Shooters

A Audácia da EA: CEO Ganha Fortuna Enquanto Desenvolvedores de Battlefield 6 São Demitidos

Cara, tem coisa que a gente lê no mundo dos games que deixa qualquer um indignado, e o que a Electronic Arts acabou de fazer é o ápice da falta de noção corporativa. Imagina você ralar meses a fio, entregar um produto que explode em vendas e, em vez de um bônus ou um tapinha nas costas, você recebe um aviso de demissão. Pois é, esse é o cenário surreal do lançamento de Battlefield 6, um jogo que provou ser um sucesso estrondoso, mas que serviu apenas para engordar a conta bancária do topo da pirâmide enquanto a base era descartada como lixo.

Para quem não lembra ou não acompanhou, Battlefield 6 chegou com tudo em 2025, vendendo impressionantes sete milhões de cópias em apenas três dias. O jogo não só gerou um hype absurdo, como conseguiu a proeza de superar as vendas de um concorrente direto como Call of Duty, algo que a franquia não via há tempos. A gente viu a galera celebrando a volta da glória dos Shooters da EA, com gameplay sólido e serviços estáveis, mas a recompensa para quem realmente colocou a mão na massa foi a porta de saída.

Imagem Cena de After laying off 1

O nível de cinismo da empresa chega a ser fascinante se você olhar pelo lado do capitalismo selvagem. Além de demitirem a galera do jogo principal, a Electronic Arts também deletou do mapa a equipe inteira que trabalhava em um novo título da série, que seria focado em narrativa. Isso valida totalmente a fala do ex-chefe de Dragon Age, Mark Darrah, que definiu a empresa como um "fundo de hedge com um hobby de videogames". É basicamente isso: eles não ligam para a arte ou para as pessoas, apenas para os números no final do trimestre.

Imagem Cena de After laying off 2

E onde entra o bônus dessa história? No bolso do CEO Andrew Wilson. De acordo com documentos fiscais da SEC para o ano fiscal de 2026, a compensação total do homem foi de $38,649,984, o que dá aproximadamente R$ 212,8 milhões. Esse valor representa um aumento de cerca de R$ 44 milhões em relação ao ano anterior, e a justificativa oficial da empresa foi justamente o desempenho excepcional de Battlefield 6. O cara ganha uma fortuna porque o jogo foi bom, mas quem fez o jogo ser bom foi demitido. É de cair o queixo.

Para piorar, quando a gente analisa a estrutura desse pagamento, vemos que o salário base dele foi de "apenas" $1.3 million, ou cerca de R$ 7,1 milhões, mantendo o valor de 2025. O que realmente faz a conta explodir são os bônus e modificadores de desempenho. Enquanto os desenvolvedores lutam para pagar o aluguel, o Wilson recebe milhões extras porque a EA atingiu metas de "lançamento de alta qualidade", com críticas positivas e serviços estáveis no PC, PS5 e Xbox Series X.

Imagem Cena de After laying off 3

Se você acha que a ganância para por aí, se liga nos "benefícios de segurança pessoal". A compensação do CEO teve um salto absurdo nessa categoria, subindo para quase R$ 13,2 milhões. O motivo? Uma recomendação de 2025 sugeriu que ele usasse jatos privados para absolutamente todas as viagens, sejam elas de negócios ou pessoais. Só o uso de aeronaves corporativas custou cerca de R$ 6,8 milhões. Ou seja, enquanto a equipe da Dice e da Criterion era cortada, o chefe estava voando em jatinho particular com o dinheiro do sucesso do jogo.

Imagem Cena de After laying off 4

Outro dado que escancara a desigualdade é a proporção salarial. Em 2025, a compensação de Wilson era 260 vezes maior que o salário médio de um funcionário da EA. Em 2026, esse abismo cresceu para 305:1. Mesmo que o salário mediano dos funcionários tenha subido para cerca de R$ 696 mil (lembrando que isso é a média global da empresa, incluindo cargos administrativos), a distância para o topo tornou-se obscena. É um sistema onde o risco é do trabalhador e o lucro é exclusivamente do executivo.

A lista de estúdios atingidos por essa onda de demissões é longa e dolorosa: Criterion, Dice, Ripple Effect, Motive, Ridgeline e Full Circle. Não foi apenas um ajuste pontual em um projeto, mas um expurgo em diversas frentes da companhia. A EA conseguiu criar um produto incrível, mas destruiu a moral de quem o construiu. É o típico caso de empresa que sabe fazer games, mas não sabe tratar seres humanos.

No fim das contas, fica a reflexão sobre a sustentabilidade desse modelo de indústria. A gente consome esses jogos no PC ou nos consoles e esquece que por trás de cada explosão em 4K e cada frame em 60fps existem pessoas que podem ser descartadas a qualquer momento por um CEO que voa de jatinho. É triste ver que o sucesso técnico e comercial de um título não serve como garantia de emprego para quem realmente domina a engine e as mecânicas.

Essa situação da Electronic Arts serve de alerta para todos nós. Quando apoiamos cegamente grandes corporações que tratam seus talentos como números descartáveis, estamos alimentando esse ciclo de ganância. Battlefield 6 pode ter sido um triunfo no gameplay, mas como gestão humana, ele foi um flop total. Esperamos que a indústria aprenda que valorizar o desenvolvedor é a única forma de garantir que a qualidade continue existindo a longo prazo, e não apenas em um lançamento isolado.

Battlefield 6
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