Lembram daquela euforia absurda quando saiu o primeiro trailer de The Force Awakens? A gente estava tudo no hype, achando que a Disney e a Lucasfilm iam levar a franquia de volta ao topo com rostos novos como Daisy Ridley e Oscar Isaac, misturados com as lendas Mark Hamill e Carrie Fisher. O problema é que, quando a poeira baixou, a trilogia sequencial entregou um roteiro tão bagunçado que muita gente prefere fingir que esses filmes nem existem para não passar raiva.
O maior crime, na minha opinião, foi aquele final de The Rise of Skywalker, onde a Rey simplesmente resolve adotar o nome Skywalker no meio de Tatooine. Ficou forçado, sem peso emocional e deixou um vácuo narrativo que nem as mídias expandidas conseguiram preencher direito até agora. Mas olha só: parece que finalmente alguém resolveu encarar esse 'bantha na sala' e tentar consertar a história através da literatura, trazendo mais profundidade para essa decisão questionável.

Entra em cena Star Wars: Legacy, um romance escrito por Madeleine Roux e publicado pela Random House Worlds. O livro não tenta apenas dar desculpas, mas sim mergulhar na crise de identidade da Rey entre os eventos de The Last Jedi e The Rise of Skywalker. A personagem estava completamente à deriva, sem mestre, com um sabre de luz quebrado e aquele vínculo estranho e sombrio com o Kylo Ren, tentando entender quem diabos ela era no universo enquanto carregava o peso de ser a última esperança Jedi.
Para resolver essa treta, a trama leva a Rey até o planeta Tython, onde existiria uma forja Jedi lendária capaz de curar o cristal kyber do seu sabre. O ponto alto aqui é que ela não vai sozinha; a Leia Organa, o Chewbacca, o R2D2 e o C3PO fecham o bonde nessa missão. É aquele tipo de dinâmica de grupo que a gente ama em Star Wars, trazendo de volta a sensação de aventura clássica que ficou meio perdida nos filmes recentes.

Se você acompanha as Notícias da franquia, sabe que Tython já apareceu em outros lugares, como em The Mandalorian, quando o Din Djarin levou o Grogu para meditar. O livro expande isso, transformando o planeta em um local de descoberta espiritual onde a Rey encontra templos e registros de comunidades Jedi perdidas. É aqui que a narrativa começa a construir a base emocional para ela entender que 'legado' não é necessariamente sobre sangue, mas sobre a escolha de quem você quer ser.
O grande trunfo de Star Wars: Legacy é colocar a Leia Organa no papel de mentora que o Luke deixou vago. A Rey passa boa parte do livro tentando esconder sua própria escuridão, fingindo que ela não existe, o que é um erro clássico de quem não tem guia. A Leia, sendo filha do Darth Vader, sabe melhor do que ninguém o que é ter medo do próprio DNA e do potencial para o mal, e usa essa experiência para ajudar a aprendiz a enfrentar seus demônios internos.

Essa relação mestre-aprendiz entre Leia e Rey é o que faltou nos cinemas. Ver a Leia assumindo a responsabilidade de moldar a nova geração dá um sentido muito maior para a Rey se sentir parte da família Skywalker no final. O livro transforma aquela cena polêmica de Tatooine em algo que parece a conclusão de uma jornada de autoconhecimento, e não apenas um roteiro escrito às pressas para agradar o público.
Claro que isso não apaga o fato de que a trilogia sequencial flopou em vários aspectos narrativos, mas é um respiro ver a Lucasfilm tentando usar a literatura para dar o buff que a história precisava. Para quem curte explorar o lore profundo da saga, seja nos livros ou em jogos de PC, esse tipo de conteúdo é essencial para preencher as lacunas que os roteiristas de Hollywood deixaram abertas.
No fim das contas, Star Wars: Legacy prova que a identidade de um herói é construída através de traumas superados e mentores adequados. A tentativa de consertar a bagunça de The Rise of Skywalker através de um livro é um movimento inteligente, pois permite que os fãs mais dedicados encontrem a redenção da história sem precisar de um remake completo dos filmes.

Meu veredito é que, se você saiu do cinema com aquele sentimento de 'podia ter sido muito melhor', esse livro é leitura obrigatória. Ele não faz milagres, mas dá a dignidade que a Rey merecia e transforma a Leia na figura central de liderança que ela sempre deveria ter sido para a nova geração de Jedi.


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