Na moral, tem coisa que a gente não entende na cabeça de alguns executivos da indústria. O hype para Stellar Blade: Blood Rain estava lá no alto, mas a Shift Up resolveu dar um tiro no próprio pé ao lançar um vídeo musical de K-Pop inteiramente gerado por IA com a Evie. O resultado? Um verdadeiro desastre visual que deixou a comunidade perplexa e genuinamente irritada com a escolha da empresa.
O clipe, intitulado "Wanna be in LOVE", foi postado no canal oficial da Shift Up no YouTube no dia 31 de julho. A ideia era dar um toque pop para o clima futurista do game, mas o que entregaram foi algo que lembra aqueles anúncios baratos e bizarros que aparecem antes dos vídeos no YouTube. A galera notou na hora que a coisa estava errada, com a Evie mudando de rosto a cada frame e imprecisões visuais que dão até agonia de assistir.

Para piorar a situação, o vídeo ainda termina com um segmento de "making of" fake, onde a equipe da Shift Up finge interagir com a Evie. Na descrição e nas letras miúdas no final, eles admitem abertamente que o conteúdo foi "regenerado com suporte de IA", ostentando inclusive o logo do departamento A.I. Labs da empresa. É aquele tipo de atitude que deixa qualquer jogador com o pé atrás, especialmente quando vemos a qualidade técnica que o jogo costuma entregar no PS5.

A recepção na internet foi um massacre total, especialmente no Reddit e no X/Twitter. Os comentários não perdoaram, chamando a produção de "slop de IA" (aquele conteúdo genérico e sem alma) e questionando por que uma empresa com tanto recurso preferiu economizar em um clipe em vez de pagar um bônus para artistas reais. Tem gente dizendo que o hype pelo título foi genuinamente danificado por causa dessa preguiça criativa, o que é um prejuízo imenso para o marketing de Notícias do jogo.

O ponto central da polêmica recai sobre o CEO da Shift Up, Kim Hyung-Tae, que é um defensor fervoroso da IA generativa. Ele já afirmou anteriormente que estúdios de países menores precisam dessa tecnologia para conseguir competir com os gigantes dos EUA e da China. Segundo ele, enquanto a China coloca de 1.000 a 2.000 pessoas em um único projeto, a Shift Up trabalha com cerca de 150, tornando a IA essencial para manter a qualidade e o volume de conteúdo sem precisar de um exército de desenvolvedores.

O argumento do Kim Hyung-Tae é que a IA não tiraria empregos, mas sim tornaria os funcionários mais valiosos, alegando que "uma pessoa pode realizar o trabalho de 100 pessoas". Só que, na prática, o que vimos nesse clipe foi a prova de que a tecnologia ainda não substitui o olhar humano e a consistência artística. É bizarro pensar que eles têm orçamento para criar assets incríveis no PlayStation, mas decidiram usar um gerador automático para promover a própria protagonista.
O climão ficou ainda pior quando o próprio CEO promoveu o vídeo no X/Twitter, pedindo a opinião do público. Ele conseguiu o que queria: recebeu milhares de respostas detonando a decisão e sugerindo que a empresa usasse o orçamento para animar o vídeo de verdade, o que serviria para mostrar a beleza dos assets do jogo em vez de criar imagens artificiais e distorcidas que afastam os fãs.

Para mim, isso é um alerta vermelho. Quando a cúpula de um estúdio começa a romantizar a ideia de que um funcionário vale por cem graças a um software, a qualidade artística costuma ser a primeira a ir para o ralo. A IA pode ser ótima para otimizar processos chatos, mas usar ela para criar a face pública de um marketing é, no mínimo, amador e desrespeitoso com quem consome a obra.
Agora a pergunta que não quer calar é: se eles usaram IA para o clipe, será que teremos cutscenes geradas por algoritmos dentro do Stellar Blade: Blood Rain? Se isso acontecer, o jogo corre o risco de flopar não por falta de gameplay, mas por falta de alma. Esperamos que a Shift Up aprenda a lição e entenda que arte de verdade requer artistas, e não apenas prompts bem escritos.



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