
Sabe aquela sensação de que a escola tentou matar a nossa curiosidade por história com livros chatos e datas decoradas? Eu era exatamente esse moleque que queria ignorar o passado para focar em tecnologia futurista e viagens na velocidade da luz. Mas a real é que, se eu tivesse tido algo como The Adventures of Elliot: The Millennium Tales na mão naquela época, eu provavelmente estaria tentando decifrar cada pergaminho antigo para achar um item secreto. A premissa aqui é simples e certeira: quem não gostaria de explorar o passado enquanto fatia hordas de monstros em uma versão fantástica e maluca de Filadélfia?
O jogo é um clássico action-adventure com visão superior que não tenta esconder suas influências. Dá para sentir claramente o tempero de Zelda na exploração, uma pitada de Ys na velocidade do combate e aquele toque nostálgico da série Gaia da Quintet. A gente viaja no tempo para desbravar a cidade mágica de Philabieldia, que, apesar do nome parecido com a cidade americana, é um lugar totalmente místico. Tudo isso é embalado naquele estilo HD-2D da Square Enix que, sinceramente, atingiu o ápice da perfeição técnica aqui, deixando o visual absurdamente polido.

Agora, a gente precisa falar da Faie. Ela é aquela fadinha azul que não cala a boca por um segundo sequer. No começo, a experiência é quase torturante, porque ela parece aquele YouTuber de react que não para de comentar cada detalhe irrelevante da tela. Ela te elogia depois de cada luta idiota e te entrega a solução de puzzles de empurrar bloco antes mesmo de você pensar em como resolvê-los. O problema é que isso vem ativado por padrão, o que beira o insuportável para quem gosta de descobrir as coisas sozinho. Felizmente, existe uma opção escondida nos menus para diminuir esse falatório, transformando a Faie de um pesadelo auditivo em uma companheira otimista e charmosa.

Mas não ache que a Faie serve apenas para encher o saco. Ela é, na verdade, o maior diferencial mecânico que a Square Enix e a Claytechworks trouxeram para a fórmula. A fadinha possui habilidades que permitem que você trapaceie o sistema de formas geniais. Eu consegui transformá-la em um dublê para limpar salas cheias de monstros enquanto eu ficava seguro em outro cômodo, ou usei seus poderes de warp para pular seções inteiras de dungeons. Controlar a Faie com o analógico direito pode ser um pouco caótico e me deixou com as mãos em posição de garra no controle, mas a satisfação de arremessar um elefante malvado contra um tornado criado por ela é impagável.

Se você espera um JRPG lento e contemplativo, esqueça. The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é pura adrenalina. A trilha sonora é carregada de guitarras elétricas que combinam perfeitamente com o ritmo de pular pedras afundando em lava e enfrentar seis monstros simultaneamente assim que você entra em uma sala. Em seus melhores momentos, o jogo é um passeio de alta octanagem. Os chefes são verdadeiras obras de arte em pixel art, exigindo reflexos rápidos para dashar, pular e dar parry em um balé de violência que lembra muito a agilidade de Ys.

No lado técnico, o jogo é bem honesto. Não espere um monte de opções gráficas complexas, mas os sliders de resolução e as configurações de profundidade de campo dão conta do recado. Rodando em um PC com uma RTX 3060 Ti e um i7-13700F, o game manteve constantes 120 fps, o que é essencial para quem não quer morrer por causa de um stuttering no meio de um combate frenético. Além disso, o fato de ser Steam Deck Verified é um ponto altíssimo, já que esse estilo de gameplay combina perfeitamente com o portátil da Valve.
O preço de lançamento é de $60 (cerca de R$ 330), o que pode parecer salgado para um jogo que aposta na brevidade, mas a paixão colocada em cada detalhe justifica o investimento. Lançado em 18 de junho de 2026, o título prova que a Square Enix sabe exatamente como modernizar fórmulas antigas sem tirar a alma do gênero. Não houve nenhum flop aqui; pelo contrário, é um sopro de ar fresco em um mercado saturado de mundos abertos vazios e repetitivos.
No fim das contas, The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é aquele tipo de jogo que te lembra por que a gente começou a jogar videogame. Ele não tenta reinventar a roda, mas polir a roda até ela brilhar tanto que cega o jogador. A combinação de combate visceral, visuais impecáveis e a dinâmica com a Faie cria uma experiência memorável que deixa aquele gostinho de "quero mais" logo após os créditos rolarem.
Se você curte a pegada de exploração clássica com um ritmo moderno e não se importa de lidar com uma fada falante, esse jogo é obrigatório. É uma prova de que menos pode ser mais, desde que cada minuto de gameplay seja denso e divertido. Preparem as espadas e ajustem o volume da fadinha, porque Philabieldia está esperando por vocês.


💬 Comentários da Comunidade
Carregando comentários...