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A joia escondida do Prime Video: The Tick finalmente chega à Netflix

Sabe aquela sensação de descobrir um negócio incrível e sentir que o mundo inteiro está ignorando? Pois é, eu passei anos com esse sentimento em relação a The Tick. É aquele tipo de produção que deveria ter tido um hype colossal, mas que por algum motivo ficou escondida nos corredores do Prime Video, sendo ignorada por quem só consome o óbvio.

Agora, a notícia que a gente queria: essa obra-prima do absurdo finalmente aterrizou na Netflix. Se você curte histórias de heróis, mas já está saturado de fórmulas repetitivas, essa é a hora de dar uma chance para esse herói azul e musculoso. Estamos falando de uma série que consegue ser ridícula e profunda ao mesmo tempo, algo raro de se ver hoje em dia nas Notícias de streaming.

Para quem é das antigas, The Tick nasceu nos quadrinhos de Ben Edlund e ganhou vida em um desenho nostálgico dos anos 90 e numa série live-action em 2001. Aquela versão antiga tinha uma vibe quase que de *Seinfeld*, com o Tick e sua turma apenas relaxando em cafeterias entre uma aventura e outra, com o lendário Patrick Warburton entregando a performance da vida dele.

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Já a versão de 2016, que é a que chegou agora na plataforma, traz o Peter Serafinowicz no papel principal e ele é simplesmente perfeito. O Tick é aquele herói com superforça e quase invulnerável, mas que não tem a menor noção da própria potência, destruindo tudo ao redor enquanto tenta fazer a coisa certa. É o tipo de personagem que a gente ama justamente por ser um completo caos ambulante.

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O grande trunfo dessa série, no entanto, não é o herói azul, mas sim o seu parceiro, o Arthur. Ele é um contador medroso, sem poderes, que usa um traje de voo que todo mundo confunde com um coelho, mas que na verdade foi inspirado em uma mariposa. O Ben Edlund, que foi o showrunner, teve a sacada genial de deslocar o foco da trama para o Arthur, transformando a série em uma jornada de amadurecimento.

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Diferente das versões anteriores que eram episódicas, essa série adotou uma estrutura serializada, feita sob medida para quem gosta de maratonar. O Arthur está obcecado em provar que o vilão The Terror, responsável pela morte do seu pai, ainda está vivo. Essa busca dá ao enredo um peso emocional que equilibra perfeitamente com as piadas absurdas e as situações surreais do dia a dia.

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Outro ponto que eu acho sensacional é que a série se recusa a dar uma origem para o Tick. Ele não tem identidade secreta, não sabemos se é um alienígena, um experimento militar ou se foi atingido por radiação. Manter esse mistério é a decisão mais inteligente do roteiro, porque qualquer explicação banal iria nerfar a mística do personagem e tirar a simplicidade brilhante da obra.

É realmente revoltante que a série tenha durado apenas duas temporadas. O potencial para expandir esse universo era infinito, mas a produção acabou flopando no sentido de longevidade, apesar de ser tecnicamente impecável. Mesmo assim, as duas temporadas que temos são densas, bem escritas e entregam tudo o que um fã de comédia ácida e super-heróis procura.

Se você está procurando algo para sair da mesmice, The Tick é a escolha certa. É uma série que não tenta ser a próxima coisa séria da DC ou Marvel, mas que consegue ser mais humana e divertida do que muito blockbuster de centenas de milhões de dólares por aí.

Meu veredito é simples: pare o que você está fazendo e comece a assistir agora. É um conteúdo que merece muito mais reconhecimento do que recebeu no passado e, agora que está na Netflix, não tem mais desculpa para não conhecer o Grande Besouro Azul da Justiça.

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