Se você é fã de anime, sabe que mexer com o legado do Studio Ghibli é entrar em um terreno sagrado. A gente cresceu vendo as obras primas do Hayao Miyazaki e sabe que a atmosfera daqueles filmes é quase impossível de replicar. Mas, olha só que notícia insana: a adaptação teatral de Spirited Away (ou A Viagem de Chihiro, para quem prefere o título em português), que já deixou todo mundo de queixo caído no Japão e na Inglaterra, finalmente resolveu cruzar o oceano e desembarcar na América do Norte.
Não é qualquer apresentação de teatro de escola, beleza? Estamos falando de um espetáculo que já debutou em Tóquio em 2022 e passou por Londres em 2024, e agora eles montaram um cronograma de turnê mundial monstruoso para o período entre 2026 e 2028. O roteiro de viagem inclui paradas obrigatórias no Teatro Nacional de Taiwan (de dezembro de 2026 a janeiro de 2027), um tour nacional pelo Japão entre março e agosto de 2027, e as datas mais aguardadas: o Princess of Wales Theatre em Toronto (de maio a agosto de 2027) e o Ahmanson Theatre em Los Angeles (de setembro a outubro de 2027), fechando com chave de ouro no London Coliseum entre março e julho de 2028.

O nível de produção dessa peça é simplesmente absurdo. Para quem acha que teatro é algo simples, essa obra vem para dar um buff na percepção de vocês. A montagem conta com um elenco de 50 atores e um sistema de marionetes extremamente complexo para dar vida a criaturas que a gente só via em animação. Para completar o hype, a trilha sonora icônica do mestre Joe Hisaishi será tocada ao vivo, o que deve transformar a experiência em algo transcendental. O detalhe é que a peça é performada em japonês, com legendas projetadas em inglês, mantendo a essência original da obra.
A equipe por trás disso é pesada demais. O projeto foi encomendado pela Toho em 2021 e teve a direção de John Caird, o mesmo cara que comandou Les Misérables, então já dá para sentir que a dramaticidade vai estar no talo. O roteiro foi adaptado por Mako Imai, enquanto a parte musical ficou nas mãos de Brad Haak, veterano de Mary Poppins. A parte visual, que é onde o bicho pega, teve o design de cenários de Jon Bausor, marionetes criadas por Toby Olié, coreografias de Shigehiro Ide e figurinos de Sachiko Nakahara. É um time de elite tentando fazer a mágica acontecer no palco.

Para quem não lembra (ou quer reviver), a história segue a jornada da pequena Chihiro, que durante uma mudança com a família acaba caindo em um mundo místico habitado por espíritos e governado pela temível bruxa Yubaba. Quando os pais dela são transformados em porcos — sim, aquele momento traumático da infância de muita gente —, a menina precisa trabalhar em uma casa de banho mágica para conseguir libertá-los e voltar ao mundo normal. É uma narrativa sobre amadurecimento e coragem que nunca perde a validade.
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Se você mora no Brasil e está pensando em vender os rins para viajar até os Estados Unidos ou Canadá só para ver a peça, calma lá. Existe uma luz no fim do túnel: a GKIDS lançou uma versão filmada da produção. Essa versão passou pelos cinemas da América do Norte em abril de 2023, saiu em Blu-ray e agora está disponível para streaming no Prime Video e no Apple TV. É a melhor alternativa para quem quer sentir o gostinho da peça sem gastar milhares de reais em passagens aéreas.

Esse anúncio chega em um momento perfeito, já que Spirited Away completa 25 anos no dia 20 de julho. Olhando para trás, é impossível negar que esse filme foi um dos marcos mais influentes do século XXI. Ele não só colocou o Studio Ghibli e o Hayao Miyazaki no radar global de forma massiva, como provou para o mundo inteiro que animação não é "coisa de criança", mas sim um meio capaz de contar histórias maduras, complexas e visualmente arrebatadoras.
O impacto cultural de A Viagem de Chihiro é algo que raramente vemos em outras mídias. O filme forçou a gente a repensar a animação como arte pura, misturando folclore japonês com sentimentos universais. Ver isso sendo transposto para o teatro com tamanha ambição técnica mostra que a obra continua viva e pulsante, inspirando artistas de todas as áreas a tentarem capturar aquele sentimento de nostalgia e deslumbramento.

Meu veredito é que, se você tiver a chance de ver a versão filmada, faça isso agora. A transição do traço do Miyazaki para marionetes e cenários físicos é um desafio hercúleo, e pelo que vimos até agora, a Toho não economizou no orçamento. É aquele tipo de projeto que, se desse errado, teria flopado feio, mas que parece ter acertado em cheio na execução artística. É a celebração máxima de um clássico que mudou a história do cinema.



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