Cara, vamos ser sinceros: mexer em clássico é sempre um terreno perigoso, e a Nintendo sabe disso melhor do que ninguém. A expectativa para o novo Star Fox no Nintendo Switch 2 estava lá no teto, porque a gente queria ver aquele feeling de 1997 transportado para a nova geração com todo o poder de processamento atual. A promessa era entregar um remake glitzy, cheio de pompa e circunstância, tentando tirar o Fox McCloud da sombra do pai, o lendário James McCloud, mas a real é que a nostalgia é um adversário difícil de vencer.
O problema é que, quando você tem um jogo que já é considerado um pilar do gênero, não adianta apenas colocar um banho de loja com 4K e 60fps. O remake desenvolvido pela Velan Studios tenta vender a ideia de que a maturidade do jogo vem da modernidade técnica e de cenas cinematográficas que parecem ter saído de um filme de alto orçamento. Só que, na prática, essa insistência em deixar o drama familiar mais explícito acaba tirando um pouco daquele charme sutil que a gente amava no Nintendo 64.

No quesito narrativa, a Velan Studios resolveu colocar o peso do legado do pai do Fox bem na nossa cara. As cutscenes são lindíssimas, dignas de um cinema, mas sinto que eles forçaram a mão no roteiro. Em vez de deixar a gente sentir a pressão através da gameplay, eles entregam diálogos mastigados onde a tripulação vive lembrando o Fox de que as botas do James McCloud são difíceis de preencher. É aquele tipo de escolha que tenta dar profundidade, mas acaba soando um pouco artificial para quem já conhece a história há décadas.

Agora, falando da parte que realmente importa: o gameplay. Estruturalmente, o jogo é um espelho do original, e isso foi a decisão mais acertada da Nintendo. Você ainda pilota a Arwing por sete planetas, detonando tudo o que se move e desviando de prédios caindo. A campanha é curtinha, dá para zerar em menos de duas horas, mas o hype aqui não está em terminar a história, e sim em descobrir as rotas secretas. Se você já manjava os truques do original, pode ficar tranquilo que eles ainda funcionam aqui, mantendo aquele vício de querer testar cada configuração de caminho possível.

O controle foi levemente aprimorado e a sensação de voo é deliciosa. É basicamente um "Top Gun" para gamers, onde você faz aquele barrel roll clássico para desviar de tiros ou inclina a nave para passar em frestas apertadas com apenas alguns apertos de botão. Não exige uma execução técnica absurda, mas entrega aquele drama de Hollywood que a gente gosta. Ver a cidade de Corneria reconstruída com visuais brilhantes e explosões grandiosas é satisfatório demais, transformando a primeira missão em um espetáculo visual absurdo.

Mas nem tudo são flores e lasers coloridos. Infelizmente, o que era ruim no Nintendo 64 continua sendo um ponto baixo aqui. As fases All-Range, onde você voa livremente em uma arena circular, continuam sendo um saco e podem ser bem frustrantes, mesmo com as novas manobras evasivas. As partes de submarino e tanque estão com um controle melhor, mas a verdade é que elas não chegam nem perto da diversão das batalhas aéreas. É aquele sentimento de "está melhor, mas ainda não é bom".
Para piorar, a Nintendo e a Velan Studios deram um nerf cruel em um dos elementos mais competitivos do original: as tabelas de pontuação global. Eles trocaram os leaderboards por desafios estilo conquistas e banners de perfil desbloqueáveis. Isso é um flop total! Quem é fã de verdade quer ver seu nome no topo da lista de quem fez mais pontos em cada fase, e não ganhar um selinho colorido no perfil. É uma troca de substância por cosmético que deixa qualquer veterano com um gosto amargo na boca.

No fim das contas, Star Fox para Nintendo Switch 2 é um remake competente, polido e visualmente impactante, mas que não consegue superar o legado do clássico. Ele é como aquele filme de ação que você assiste no cabo e se diverte, mas sabe que a versão original tinha mais alma. Se você quer reviver a nostalgia com gráficos de última geração, vale a pena, mas não espere que ele reinvente a roda ou que entregue algo a mais do que a embalagem bonita.
Meu veredito é que o jogo é sólido, mas falta aquele "tempero" extra para realmente decolar. Ele não é um jogo ruim — longe disso —, mas fica claro que a Nintendo preferiu jogar no seguro do que arriscar algo novo. É um passeio agradável por memórias antigas, mas que prova que, às vezes, um sorriso mais branco e roupas novas não fazem de você um piloto melhor.



💬 Comentários da Comunidade
Carregando comentários...