Olha, vou mandar a real para vocês: a gente está vivendo a era da preguiça em Hollywood. É sequência de tudo, reboot de coisa que nem precisava e aquele monte de filme de super-herói que já saturou até quem nunca viu um gibi na vida. No meio desse mar de nostalgia forçada, surge War Machine, um filme original da Netflix que prova que o público ainda tem fome de ideias novas, desde que sejam bem executadas e não tentem vender um 'universo cinematográfico' logo no primeiro ato.
O negócio é o seguinte: o filme estreou em março e, rapazes, a trajetória dele foi completamente insana. Para quem não sabe, a Lionsgate é quem desenvolveu a obra, que custou cerca de $80 milhões, e resolveu lançar nos cinemas da Austrália. O resultado? Flopou redondo. Foi aquele tipo de lançamento que passa despercebido e deixa o estúdio desesperado, parecendo mais um fracasso tradicional de bilheteria do que um potencial hit.
Mas aí entra a Netflix na jogada, comprando os direitos internacionais e transformando o que seria um esquecimento total em um dos maiores sucessos da plataforma. O filme não só chegou ao Top 10 em mais de 90 países, como já amassou mais de 118 milhões de visualizações. Isso coloca War Machine no panteão dos orignais mais assistidos de todos os tempos, batendo de frente com gigantes como Red Notice e The Gray Man. É a prova viva de que o streaming mudou completamente a regra do jogo sobre o que é ser um 'sucesso'.
A premissa é simples, direta e tem aquele gostinho maravilhoso dos filmes de ação dos anos 80 que a gente ama. A trama acompanha um grupo de candidatos a Army Rangers em um exercício final de treinamento que, obviamente, dá tudo errado quando eles topam com uma máquina extraterrestre colossal capaz de aniquilar tudo ao redor. O que começa como um suspense militar de sobrevivência escala rápido para um espetáculo de ficção científica, sem enrolação e sem aquelas exposições chatas de duas horas.
E a gente precisa falar do Alan Ritchson. O cara é basicamente uma montanha humana e, depois de brilhar em Reacher, ele se consolidou como o novo rosto do herói de ação 'raiz'. O diferencial aqui é que ele não tem aquela 'armadura de roteiro' irritante onde o herói nunca sofre. Em War Machine, o personagem dele apanha, sangra e termina o filme completamente acabado. Esse toque de realismo militar torna a experiência muito mais visceral e menos caricata.
Para quem é do mundo dos games, a conexão é imediata e quase inevitável. A galera na internet não parou de comparar a atmosfera tática e a ameaça mecanizada gigante com Metal Gear Solid. Mesmo que não seja uma adaptação direta, a pegada de soldados altamente treinados tentando sobreviver a algo tecnologicamente superior em um terreno hostil é a essência pura da obra do Hideo Kojima. Inclusive, o próprio mestre Hideo Kojima elogiou o filme em um post no X, o que para mim é o selo de qualidade definitivo.
O ritmo do filme é outro ponto forte. Enquanto a maioria das produções atuais gasta metade do tempo preparando terreno para sequências ou fazendo easter eggs, War Machine foca no momentum. A ação começa cedo, a ameaça é convincente e o filme raramente desacelera. É aquele tipo de entretenimento que te prende pelo pescoço e não solta até os créditos subirem, algo que está fazendo muita falta no cinema mainstream atual.
Essa longevidade nos rankings da Netflix sugere que o 'boca a boca' foi o grande motor do sucesso. Em um cenário onde filmes de streaming somem da conversa pública em três dias, War Machine continuou atraindo gente nova semanas após o lançamento. Isso mostra que existe um nicho enorme de espectadores cansados de fórmulas prontas e querendo apenas um bom filme de gênero, com efeitos competentes e uma história que sabe onde quer chegar.
No fim das contas, ver um filme original de $80 milhões triunfar depois de quase ter sido enterrado nos cinemas é um sinal esperançoso. Mostra que a qualidade e a simplicidade podem vencer o marketing agressivo de franquias cansadas. Se você curte aquela vibe de militarismo misturado com sci-fi e quer ver o Alan Ritchson destruindo coisas (e sendo destruído), esse filme é obrigatório.
Meu veredito é que War Machine é a dose de adrenalina que a gente precisava. Não tenta ser profundo demais, não tenta salvar o mundo dez vezes e entrega exatamente o que promete: ação bruta e monstros mecânicos. É o tipo de obra que nos lembra por que amamos filmes de ficção científica desde a época do VHS, mas com a conveniência de dar o play no PC ou na Smart TV.
Você acha que Hollywood finalmente cansou de sequências e vai voltar a apostar em ideias originais? Deixe sua opinião nos comentários!