcaça de metal.

Essa revelação tira um pouco do peso da nossa obsolescência, mas adiciona uma camada de bizarrice digna de um episódio de Black Mirror. A ideia de pagar mais de cem mil reais para que um estranho opere um robô na sua sala e te ajude a tirar a roupa é, no mínimo, questionável. A tecnologia é impressionante do ponto de vista de engenharia e latência, mas a aplicação prática parece ter sido pensada por alguém que nunca interagiu com humanos na vida real.
No fim das contas, o NEO é mais um experimento caro que mostra que a gente está tentando automatizar coisas que nem precisavam de automação. Jogar videogame é a nossa terapia, o nosso refúgio. Se a gente começar a delegar até isso para máquinas (ou para estagiários via VR), o que sobra da experiência humana? A gente está criando ferramentas para nos libertar ou apenas formas mais sofisticadas de nos tornarmos inúteis enquanto assistimos a vida passar em 4K.
Meu veredito é que, por enquanto, meu emprego e meu direito de ser um sedentário profissional estão salvos. O NEO pode até abrir meu salgadinho, mas ele nunca vai sentir a frustração de perder um boss em Dark Souls ou a alegria de um loot lendário. Enquanto a IA não conseguir sentir a raiva de um lag no meio de uma partida, eu continuo sendo o rei do meu sofá. Pode guardar o seu robô de cem mil reais, eu prefiro continuar sendo obsoletamente humano.


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