Cara, a gente sempre teve aquela ideia de que o PC era a terra prometida da liberdade, né? Onde você podia instalar qualquer mod maluco ou jogar aquela indie experimental que não passaria nem perto de um console da Nintendo. Mas a real é que nem tudo são flores, e a Steam, que a gente ama e usa pra tudo, tá começando a mostrar uma cara bem complicada quando o assunto é curadoria e censura de conteúdo adulto.
Recentemente, o desenvolvedor indie Robert Yang soltou o verbo contra a Valve, e o papo é reto: ele sente que a empresa está simplesmente ignorando a nuance artística para seguir a cartilha do politicamente correto ou a pressão de grupos conservadores. O foco da treta é o Radiator Forever, um bundle gratuito que reúne vários jogos experimentais do Yang, focados em temas LGBTQIA+ e sexualidade, que acabaram caindo no limbo da plataforma.

Para quem não conhece, o Radiator Forever não é só um jogo, mas uma coleção de experiências curtas e intensas. Tem coisas como Hurt Me Plenty, que lida com consentimento e negociação, e o peculiar Stick Shift, que envolve prazer autoerótico enquanto você dirige um carro gay. Pode parecer bizarro para alguns, mas é arte experimental, e o problema começa quando a Valve decide que isso não pode ser visto por qualquer pessoa.
O que aconteceu foi o seguinte: a Valve marcou o jogo com a tag de "nudez frequente e conteúdo sexual". Na teoria, isso parece justo, mas na prática, como a maioria esmagadora dos usuários não mexe nas configurações padrão de filtro da Steam, o jogo simplesmente desaparece das buscas. É o famoso shadowban, onde o título continua na loja, mas fica invisível para 99% da base de jogadores, o que basicamente mata qualquer chance de o projeto viralizar ou crescer.
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Agora, aqui é onde o negócio fica realmente revoltante e onde o Yang aponta a hipocrisia da Valve. Pensa comigo: a gente tem títulos gigantescos como Cyberpunk 2077 e Baldur's Gate 3, onde você pode customizar genitálias com a precisão de um cirurgião plástico logo nos primeiros cinco minutos de jogo, e esses jogos são promovidos no topo da loja sem problema nenhum. Por que o conteúdo sexual de um jogo AAA é "escolha do jogador", mas o de um indie político é motivo para ser escondido?
Essa diferença de tratamento mostra que existe um peso diferente para quem tem orçamento de milhões de dólares e quem é um artista independente tentando falar sobre identidade. O desenvolvedor deixou claro que tentou evitar nudez explícita para tentar agradar os revisores, mas mesmo assim a "natureza" do jogo foi considerada "gay demais" para a Steam. É aquele tipo de situação que faz a gente pensar se a plataforma ainda é aberta ou se virou um shopping center que só aceita quem veste terno.

E não é só na Steam que o clima está pesado. O Yang mencionou que a Itch.io, que sempre foi o porto seguro dos indies mais ousados, também foi forçada a restringir jogos adultos depois que grupos de direita, como o Collective Shout, começaram a pressionar processadores de pagamento e a usar leis como o UK Online Safety Act. Com a Itch.io praticamente banindo esses jogos, a Steam era a última alternativa, mas agora ela também está fechando as portas para o diálogo.
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O ponto mais crítico aqui é a falta de canal de comunicação. Robert Yang cita o caso de outros jogos que foram banidos sem qualquer chance de apelação, sugerindo que a Valve não tem a menor intenção de ter uma conversa madura ou admitir erros de julgamento moral. Para um artista, ter seu trabalho bloqueado porque ele é "político demais" ou "sexual demais" — enquanto o mainstream faz a mesma coisa — é um golpe duro que pode fazer muita gente desistir de criar.
No fim das contas, isso acende um alerta vermelho para todos nós. Se começarmos a aceitar que as plataformas decidam o que é "arte" e o que é "conteúdo impróprio" com base em pressões externas ou critérios hipócritas, vamos acabar com uma biblioteca de jogos sanitized, sem alma e sem cor. A liberdade do PC não pode ser apenas para quem vende milhões de cópias; ela tem que valer para o cara que faz um jogo sobre dirigir um carro gay também.

Meu veredito é que a Valve está jogando no seguro, mas ao fazer isso, ela está nerfando a criatividade indie. Não dá para se dizer que você apoia a diversidade e a liberdade de expressão se você esconde no porão os projetos que realmente desafiam o status quo. Esperamos que a Valve acorde e pare de tratar desenvolvedores independentes como cidadãos de segunda classe na própria loja.



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