Sabe aquele tipo de filme que deixa você se perguntando se o personagem principal está tendo um surto psicótico ou se o mundo realmente é controlado por uma elite secreta que esconde mensagens em caixas de cereal? Pois é, cara, é exatamente essa a vibe de Under the Silver Lake. Se você curte aquela sensação de paranoia total, onde cada detalhe irrelevante parece ser a peça chave de um quebra-cabeça colossal, esse filme é obrigatório. O problema é que a Netflix resolveu dar um nerf no nosso catálogo e a obra vai embora no dia 5 de julho, então corre pra assistir antes que vire lenda urbana.
Dirigido por David Robert Mitchell — o mesmo gênio por trás do terror psicológico It Follows — o longa é uma comédia ácida e surrealista que brinca com todos os clichês de thrillers de conspiração. A trama gira em torno de Sam, interpretado por um Andrew Garfield que entrega tudo na atuação, fazendo o papel de um cara de 30 e poucos anos totalmente sem rumo na vida, morando em Los Angeles e prestes a ser despejado. Mas, em vez de procurar um emprego ou pagar o aluguel, o Sam decide que sua missão de vida é decifrar códigos secretos espalhados pela cidade.

Tudo começa a desandar quando ele conhece a vizinha Sarah, interpretada pela Riley Keough, que some do mapa misteriosamente. Para piorar, um bilionário chamado Jefferson Sevence também desaparece na mesma época. É aí que o Sam entra no modo detetive amador e entrar a fundo em um buraco de coelho sem fundo. Ele começa a ligar pontos que não fazem sentido nenhum, convencido de que Hollywood esconde um submundo podre e cheio de mensagens subliminares que estão bem na nossa cara, mas que só quem é "iluminado" (ou completamente maluco) consegue ver.

O que torna Under the Silver Lake genial é como ele satiriza a obsessão moderna por teorias da conspiração. O filme não tenta ser um mistério tradicional onde tudo se resolve com uma explicação lógica no final; ele prefere abraçar o absurdo. A estética lembra muito as pirações do David Lynch em clássicos como Lost Highway e Mulholland Drive, criando aquela atmosfera onírica onde você nunca sabe se o que está vendo é real ou apenas fruto da imaginação do protagonista. É um passeio bizarro por Los Angeles que transforma a cidade em um tabuleiro de jogo gigante e sem regras claras.

Tem momentos que o filme viaja legal, e é aí que muita gente critica, dizendo que a jornada do Sam é longa demais ou pretensiosa. Mas, para nós aqui da Gamer Elite, isso é justamente o charme da coisa. Ver o cara vasculhando edições antigas da Playboy e revistas da Nintendo Power para resolver equações matemáticas e achar coordenadas geográficas é puro suco de cultura pop. É aquela sensação de quando a gente tenta achar um easter egg escondido em um mapa gigante de Open World e acaba gastando três horas procurando algo que talvez nem exista, só pelo prazer da caça.

A A24, que já é mestre em lançar coisas estranhas e disruptivas, acertou em cheio na produção. O filme consegue ser engraçado e angustiante ao mesmo tempo, mostrando a crise existencial de um homem que tenta forçar um sentido para o universo porque a própria vida dele não faz sentido nenhum. É quase como se o Sam estivesse tentando "hackear" a realidade para não ter que encarar que ele é apenas mais um cara frustrado em uma cidade superficial.
Se você gosta de filmes que não entregam tudo mastigado e que exigem que você aceite o caos, esse longa é para você. Ele não é para todo mundo — tem gente que vai achar que o filme flopou na narrativa por ser meandering demais — mas para quem curte cinema experimental com uma pitada de ironia, é uma obra-prima do estranhamento. É o tipo de filme que você termina de assistir e precisa passar uns trinta minutos no Reddit tentando entender o que diabos aconteceu.

No fim das contas, Under the Silver Lake é mais do que um filme sobre sumiços e códigos; é um espelho da nossa própria necessidade de encontrar padrões onde só existe aleatoriedade. O Andrew Garfield carrega o filme nas costas com uma energia caótica que encaixa perfeitamente na proposta. Então, fica o aviso: não deixa para depois. Se você ainda não viu, bota no seu cronograma agora mesmo, porque depois do dia 5 de julho, você vai ter que caçar esse filme em alguma plataforma de aluguel ou esperar que ele apareça em algum site de nicho.



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