Se você cresceu nos anos 90, com certeza lembra daquela voz grave e dramática narrando os eventos dos mutantes. A série animada original de 1992 foi um marco absoluto, apresentando toda uma geração ao universo da Marvel e transformando os X-Men em ícones globais. Quando a Disney resolveu lançar o revival X-Men '97 em 2024, muita gente ficou com medo de ser apenas nostalgia barata, mas a série provou que sabia exatamente como honrar o legado enquanto modernizava a narrativa.
Agora, dois anos depois, a Season 2 chegou chutando a porta e, olha, eu vou ser sincero com vocês: está ainda melhor do que eu imaginei. Mesmo com toda a treta dos bastidores e a demissão pública do antigo showrunner, a produção conseguiu manter a régua lá no alto. Com base nos quatro primeiros episódios, a série não só resolve o cliffhanger desesperador da primeira temporada, mas expande a mitologia de um jeito que deixa qualquer fã com o hype nas alturas.
Para quem não lembra (ou quer refrescar a memória), a Season 1 terminou com o Magneto quase detonando o planeta com aquela estação espacial colossal. Os X-Men salvaram o dia, mas o preço foi alto: eles se sacrificaram, mas foram arremessados através do tempo e do espaço por uma força misteriosa. Metade da galera foi parar no Egito Antigo, por volta de 3000 a.C., enquanto o resto caiu num futuro distópico e devastado no ano de 3960 d.C.
Em ambas as linhas temporais, o inimigo é o mesmo: o temível Apocalipse. No passado, o Professor X, Magneto, Rogue, Beast e Nightcrawler encontram En Sabah Nur, o primeiro mutante da história, que na época era um escravo tentando liderar uma revolta contra um faraó cruel. É fascinante ver que, antes de se tornar aquele vilão genocida que a gente conhece, ele era alguém com quem os heróis poderiam, hipoteticamente, ter uma aliança.

O ponto alto aqui é a construção do En Sabah Nur. O personagem traz uma gravidade absurda para a trama, e a dinâmica dele com o Professor X e o Magneto é puro suco de X-Men. Eles ficam nesse embate filosófico eterno sobre se é possível mudar o destino de alguém ou se a história está condenada a se repetir. Esse tipo de discussão profunda era a alma da série original e a Season 2 resgata isso com maestria, sem parecer forçado.
Já no futuro, a vibe é outra. O Cyclops e a Jean Grey se juntam a uma resistência que inclui o filho adolescente deles, o Nathan (que futuramente será o Cable), para atacar o Apocalipse no auge de seus poderes. Embora essa parte da história pareça um pouco mais linear e "estilo distopia padrão", o conflito emocional entre os pais e o filho, que ainda não sabe do seu destino trágico, adiciona uma camada de tensão necessária.

Enquanto isso, no presente, temos a X-Force assumindo a responsabilidade de proteger o mundo enquanto os X-Men estão sumidos. Esse arco é um prato cheio para quem curte a pegada mais tática e agressiva, além de dar um destaque bem merecido para a Jubilee, que muitas vezes fica em segundo plano, mas aqui brilha intensamente. A série é inteligente o suficiente para separar as linhas temporais por episódios, evitando aquela confusão mental de ficar pulando de época a cada cinco minutos.

No quesito técnico, a Marvel simplesmente não deu passo atrás. A animação continua dinâmica, colorida e com cenas de ação que fazem a gente esquecer que é um desenho. Ver o Professor X em sequências no plano astral com um visual egípcio psicodélico é um deleite visual, e a cena do "Trem dos Escravos" tecnológico no século 40 é um set piece impressionante. Não houve nenhum nerf na qualidade visual; pelo contrário, a equipe pareceu mais ousada agora.
O ritmo da Season 2 está frenético, mas sabe onde pisar. Em apenas quatro episódios, já tivemos desenvolvimentos satisfatórios em três épocas diferentes, preparando o terreno para um "soft-reset" no quinto episódio que promete mudar tudo. É aquele tipo de narrativa que te prende e te faz querer maratonar tudo de uma vez só, sem dar espaço para o tédio.
Meu veredito é que X-Men '97 continua sendo a melhor coisa da Marvel no momento. A série consegue equilibrar a nostalgia com a evolução de personagens de forma orgânica, provando que histórias de mutantes bem escritas são imbatíveis. Se você esperava que a série fosse flopar após a primeira temporada, pode cancelar esse pensamento agora mesmo.
Estamos diante de uma obra que entende a essência dos X-Men: a luta contra o preconceito, a complexidade moral e, claro, lutas épicas com poderes absurdos. A Season 2 não é apenas uma continuação, é uma expansão ambiciosa que eleva o nível do que se espera de animações para adultos hoje em dia. Agora é só aguardar o restante dos episódios para ver como esse caos todo vai se resolver.



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