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Steam Train Fest: Quando a simulação de trem é tão ruin quanto a vida real

Sabe aquele momento em que a Steam decide celebrar algo e você pensa: "Quem diabos teria hype por isso?". Pois é, rolou o Train Fest, um evento focado em ferrovias que trouxe descontos em títulos como Train Sim World 6, Victoria 3 e até o inusitado Thomas & Friends: Wonders of Sodor. Para muita gente, viajar de trem é aquele sonho romântico de ver a paisagem passar, mas para quem conhece a realidade, a experiência é bem mais próxima de um teste de paciência do que de um passeio turístico.

O lance aqui é que a gente costuma usar os games para escapar da realidade, certo? Mas o que acontece quando você paga por um simulador justamente para sentir a mesma frustração do seu dia a dia? É exatamente esse o paradoxo que encontramos no Train Sim World, especificamente na expansão Great Western Express. Em vez de nos dar um mundo utópico, a Dovetail Games resolveu recriar a jornada entre Reading e London Paddington, que para qualquer britânico é sinônimo de atrasos, vagões lotados e sanduíches superfaturados que custariam facilmente uns R$ 45,00 em uma estação.

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O nível de detalhamento da estação de Reading é absurdo, e é aí que o jogo começa a mexer com a sua cabeça. Você caminha pelos corredores e a disposição do lugar é perfeita, a ponto de você quase conseguir sentir o cheiro de massa assada vindo das lojas de pastéis da plataforma. É bizarro como um ambiente tão mundano e tedioso consegue ser replicado em 3D com tanta precisão no PC, transformando a espera por uma conexão atrasada em uma atividade de gameplay.

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Ao subir no trem, a sensação de "estou vivendo isso de novo" bate forte. Você passa pelo carrinho de buffet e a mente automaticamente projeta o cheiro de rolos de bacon reaquecidos no micro-ondas. O jogo permite que você seja apenas um passageiro, o que é um toque genial e cruel ao mesmo tempo. Você se vê procurando um lugar para sentar, lembrando de todas as vezes que teve que equilibrar a mala no corredor porque todos os assentos estavam reservados por algum erro do sistema.

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Se tem algo que poderia dar um buff na imersão, seria adicionar uma camada de sujeira nos assentos e alguns passageiros gritando ao telefone. No jogo, tudo parece um pouco limpo demais, quase higienizado, o que acaba tirando um pouco do realismo da "miséria" ferroviária. Mas, tirando esse polimento excessivo, a atmosfera é capturada com maestria. Ver a chuva batendo no vidro enquanto a paisagem cinzenta da Inglaterra passa lá fora é a definição pura de autenticidade britânica.

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Para quem curte a pegada de simuladores, o Train Sim World consegue entregar algo que poucos fazem: a banalidade. Você senta no seu assento, coloca um podcast para tocar e come um chocolate, exatamente como faria na vida real. Não há missões épicas, não há monstros para derrotar, apenas o som rítmico dos trilhos e a melancolia de saber que você está apenas se movendo de um ponto A para um ponto B em um sistema que raramente funciona como deveria.

Um ponto interessante é a transição para a primeira classe. Quando você decide mudar de vagão para fugir da multidão, bate aquele sentimento de impostor. Você sente que não pertence àquele lugar, que deveria estar no vagão padrão com a galera "real", sofrendo junto com o resto da humanidade. É essa camada psicológica que transforma um simples simulador de trens em uma experiência quase existencialista sobre classe social e transporte público.

No fim das contas, esse tipo de conteúdo nas Notícias de simuladores mostra que o gênero evoluiu. Não queremos mais apenas dirigir a máquina com precisão técnica de 60fps e 4K, queremos sentir a vibe do lugar. A Steam acertou em promover esses jogos, pois eles apelam para aquele prazer masoquista de reviver situações chatas, mas agora com a vantagem de que você pode dar Alt+F4 se o trem atrasar demais.

Meu veredito é que o Train Sim World é um exercício fascinante de anti-escapismo. Enquanto a maioria dos jogos tenta nos levar para Marte ou mundos de fantasia, este aqui nos joga de volta para a estação de trem mais chata do Reino Unido. Se você gosta de detalhes obsessivos e de sentir a melancolia de uma tarde chuvosa no PC, esse simulador é obrigatório, mesmo que ele te lembre que a vida real às vezes é um tédio absoluto.

É realmente impressionante como a indústria de jogos consegue transformar a frustração cotidiana em entretenimento. O Train Fest pode ter parecido nichado, mas ele prova que existe um público enorme que ama a precisão técnica, mesmo que essa precisão seja usada para simular o quanto um serviço de transporte pode ser medíocre. No fim, é sobre a beleza do comum e a estranha satisfação de ver o mundo real espelhado em pixels.

Links Úteis

* Steam Store - Category Trains * Twitter Jody Macgregor
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Site Oficial

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