Fala, galera! Vocês lembram daquela sensação de ver um filme do Steven Spielberg e sentir que o mundo estava expandindo? Pois é, o mestre voltou a mexer com alienígenas em Disclosure Day, e a gente aqui na redação já estava com o hype lá no teto. A premissa é aquele prato cheio para quem curte teorias da conspiração: um cara que rouba arquivos secretos provando que o governo esconde a visita de extraterrestres há décadas. É o tipo de história que a gente ama, com aquele clima de urgência e mistério que só o Spielberg sabe imprimir.
O filme coloca a gente na pele de Daniel Kellner (interpretado por Josh O'Connor), um especialista em cibersegurança que vira alvo de uma organização sombria após descobrir a verdade. No meio da fuga, ele encontra Margaret Fairchild (Emily Blunt), uma meteorologista com poderes empáticos bem doidos. O resultado é um longa excelente, com aquela vibe nostálgica que lembra clássicos como E.T. - O Extraterrestre e Contatos Imediatos do Terceiro Grau, mas que deixa um gosto de 'eu já vi isso em algum lugar' na boca de quem é fã de cultura pop raiz.

O problema — ou a beleza da coisa — é que não tem absolutamente nada em Disclosure Day que a gente não tenha visto antes na série The X-Files. Para quem não viveu a época ou não maratonou, The X-Files começou em 1993 na rede Fox e virou um fenômeno global. A série focava em dois agentes do FBI investigando o paranormal, e a dinâmica entre eles era o coração de tudo. De um lado, o Fox Mulder, aquele crente fervoroso em tudo que envolvesse alienígenas; do outro, a Dana Scully, a cética enviada para desmentir as loucuras do parceiro, mas que acaba acreditando na verdade.
Ao longo de suas 11 temporadas, a série dividia seus episódios entre o 'Monstro da Semana' e a 'Mitologia'. Era nessa parte da mitologia que a coisa ficava séria, focando na conspiração governamental para esconder a vida extraterrestre na Terra. É exatamente aqui que Disclosure Day bebe da fonte, quase fazendo um copy-paste dos arquétipos e da estrutura narrativa que a série consagrou nos anos 90.

Se a gente olhar bem, o Daniel Kellner é basicamente um Fox Mulder moderno. Embora um seja do FBI e o outro um expert em tech, a missão é a mesma: expor a verdade ao público custe o que custar. A diferença é que o Kellner foi radicalizado ao descobrir a conspiração, enquanto o Mulder tinha aquele trauma de infância com o sequestro da irmã. Esse toque pessoal do Mulder dá uma profundidade que faz o protagonista do filme do Spielberg parecer um pouco raso em comparação.
Até a Margaret Fairchild lembra a Dana Scully, apesar de ter uma personalidade mais 'avoada' no início. Ambas acabam se tornando peças fundamentais na engrenagem da conspiração alienígena. Sem dar spoilers pesados, a conexão da Fairchild com a linguagem alienígena ecoa muito a trajetória da Scully, que foi sequestrada na 2ª temporada de The X-Files, criando um arco de trauma e descoberta que moveu a série por anos.

E o que dizer dos vilões? Colin Firth entrega um antagonista clássico, com aquele ar de superioridade típico dos filmes do Spielberg, mas ele não chega nem perto do carisma maligno do Cigarette Smoking Man (William B. Davis). Aquele homem misterioso que fumava enquanto manipulava o destino da humanidade nas sombras é insuperável. Até o personagem de Colman Domingo em Disclosure Day, que é um desertor da conspiração, parece um buff do personagem Deep Throat das primeiras temporadas de The X-Files.
É claro que o filme é tecnicamente impecável. A direção é precisa, a atuação é sólida e o ritmo não deixa a gente piscar. Mas, para quem é veterano em ficção científica, a sensação é de que o Spielberg resolveu fazer um 'remix' de luxo de algo que já foi feito com perfeição. Não é que o filme tenha flopado, longe disso, ele é ótimo, mas falta aquele elemento disruptivo que faça a gente esquecer que o Mulder e a Scully já pavimentaram todo esse caminho.

No fim das contas, Disclosure Day é um entretenimento de primeira, mas serve mais como um lembrete do quanto The X-Files foi visionário. Ver as semelhanças de trama e personagens mostra que a fórmula da 'conspiração alienígena' é atemporal, mas que o original ainda detém a coroa. É aquele caso onde o sucessor é muito bom, mas o mestre do passado deixou a barra alta demais para ser superada apenas com efeitos visuais modernos e um elenco de peso.
Meu veredito é: assistam, porque é diversão garantida e cinema de alta qualidade. Mas não se enganem achando que estamos vendo algo totalmente novo. Estamos vendo a mitologia dos anos 90 vestindo roupas de 2026. É um tributo involuntário (ou talvez proposital) a uma das melhores séries de ficção científica de todos os tempos, e isso prova que, não importa o orçamento, algumas histórias são simplesmente intocáveis.



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