Sabe aquele momento em que você descobre que um dos maiores gênios do cinema simplesmente deu um 'branco' total em algo que ele mesmo autorizou? Pois é, aconteceu. A gente cresceu com a imagem emocionante do E.T. The Extra-Terrestrial partindo para o espaço, deixando o Elliott com o coração apertado, mas com a certeza de que aquela amizade era eterna. Para a maioria de nós, o filme de 1982 era o ponto final, a conclusão perfeita de uma história que definiu a infância de gerações.
O problema é que, em uma entrevista recente para o podcast Happy Sad Confused, o lendário Steven Spielberg foi questionado se o Elliott chegou a ver o E.T. novamente. A resposta do mestre foi um seco e direto "Não". Ele explicou que a conexão entre os dois continuou apenas através de sonhos e de um vínculo psíquico, mas que fisicamente, eles nunca mais se reencontraram. O detalhe é que essa declaração joga no lixo — ou pelo menos ignora completamente — uma sequência oficial que existe há décadas e que é, tecnicamente, canônica.
Estamos falando de E.T.: The Book of the Green Planet, um romance lançado em 1985 e escrito por William Kotzwinkle, o mesmo cara que assinou a novelização do filme. Esse livro não é apenas um 'fanfic' qualquer; ele foi oficialmente sancionado e aprovado pelo próprio Steven Spielberg na época. A história começa exatamente onde o filme termina, acompanhando o alienígena em sua jornada de volta para casa, no planeta Brodo Asogi, que a maioria conhece apenas como o "Planeta Verde".
Só que, ao contrário do que a gente imaginaria, o retorno do E.T. não foi exatamente um desfile de carnaval com tapete vermelho. Em uma reviravolta que parece até um nerf na vida do personagem, ele não é celebrado por sua aventura na Terra. Pelo contrário, o bichinho perde seu cargo prestigioso de botânico espacial e é rebaixado a um simples agricultor. Imagina a frustração do cara: atravessa a galáxia, faz amizades improváveis e volta para casa para virar um trabalhador rural.
O livro então mergulha na melancolia do E.T., que passa boa parte da trama espionando o Elliott na Terra através daquela conexão psíquica. A coisa fica realmente bizarra quando descobrimos a metodologia dele: o alienígena cria replicantes psíquicos em miniatura de si mesmo para tentar chamar a atenção do garoto, que já está mais velho e interessado em colegas de classe. O problema é que esses clones não são apenas projeções fantasmas; eles são tangíveis, e a história descreve cenas absurdas deles sendo esmagados ou sugados por ralos.
Além desse drama existencial, a obra faz um worldbuilding bem peculiar sobre a espécie dos Asogians. Descobrimos que eles são apenas uma das poucas espécies inteligentes do planeta e que a arquitetura local é totalmente baseada em plantas. Para você ter uma ideia do nível de surrealismo, as casas são feitas de abóboras gigantes e existem plantas hiperinteligentes que conseguem falar. É aquele tipo de conceito que, se fosse um jogo hoje em dia, a galera diria que o roteiro foi escrito sob efeito de substâncias duvidosas.
Mas o ápice do absurdo acontece no final do livro. Determinado a reencontrar o Elliott, o E.T. e seus amigos resolvem roubar uma nave espacial para voltar à Via Láctea. E qual é a nave? Um nabo voador gigante. Sim, você leu certo: o clímax da sequência oficial de um dos filmes mais icônicos da história envolve a tripulação de um vegetal intergaláctico. A narrativa termina sugerindo que eles conseguiram chegar ao destino e que o reencontro com o menino era iminente.
Agora, a pergunta que não quer calar: por que o Steven Spielberg disse que eles nunca se viram de novo? Existem duas possibilidades aqui. A primeira é a mais provável: o diretor simplesmente esqueceu que esse livro existe. Afinal, são décadas de carreira e centenas de projetos. A segunda é mais sombria: ele lembra do livro, mas decidiu que aquele final foi um flop total e resolveu deletar da cronologia oficial na base do improviso durante a entrevista.
Se formos analisar friamente, talvez seja melhor que o mestre tenha esquecido. A ideia de replicantes de E.T. sendo sugados por ralos e naves em formato de nabo tira um pouco da magia e da pureza do filme original. A conclusão do cinema é muito mais potente do que a de um livro que tenta expandir demais o universo sem necessidade. Às vezes, menos é mais, e deixar a amizade deles no campo do sonho é muito mais poético do que qualquer viagem de vegetais.
No fim das contas, isso serve como um lembrete de que o cânone em Hollywood é algo extremamente fluido e, muitas vezes, depende apenas do humor do diretor no dia da entrevista. Se o Steven Spielberg decidiu que o livro não conta, quem somos nós para discutir? Mas que fica a curiosidade de saber se aquele nabo voador realmente pousou no quintal do Elliott, isso fica. O mistério continua, mas a bizarrice do Planeta Verde agora faz parte do nosso repertório de curiosidades inúteis e maravilhosas.
Você prefere o final emocionante do filme ou acharia engraçado ver um E.T. viajando em um nabo gigante? Deixe sua opinião nos comentários!