Cara, vamos ser sinceros aqui: quem nunca quis pegar uma picareta, vestir um chapéu ridículo e sair cavando buracos em um mapa gigantesco? A premissa de Return to Moria é aquele tipo de hype que mexe com qualquer fã de Tolkien, prometendo a chance de retomar a ancestral morada dos anões. Mas, na prática, a gente sabe que 'retomar a casa' em Middle-earth nunca é algo tranquilo, e esse jogo leva esse conceito de caos a um nível quase cômico.
O negócio é o seguinte: você não chega lá, bate um tapete e começa a decorar a sala. Você é jogado em um ambiente onde a sobrevivência é a lei e a mineração é a sua única religião. A experiência no PC via Steam entrega aquela sensação de claustrofobia deliciosa, onde cada túnel escavado pode ser a diferença entre encontrar um tesouro lendário ou dar de cara com algo que vai te mandar de volta para o checkpoint num piscar de olhos.
A mecânica de sobrevivência tenta equilibrar o gerenciamento de recursos com a exploração, mas vamos combinar que tem hora que o grind fica pesado. Você precisa de comida, luz e, principalmente, de muita paciência para não deixar a base virar um amontoado de pedras sem sentido. Se você joga sozinho, a solidão das profundezas bate forte, mas quando você chama a galera no co-op, o jogo vira quase um simulador de confusão organizada, onde metade do grupo está minerando e a outra metade está morrendo para um goblin perdido.
E por falar em perigos, a ironia do título "This is fine" (Tudo bem) é perfeita. Imagina você lá, tentando montar sua forja, e de repente percebe que tem um dragão roxo gigante espalhando magia de sombra por todo lado. É aquele momento clássico de gamer onde você olha para o lado e pensa: "Beleza, eu só queria minerar um pouco de ferro, por que tem um monstro colossal tentando apagar a luz da minha vida?".
Os inimigos, como os Orcs e Goblins, não dão descanso. Eles infestam as cidades e as passagens, tornando a reconquista de Moria um verdadeiro pesadelo logístico. O combate não é a coisa mais fluida do mundo — às vezes parece que as animações sofreram um nerf na agilidade — mas a satisfação de limpar uma área infestada e finalmente conseguir colocar um banco para descansar é impagável. A atmosfera é densa, e o design de som faz você sentir que tem algo te observando nas sombras o tempo todo.
Um ponto alto é a interação com personagens icônicos. Ver o Gimli aparecendo para dar aquele empurrão na história traz um peso emocional que ajuda a justificar todo o sofrimento de carregar pedra de um lado para o outro. Ele é a bússola moral (e a motivação anã) que impede que a gente simplesmente desista de tudo e decida morar na superfície, onde não existem aranhas gigantes querendo comer a gente no café da manhã.
Tecnicamente, o jogo tenta entregar um visual honesto. No PS5 e no Xbox Series X, a resolução em 4K e a meta de 60fps ajudam a manter a imersão, mas não vamos fingir que o jogo é a oitava maravilha do mundo gráfico. Existem texturas que deixam a desejar e alguns bugs de colisão que fazem você atravessar a parede e cair no limbo, o que, convenhamos, é quase um ritual de passagem em qualquer jogo de sobrevivência moderno.
Se você está esperando um RPG de ação frenético, esse título pode acabar flopando nas suas expectativas. Return to Moria é um jogo de ritmo lento, focado na construção e na paciência. É para quem gosta de planejar cada centímetro da base e sentir a progressão gradual de sair de uma picareta de pedra para ferramentas de elite. Se você não curte esse estilo de jogo, vai achar a experiência arrastada e repetitiva.
No fim das contas, a experiência é como tentar montar um móvel da IKEA enquanto a casa está pegando fogo: é estressante, confuso, mas você sente um orgulho imenso quando termina. A mistura de elementos de sandbox com a lore riquíssima de The Lord of the Rings cria um nicho interessante, mesmo que o jogo não consiga ser perfeito em todos os seus sistemas.
Meu veredito é que Return to Moria é um prato cheio para quem ama o universo de Tolkien e não se importa em passar horas cavando. Não é um jogo para todo mundo, e certamente não é para quem tem pressa. Mas, se você tiver um grupo de amigos dispostos a sofrer juntos nas minas, a diversão é garantida, principalmente quando vocês percebem que a situação está completamente fora de controle e decidem que "está tudo bem".
É um título que prova que, às vezes, o prazer do jogo não está em vencer rapidamente, mas em sobreviver ao caos absoluto com um sorriso no rosto (e muita barba no queixo). Se você aguenta o tranco do grind e ama a estética anã, vale a pena conferir, mesmo que você termine a jornada com um trauma leve de aranhas e dragões roxos.
E você, teria paciência para minerar por horas em Moria ou desistiria na primeira horda de orcs? Deixe sua opinião nos comentários!