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The Odyssey e a Treta do IMAX: Você Realmente Precisa do Formato Caro?

Se existe alguém no cinema atual que consegue criar um hype quase religioso em torno de especificações técnicas, esse alguém é o Christopher Nolan. O cara não faz apenas filmes; ele monta verdadeiras operações de guerra para garantir que a imagem seja a mais imponente possível. Para quem curte acompanhar as Notícias de cinema com a mesma intensidade de um lançamento de AAA, a chegada de The Odyssey trouxe aquele debate clássico: ou você assiste do jeito 'certo', ou você está apenas vendo metade da obra.

Essa mística do formato ideal acaba criando uma pressão desnecessária no público, quase como se houvesse um gatekeeping visual. A ideia de que você só terá a experiência real se estiver em uma sala específica, com um projetor caríssimo, transforma a ida ao cinema em uma missão de sobrevivência. Mas a real é que a gente não pode deixar que o medo de estar perdendo algo — o famoso FOMO — estrague o prazer simples de consumir uma história bem contada na tela grande.

Capa de Cena de The best place to 1

O Christopher Nolan é categórico ao dizer que o IMAX 70mm é a única forma ideal de experienciar The Odyssey. Ele investiu uma fortuna e passou por um trabalhão absurdo filmando com câmeras gigantes e barulhentas para conseguir aquela proporção de tela mais quadrada e alta, que dá uma sensação de magnitude absurda. É inegável que o cara conseguiu, quase sozinho, fazer a galera se empolgar com a projeção em película novamente, algo que parecia ter flopado completamente na era do digital.

Capa de Cena de The best place to 2

O problema é que a demanda por essas salas é insana e a oferta é ridícula. Imagine morar em uma metrópole como Londres e, mesmo assim, encontrar todas as sessões de IMAX 70mm esgotadas até setembro. É aí que a expectativa bate e você começa a se sentir mal por não ter conseguido um ingresso no segundo em que as vendas abriram. Essa escassez transforma a obra de arte em um artigo de luxo, onde apenas os mais rápidos ou os mais sortudos conseguem o 'selo de autenticidade' do formato original.

Capa de Cena de The best place to 3

Foi justamente por isso que decidi chutar o balde e ir em uma sessão digital comum, no cinema do bairro. E quer saber? Foi sensacional. Enquanto as salas de IMAX às vezes parecem apertadas, o cinema local tinha poltronas com um espaço para as pernas que faria qualquer gamer invejar sua cadeira no PC. Para um filme de três horas, o conforto físico é um buff essencial que muita gente ignora enquanto briga por pixels extras na tela.

Capa de Cena de The best place to 4

Existem diversas opções intermediárias, como o Dolby Vision, o 35mm ou o genérico Premium Large Format, mas a quantidade de razões de aspecto disponíveis chega a ser confusa. O site oficial do filme até tem vídeos do elenco tentando convencer você a escolher cada formato, com o Robert Pattinson defendendo o 35mm. No fim das contas, tanta opção acaba gerando mais frustração do que prazer, fazendo a gente questionar se a simplicidade do digital não seria o caminho mais inteligente.

Tem muita gente na internet, aqueles típicos 'film bros', chorando que a imagem no digital é inferior por causa da proporção 2.39:1. Sim, é verdade que o formato widescreen tem um feeling diferente e algumas cenas podem parecer levemente cortadas verticalmente se você for um maníaco por detalhes. Mas, sendo honesto, a fidelidade e a nitidez da imagem capturada pelas câmeras IMAX ainda brilham intensamente mesmo após a transferência para o digital.

O mérito aqui vai para a composição de Christopher Nolan e a cinematografia de Hoyte van Hoytema. Eles trabalharam cada frame para que a imagem funcionasse bem em múltiplos formatos, quase como os diretores antigos faziam para que o filme ficasse bom tanto no cinema quanto nas TVs de tubo. As cores estão impecáveis e a composição visual é tão forte que o impacto emocional não se perde, independentemente do tamanho da tela.

No fim do dia, o que importa é a história e a imersão. Não deixe que a elite do cinema tente te convencer de que sua experiência foi 'pobre' só porque você não pagou um valor exorbitante em um ingresso raro. Assistir a The Odyssey em uma sala confortável, perto de casa e com a companhia de quem você gosta vale muito mais do que qualquer especificação técnica de projetor.

O cinema deve ser sobre acessibilidade e emoção, não sobre quem tem o setup mais caro. Se você tiver a chance de ver em IMAX 70mm, ótimo, aproveite cada segundo. Mas se a única opção for a tela digital do cinema da esquina, vá sem medo. O filme é potente o suficiente para te conquistar em qualquer formato, e a arte sobrevive ao corte da imagem.

The Odyssey
Site Oficial

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