Se você acha que a Steam já era um lugar difícil para encontrar jogos realmente bons no meio de tantos indies, segura essa bomba. A gente entrou oficialmente na era do "slop" digital, onde a galera está usando IA para cuspir jogos no catálogo sem o menor critério de qualidade. Não estamos falando de ferramentas que ajudam o artista a renderizar mais rápido, mas de projetos onde absolutamente tudo — do roteiro à arte — foi feito por um robô preguiçoso. É bizarro ver como a loja virou um terreno fértil para quem quer lucrar rápido sem mover um dedo para criar algo com alma.
A situação escalou para um nível ridículo. Em apenas uma semana, vimos mais de 300 lançamentos, e quase 40% deles tiveram que admitir, via aviso obrigatório da Valve, que usaram IA no desenvolvimento. O problema é que isso abriu a porteira para verdadeiros estelionatários digitais que estão tentando empurrar produtos medíocres por preços que fariam qualquer gamer consciente ter um treco. É aquele tipo de conteúdo que flopou antes mesmo de sair, mas que continua poluindo o nosso feed.
Para começar o tour do horror, temos o Android Who Dreams of Stars, desenvolvido pela JinCycle. Esse jogo é basicamente o manual de como NÃO fazer um game. O trailer é aquela coisa genérica: imagens estáticas de anime sci-fi com uma música triste de fundo que não emociona ninguém. O pior é que a JinCycle não escondeu o jogo: eles usaram IA para a arte, som, história, localização e até as imagens da loja. Ou seja, você está interagindo com um algoritmo que finge ser um jogo. Para completar o combo de amadorismo, o trailer tem até um som de clique de screenshot da Steam que está totalmente errado. É de dar vergonha alheia.
Agora, segura a indignação: tem gente cobrando valores surreais por esses jogos de IA. O My Summer Love Memories, um jogo de romance FMV, e o Kryonull, uma visual novel, usam IA para vozes e diálogos, e a NovelkaGames teve a audácia de cobrar $100 (cerca de R$ 550) por isso. Sim, você leu certo. Quem tem juízo não paga esse valor nem em um jogo AAA de luxo, quanto mais em um amontoado de prompts de texto. A comunidade nos fóruns da Steam já começou a especular que isso nem é sobre vender jogo, mas sim um esquema de lavagem de dinheiro, porque não existe nenhum ser humano lúcido que pague isso em um produto tão raso.
Se você acha que o Kryonull foi o único, conheça a SmogGames, que é basicamente uma fábrica de lixo. Eles lançaram o Typical NPC em maio de 2024 por $100 (cerca de R$ 550), admitindo que todas as imagens do jogo e da página da loja foram geradas por IA. Não satisfeitos, em junho de 2026, eles soltaram o After the Hero, mantendo a mesma precificação abusiva e a mesma fórmula de "copia e cola" de prompts. É impressionante a cara de pau desses desenvolvedores que tratam o jogador como bobo, tentando monetizar o mínimo esforço possível.
E a lista de vilões continua com a KalendulaGames. Seguindo a mesma linha dos outros, eles lançaram o Velvet Emergency por $110 (cerca de R$ 605). Para piorar, em maio, eles soltaram dois jogos no mesmo dia: Blood in the Ice e Signal Snow, ambos custando $100 (cerca de R$ 550) e com avisos pesados de uso de IA. É um padrão assustador: nomes de empresas parecidos, precificação idêntica e a mesma falta de talento. Parece que existe um guia de "como enganar gamers na Steam usando IA" circulando por aí.
Mas vamos dar um passo atrás para analisar os números. Em uma única semana, foram 338 novos jogos. 120 deles tinham a divulgação de IA. Nem todo mundo é um golpista, claro. Muitos desenvolvedores usam a IA apenas para a "cápsula" (aquela imagem de capa da loja). Isso ainda é uma decisão criativa duvidosa, porque qualquer um que joga há cinco minutos percebe quando a imagem é gerada por robô e simplesmente ignora o jogo, mas pelo menos não afeta o gameplay. O problema é quando a IA substitui a alma do projeto.
Existem também os casos defensivos. Os criadores do Underwater avisaram que usaram IA apenas como referência artística, e não no jogo final. Já o pessoal do Kamilia insiste que menos de 1% do jogo tem conteúdo assistido por IA, e o criador do Idlemoor usou o campo de aviso para se justificar por ter feito o logo com a ferramenta. Esses casos mostram que a Valve criou uma regra necessária, mas que a galera está usando de formas bem variadas, desde a honestidade até a tentativa de limpar a própria barra.
No fim das contas, esse cenário é preocupante. A Steam corre o risco de se tornar um pântano de conteúdo genérico onde as verdadeiras pérolas indie ficam soterradas por milhares de jogos feitos em cinco minutos por um prompt de comando. Quando a barreira de entrada para "criar" um jogo cai tanto, a qualidade despenca junto. Não é sobre ser contra a tecnologia, mas sobre ser contra a preguiça vendida a preço de ouro.
Precisamos de filtros melhores e de uma comunidade mais atenta. Se você vir um jogo com arte de IA custando centenas de reais, fuja. Não dê palco para quem quer transformar a indústria de games em uma linha de montagem de plástico sem gosto. O hype da IA é legal para produtividade, mas para arte e entretenimento, nada substitui a visão de um humano que realmente ama o que faz.
Meu veredito? Estamos vivendo o auge da poluição digital. Se a Valve não apertar o cerco contra esses "estúdios" de fachada que vendem lixo por $100 (cerca de R$ 550), encontrar um jogo honesto na Steam vai virar tarefa de arqueólogo. Fiquem espertos e não caiam nessas ciladas.
Você acha que a Steam deveria banir jogos 100% gerados por IA ou a responsabilidade de filtrar o lixo é apenas do jogador? Deixe sua opinião nos comentários!