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Tarae: The Unbound desafia o domínio dos RPGs ocidentais com folclore asiático

A febre dos action RPGs com visão isométrica sempre foi dominada por nomes de peso como Diablo, que ditaram o ritmo do gênero por décadas. Durante a gamescom, porém, tive o privilégio de colocar as mãos em Tarae: The Unbound, uma aposta ousada do estúdio sul-coreano Boundary e publicada pela Krafton. O que me chamou a atenção de cara não foi apenas o sistema de combate familiar, mas a coragem da equipe em abandonar os castelos medievais europeus em favor de uma ambientação densa e ricamente inspirada no folclore do Leste Asiático dos séculos XV a XVII.

Para quem está acostumado com os sistemas robustos de PC e consoles, a sensação de familiaridade é imediata, mas o frescor visual é um tapa na cara. Enquanto estamos habituados a ver demônios clássicos e cavaleiros de armadura, Tarae: The Unbound entrega algo que parece ter saído diretamente de lendas ancestrais coreanas, chinesas e japonesas. É um banquete visual que se descola completamente da estética gótica saturada que vemos na concorrência.

Imagem Cena de Tarae The Unbound Developers 1

O feeling do combate é pesado, visceral e, como um bom fã de ARPG, posso dizer que o feedback dos ataques e a mobilidade com o botão de esquiva funcionam com uma precisão cirúrgica. Você tem a liberdade de ajustar a câmera para ter uma visão tática privilegiada do campo de batalha, o que é essencial quando hordas de inimigos começam a brotar na sua tela. O gerenciamento de loot e a árvore de habilidades não parecem apenas um "mais do mesmo", mas sim um sistema que dialoga com o contexto cultural proposto pela Boundary.

Falando em classes, o jogo entrega seis opções distintas, cada uma interpretando arquétipos orientais de forma única. Temos o Samurai, o Tiger Hunter (que mistura armas de fogo com armadilhas), e até a Manshin, uma xamã coreana que utiliza canalização espiritual como mecânica principal. Essa diversidade não é apenas cosmética; as mecânicas de gameplay mudam drasticamente entre um Warfiend e um Geomancer, garantindo que o fator replay seja alto, mesmo para quem não tem paciência de upar múltiplos personagens até o endgame.

Imagem Cena de Tarae The Unbound Developers 2

A narrativa é estruturada em seis atos, apresentando uma progressão linear focada na jornada, sem se perder na armadilha de mundos abertos vazios. O conceito de Yin e Yang permeia todo o design, inclusive no inovador sistema de deuses. São oito divindades que podem ser tanto bênçãos quanto maldições durante a jornada, forçando o jogador a adaptar o build constantemente. Isso adiciona uma camada estratégica que eleva o nível de dificuldade, algo que muitos jogadores que buscam um desafio real certamente vão agradecer.

Além de todo o sistema de combate, o jogo aposta pesado em um bestiário vasto e boss fights memoráveis. São mais de 80 chefes disponíveis no lançamento, uma contagem que coloca muitos títulos grandes no chinelo. A cosmologia budista serve como a espinha dorsal dessa experiência, dividida entre seis reinos de renascimento. Cruzar essas fronteiras no endgame promete ser um desafio de alto nível, exigindo que você domine cada detalhe do seu personagem.

Imagem Cena de Tarae The Unbound Developers 3

A transição da visão ocidental para a proposta da Boundary mostra que o mercado de RPGs de ação está finalmente pronto para explorar novas mitologias. Se a Krafton conseguir sustentar esse hype e manter a qualidade técnica que vi na demo, não duvido que o jogo se torne um novo patamar de referência para o gênero.

É claro que o desafio de desbancar gigantes estabelecidos é imenso. Muitos jogadores investiram milhares de horas e até fortunas em outros títulos de mercado, e mudar de ares exige um custo-benefício que justifique a migração. No entanto, o que está posto aqui é uma qualidade de produção que poucas vezes vemos fora das grandes empresas consolidadas.

Imagem Cena de Tarae The Unbound Developers 4

Meu veredito, após o contato direto com o protótipo, é que estamos diante de uma das surpresas mais agradáveis dos últimos anos. Se você estava sentindo falta de um tempero diferente em seus jogos de ação e cansou da fórmula medieval cansada, este projeto merece sua total atenção. Agora é esperar para ver se o conteúdo final mantém o nível de polimento que presenciei e se o sistema de balanceamento não sofrerá algum nerf desnecessário antes da chegada oficial.

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* Twitter de Wesley Yin-Poole

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