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Signalis: O Terror Retro-Futurista que Une Resident Evil e Evangelion de Forma Genial

Quem viveu a era do PS1 sabe exatamente do que eu estou falando. Aquela sensação de entrar em um corredor escuro, sem saber se tinha munição suficiente e com o coração na boca esperando um jump scare que ia te fazer largar o controle. Eu lembro bem de quando tentei encarar Resident Evil 2 aos 11 anos; o trauma foi tão grande que eu simplesmente desliguei o console e fingi que o jogo não existia por um tempo. O terror de verdade não é aquele que te joga monstros na cara a cada cinco segundos, mas sim a tensão constante de saber que você está vulnerável.

O problema é que, com a evolução dos gráficos e dos controles, muita coisa se perdeu no caminho. Os jogos ficaram mais acessíveis, os combatentes ficaram mais fortes e aquele medo visceral de ficar sem balas sumiu, dando lugar a shooters de ação disfarçados de horror. Eu mesmo cheguei a achar que estava imune, jogando coisas como Until Dawn com total indiferença. Mas aí veio Signalis, desenvolvido pelo estúdio rose-engine, e me provou que eu estava redondamente enganado sobre o que me assusta hoje em dia.

Imagem Cena de Resident Evil Meets Evangelion 1

Disponível para PC e inclusive aparecendo no catálogo da PlayStation Plus, Signalis é um tapa na cara de quem acha que nostalgia é só filtro de imagem. O jogo usa uma perspectiva top-down e mimetiza a estética dos clássicos do PSX, especialmente os primeiros Resident Evil e Silent Hill. Você navega por ambientes claustrofóbicos, resolve puzzles que realmente fritam o cérebro e tenta sobreviver a criaturas grotescas enquanto tenta entender que diabos está acontecendo naquela história densa sobre memória e isolamento.

O cenário é um universo retro-futurista onde a Eusan Nation e o Eusan Empire travam uma guerra sangrenta. Aqui, a sociedade é dividida entre Gestalts (humanos comuns) e Replikas, que são clones biossintéticos criados para funções específicas, como soldados ou operários. A pegada fica sinistra quando descobrimos que as Replikas herdam memórias de Gestalts, mas essas lembranças são reprimidas por uma tecnologia instável chamada bioressonância. É esse conflito de identidade que dá o tom melancólico e perturbador para toda a experiência.

Imagem Cena de Resident Evil Meets Evangelion 2

Nós controlamos Elster, uma técnica Replika que acorda após a queda de sua nave e começa uma busca desesperada por uma mulher chamada Alina Seo. A jornada acontece dentro da estação S-23 Sierpinski, um lugar infectado por uma doença misteriosa que transforma as Replikas em monstros deformados. O roteiro é um labirinto; o jogo possui quatro finais diferentes e a comunidade ainda passa horas debatendo as teorias e os significados ocultos de cada cena. É o tipo de trama que te deixa com a cabeça girando e te obriga a prestar atenção em cada detalhe do cenário.

Se você espera facilidades, esqueça. O gameplay de Signalis abraça a limitação como filosofia de design. O sistema de mira é rígido, a munição é escassa e o espaço no inventário é minúsculo, o que torna a gestão de itens um verdadeiro inferno, especialmente com a quantidade de chaves necessárias para abrir as portas da estação. Existem as safe rooms para salvar o progresso e guardar itens, mas a sensação de estar sempre no limite é o que mantém o hype do medo vivo durante toda a jogatina.

Imagem Cena de Resident Evil Meets Evangelion 3

Visualmente, o jogo é uma obra de arte inspirada em animes sci-fi pesados como Evangelion, Blame! e Ghost in the Shell. Um detalhe que me deixou mal foi a ausência total de música de fundo na maior parte do tempo. Você caminha no silêncio absoluto de S-23 Sierpinski, e o único som que quebra essa paz é o grito estridente de um monstro te avistando. Quando a perseguição começa, surge um ritmo batido e frenético que não para até que você elimine a ameaça ou consiga fugir para a segurança.

Falando nas criaturas, elas são basicamente amontoados de pixels, mas a forma como se movem — com espasmos e movimentos erráticos — é o suficiente para causar repulsa. O pior de tudo é que elas não ficam mortas. A menos que você use um item específico nos corpos, os monstros voltam à vida em pontos aleatórios do mapa, forçando você a repensar cada passo e a nunca baixar a guarda, transformando a exploração em um exercício de paranoia constante.

Imagem Cena de Resident Evil Meets Evangelion 4

Para mim, Signalis é a prova viva de que as limitações técnicas podem impulsionar a criatividade. Enquanto muitos estúdios gastam milhões em ray tracing e 4K para tentar criar imersão, a rose-engine usou o minimalismo e a sugestão para criar um dos jogos mais aterrorizantes dos últimos anos. Não é apenas uma homenagem ao passado, mas uma evolução do gênero que entende que o vazio e o silêncio assustam muito mais do que qualquer explosão cinematográfica.

No fim das contas, quem busca uma experiência de Notícias sobre horror que realmente desafie a mente e os nervos precisa dar uma chance a esse título. É um jogo denso, triste e brutalmente difícil, mas extremamente recompensador para quem tem paciência. Signalis não flopou em nenhum quesito; ele entregou exatamente o que prometeu: um retorno ao medo puro, onde a maior arma do jogador não é a pistola, mas a sua capacidade de aguentar a pressão psicológica.

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