Sinceramente, eu saí do cinema em 2019 sentindo que tinham passado a perna na gente. Assistir a Toy Story 4 foi, para mim, quase uma traição; eu me senti mal pela Bonnie ter negligenciado o Woody, senti que o Woody abandonou a galera por um romance que parecia forçado e, principalmente, achei que a Pixar tinha caído na armadilha do cashgrab, tentando espremer dinheiro de uma história que já tinha o final perfeito no terceiro filme. Era aquele sentimento clássico de quando a gente vê um jogo favorito ganhar uma sequência desnecessária que só serve para estragar o legado.
Mas galera, preparem o lenço porque Toy Story 5, lançado em junho de 2026, chegou para consertar a bagunça e mudar completamente a minha mentalidade. Não vou mentir e dizer que ele atinge o nível divino dos três primeiros, mas é uma entrada pensada, engraçada e visceralmente emocionante que melhora o quarto filme em absolutamente tudo. A sensação agora é a oposta: eu saí da sessão sentindo que a franquia finalmente voltou para o caminho certo e, pela primeira vez em anos, não tenho mais medo de que façam novos filmes da série.
Nessa nova aventura, a Bonnie já está com oito anos e a real é que ela é uma criança bem solitária. Enquanto a molecada da idade dela só quer saber de telas e dispositivos eletrônicos, ela ainda ama seus brinquedos, mas se sente deslocada nesse mundo digital. Para tentar ajudar, os pais dão a ela um "Lilypad", um dispositivo tecnológico que, quase instantaneamente, vira a obsessão da menina, deixando os brinquedos em uma situação deplorável de esquecimento e ressentimento.
A grande sacada aqui é a mudança de protagonismo. Em vez de focarmos no Woody como sempre fizemos, a liderança agora cai no colo da Jessie. E olha, isso funciona demais! Tirando o Woody, a Jessie é a única personagem com a profundidade emocional necessária para carregar um filme inteiro nas costas. O diretor Andrew Stanton deixa isso claro logo de cara com um flashback devastador da Jessie com sua primeira dona, a Emily, resgatando aquela vibe melancólica de Toy Story 2 com uma versão instrumental de "When Somebody Loved Me" que acaba com qualquer um.
Se você analisar bem, Toy Story 5 é quase uma sequência direta do segundo filme, pois mergulha fundo nos traumas de abandono da Jessie e explora isso de uma forma muito mais madura. A narrativa consegue equilibrar a dor da personagem com a nova dinâmica da casa, transformando o filme em algo muito mais do que apenas "mais um filme de brinquedos falando". É um estudo sobre a substituição do afeto físico pelo digital, algo que bate forte em qualquer um de nós que viu o hype dos consoles e celulares engolir as brincadeiras de rua.
E claro, o retorno do Woody é o momento que todo mundo estava esperando. Ele passou os últimos anos como um "brinquedo perdido" aventureiro ao lado da Bo Peep, ajudando outros brinquedos na natureza, mas a forma como ele retorna para o grupo é genial na sua simplicidade. A Jessie simplesmente usa um walkie-talkie e pronto, eles estão em contato. Para quem odiou o final do quarto filme, onde o Woody basicamente rompeu com a gangue, isso aqui é um bálsamo. A Pixar basicamente nerfou o peso dramático daquela separação, e eu digo: AMÉM! Se for para desfazer aquele final ruim, podem desfazê-lo do jeito que quiserem.
Outro ponto positivo é como a Bonnie foi retratada. No filme anterior, ela parecia quase cruel por não cuidar do Woody, mas aqui ela é vista como uma criança imaginativa que só quer um amigo. O dispositivo eletrônico, dublado pela Greta Lee, serve como o antagonista perfeito, pois não é um vilão malvado, mas sim uma distração que rouba a essência da infância. É aquele tipo de roteiro que serve tanto para a criança que está assistindo quanto para o adulto que já sente saudades de quando o único "gadget" era um boneco de plástico.
Agora, nem tudo é perfeito e eu preciso dar o meu pitaco na parte que flopou. Assim como aconteceu no quarto filme, os personagens secundários do elenco original — como o Slinky, o Hamm e os Potato Heads — continuam sendo tratados como figurantes de luxo. Eles ganham um pouco mais de tempo de tela do que antes, mas ainda dá a sensação de que foram esquecidos em algum canto do quarto. É frustrante, porque a gente quer ver a interação de todo o grupo original, mas parece que a Pixar não sabe mais como gerenciar tantos personagens sem deixar alguns no banco de reservas.
Mesmo com esse problema com o elenco de apoio, a qualidade técnica continua impecável. A animação está absurda e a direção do Andrew Stanton traz um ritmo que flui naturalmente, sem aquelas barrigas cansativas que vimos em outras produções recentes do estúdio. O filme consegue ser engraçado sem forçar a barra e emocionante sem ser manipulativo, provando que a Pixar ainda sabe como contar histórias que tocam a alma quando decide parar de focar apenas no lucro.
No fim das contas, Toy Story 5 é a redenção que a gente precisava. Ele não apaga a existência do quarto filme, mas coloca as peças no lugar e devolve a dignidade aos personagens que a gente ama desde a infância. É um filme honesto, que respeita o legado da série e, mais importante, nos deixa confortáveis com a ideia de que esse universo ainda tem lenha para queimar sem precisar destruir o que já foi construído.
Meu veredito é que você DEVE assistir. Se você, assim como eu, saiu do último filme com um gosto amargo na boca, esse novo capítulo é o antídoto perfeito. A Pixar finalmente lembrou que o segredo de Toy Story nunca foi sobre onde os brinquedos estão, mas sobre quem eles amam e quem os ama de volta. Pode preparar a pipoca, porque a era de ouro voltou!
Você acha que a Pixar acertou em trazer o Woody de volta ou a franquia já deveria ter acabado no terceiro filme? Deixe sua opinião nos comentários!