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The Sinking City 2 troca investigação complexa por terror de sobrevivência visceral

Se você curtiu o primeiro jogo lançado em 2019, prepare-se porque a Frogwares resolveu chutar o balde na sequência. O estúdio, que já é mestre em jogos de detetive como Sherlock Holmes, resolveu dar um giro de 180 graus na pegada de The Sinking City 2. Aquele clima de 'estou tentando resolver um mistério enquanto meu personagem enlouquece' ainda está lá, mas agora a prioridade é a sobrevivência pura e simples, deixando de lado aquela parte mais densa de dedução para focar no medo visceral.

Sendo bem sincero, é uma aposta arriscada pra caramba. Quem jogou o original gostava justamente desse lado mais 'estudioso' da investigação, mas a galera aqui da redação viu que o jogo agora abraça totalmente o gênero survival horror. A mudança de cenário de Oakmont para a icônica Arkham traz um frescor necessário, e a troca de protagonista pelo detetive paranormal Calvin Rafferty parece dar um novo fôlego para a narrativa, mesmo que a gente ainda esteja tentando entender se essa troca de foco não vai fazer o jogo flopar com os fãs mais hardcore.

Visualmente, o jogo é um absurdo de lindo, não tem como negar. Desde o primeiro momento em que você avista o skyline de Arkham, com seus outdoors da década de 1920, prédios brownstone e aquelas linhas de trem elevadas, você sente o peso da atmosfera. É um cenário decadente e úmido, onde você navega por ruas inundadas com um barquinho bem simples, vendo a cidade desmoronar ao seu redor enquanto o clima de opressão aumenta.

Imagem Cena de <strong>The Sinking City 2</strong> 1

A história nos joga direto no caos, começando com uma visita à Universidade Miskatonic. O objetivo do Calvin Rafferty é encontrar um rito antigo que possa despertar sua amante de um sono eterno, o que dá aquele tom melancólico e desesperador típico de Lovecraft. O jogo usa muito bem os detalhes de época, desde rádios de válvula até lobbies em estilo art déco, criando um contraste bizarro com as forças cósmicas que estão destruindo tudo.

Imagem Cena de <strong>The Sinking City 2</strong> 2

No começo, você pode ter a impressão de que a exploração semi-aberta do anterior voltou, mas é cilada. O ritmo é bem mais linear e focado agora. Você navega pelas águas amaldiçoadas de Arkham até bater em um impasse, e é aí que o jogo vira a chave para o terror de sobrevivência. A partir desse momento, é basicamente você contra o escuro, vasculhando interiores sombrios e ruas sob chuva em busca de itens clássicos do gênero, como fusíveis, engrenagens e chaves para abrir portas.

Imagem Cena de <strong>The Sinking City 2</strong> 3

Sobre a parte de investigação, ela foi pesadamente nerfada. Ainda existem puzzles, como encontrar sequências de glifos ou deduzir senhas de cadeados, mas é tudo muito superficial. Não espere quebrar a cabeça por horas como nos jogos de detetive puros; aqui a dedução serve apenas para manter o fluxo da ação. O foco total está no combate, e para quem acompanha as Notícias de games, sabe que a Frogwares sempre sofreu para entregar lutas satisfatórias, mas parece que finalmente acertaram a mão.

Imagem Cena de <strong>The Sinking City 2</strong> 4

O gunplay agora é responsivo, com mecânicas de focar a mira, ataques de pisada quando o inimigo cai e esquivas rápidas para não ser engolido. Os monstros de Arkham são bizarros: cadáveres reanimados por vermes e horrores aracnídeos que não param quietos. Eles avançam, recuam e saltam, forçando você a gerenciar cada bala com extremo cuidado para não ficar na mão na hora do aperto.

Para completar o pacote de tensão, o inventário é minúsculo e os recursos são escassos. Você vai passar boa parte do tempo contando cada item de cura e munição, o que gera aquele estresse gostoso de quem curte um jogo de terror raiz. Se você pretende jogar no PC via Steam, já prepara o psicológico porque a escassez de recursos aqui não perdoa ninguém.

No fim das contas, The Sinking City 2 é um jogo com crise de identidade ou uma evolução corajosa? Eu ainda não tenho a resposta definitiva, mas depois de algumas horas, a adrenalina do combate está vencendo a saudade da investigação complexa. É um jogo que prefere te assustar com um monstro pulando na sua cara do que te fazer pensar por meia hora sobre uma pista.

Se a Frogwares conseguir manter esse nível de polimento e tensão até o final, teremos um dos melhores sucessores de atmosfera do ano. Só espero que a história não seja sacrificada em nome da ação, porque o charme de Lovecraft está justamente no mistério do desconhecido e não apenas em atirar em tentáculos.

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* Trailer Oficial de The Sinking City 2
The Sinking City 2
Site Oficial

The Sinking City 2

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