Se você acha que todo jogo de detetive precisa ser aquele negócio sombrio, com chuva caindo e protagonista depressivo, The Mermaid Mask chegou para chutar essa ideia para longe. Enquanto a gente vê títulos como The Incident at Galley House mergulhando fundo no luto e no trauma, a SFB Games decidiu seguir pelo caminho oposto, entregando uma experiência que é, basicamente, um circo de crimes. É aquele tipo de jogo que não tem medo de ser ridículo, e é justamente aí que ele acerta em cheio, transformando a investigação em uma comédia de erros deliciosa.
Para quem não lembra, a SFB Games já tinha dado as caras com o excelente Tangle Tower lá em 2019, mas agora eles elevaram o nível do deboche. O hype em torno do título não é exagero da galera; o jogo está com notas altíssimas no Opencritic e ostenta aquele selo de Overwhelmingly Positive na Steam, o que já diz tudo sobre a recepção do público. A trama nos joga dentro de um submarino lotado de gente excêntrica, onde o clima de tensão é constantemente quebrado por piadas ácidas e situações absurdas, tornando a gameplay extremamente fluida no PC.

O coração do jogo é a química entre o Detective Grimoire, que tenta manter a pose de Sherlock Holmes mas é constantemente desestabilizado, e a sua parceira Sally, que é a definição de sarcasmo em forma de personagem. Os dois passam o tempo todo tentando superar um ao outro no insulto, e essa dinâmica é o que carrega a narrativa mesmo quando a história começa a dar voltas. É impossível não se sentir parte do time enquanto eles tentam desvendar quem matou o capitão em um ambiente tão claustrofóbico e bizarro.

Tudo começa com a cena do crime mais estranha possível: o Captain Mortuga morto ao lado de um caldeirão aberto e cheio de marcas de arranhões. Parece roteiro de filme B de terror, mas a abordagem aqui é puramente cômica, tratando a brutalidade do assassinato como apenas mais um obstáculo para a paciência do Detective Grimoire. A exploração do cenário é feita no melhor estilo point-and-click, onde cada objeto clicável revela mais sobre a loucura daquela tripulação.

O elenco de suspeitos é onde o jogo realmente brilha, com personagens que parecem ter sido criados durante um surto coletivo. Temos o Dirk Dansom, um típico 'himbo' de Hollywood que está no submarino apenas para pesquisar um papel, trazendo aquela energia de quem não sabe onde está, mas está feliz por estar lá. A dublagem é impecável e o timing cômico transforma cada interrogatório em um duelo de egos que faz a gente rir alto.

Depois do astro de cinema, encontramos o Godrik Gripp, um vendedor bizarro que carrega um fantoche de bengala para todo lado. A interação com ele é um teste de paciência para os detetives, mas é essencial para montar o quebra-cabeça da trama. A SFB Games conseguiu criar arquétipos que, no papel, seriam irritantes, mas que dentro do contexto do jogo se tornam carismáticos e indispensáveis para a atmosfera de caos.

Para fechar o trio de malucos, temos o Symmetry Silkmoth, um ilusionista melodramático que transforma cada fala em um espetáculo teatral. Ele serve como o contraponto perfeito para o cinismo da Sally, criando diálogos que são verdadeiras pérolas da comédia. A forma como o jogo utiliza esses personagens para esconder pistas reais sob camadas de excentricidade é genial e mantém o jogador engajado na investigação.
No quesito gameplay, os puzzles são tátilmente satisfatórios e lembram muito a pegada de Professor Layton. Não são apenas 'clique aqui e ache o item', mas sim enigmas que exigem que você realmente observe o cenário e conecte os pontos. A estrutura de point-and-click é usada com maestria, transformando o submarino em um imenso brinquedo cheio de segredos e compartimentos ocultos que expandem a lore do mundo.
Se tem algo que pode ser criticado, é que o ritmo do jogo sofre um pouco na reta final. O roteiro constrói tantas subtramas e segredos complexos que, quando chega a hora de amarrar as pontas, a conclusão parece se arrastar um pouco, quase como se o jogo estivesse 'secando' antes do final. Mesmo assim, isso não tira o brilho da jornada, pois a diversão de interagir com esse elenco compensa qualquer queda de ritmo no último ato.
No fim das contas, The Mermaid Mask resgata aquele espírito anárquico e engraçado de clássicos como The Secret of Monkey Island, provando que mistérios de assassinato podem ser divertidos sem perder a profundidade. É um jogo que não se leva a sério, mas que leva a sério a qualidade do seu design e da sua escrita, resultando em uma experiência refrescante para quem está cansado de fórmulas repetitivas de Reviews de jogos de investigação.
Se você quer algo para relaxar no fim de semana e dar umas risadas enquanto exercita o cérebro, esse título é a escolha certa. Para fechar com chave de ouro, recomendo fortemente jogar ao lado de Paranormasight: The Mermaid's Curse para ter aquele combo náutico perfeito. O veredito é simples: o jogo é um sucesso absoluto que prova que a comédia é a melhor ferramenta para desvendar crimes impossíveis.



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