Sabe aquela vibe dos anos 90 onde Hollywood simplesmente decidia que qualquer coisa era possível, desde que o protagonista fosse carismático o suficiente? Pois é, a gente aqui na Gamer Elite estava lembrando daquele tempo em que o público aceitava rindo a ideia de que o Presidente dos Estados Unidos poderia ser, ao mesmo tempo, o maior herói de ação do planeta. Era uma época de uma ingenuidade deliciosa, onde a presidência era associada a uma dignidade e bravura que, sinceramente, evaporaram completamente nos dias de hoje. Sem falar que, naquela época, não era um evento astronômico encontrar um presidente com menos de 70 anos de idade.
É nesse cenário de puro suco de blockbuster que entra Air Force One, lançado em 1997. O filme é a expressão mais pura dessa fantasia: Harrison Ford interpreta o Presidente James Marshall, um comandante-em-chefe que resolve colocar a mão na massa e bater de frente com terroristas após eles sequestrarem seu avião. A premissa é completamente absurda, mas o Harrison Ford tem aquele magnetismo que faz cada soco, cada discurso inflamado e cada fuga impossível parecerem a coisa mais natural do mundo. A melhor parte? O longa está disponível de graça no Pluto TV desde junho de 2026, e continua sendo um dos thrillers de ação mais definidores daquela década.
Para entender por que esse filme é tão especial, a gente precisa olhar para o contexto cultural da época. Air Force One chegou nos cinemas em um período extremamente competitivo, batendo de frente com gigantes como Men in Black, The Lost World: Jurassic Park e Face/Off. Além disso, ele pousou nas telas apenas um ano depois de Independence Day, onde o Presidente Thomas J. Whitmore (interpretado por Bill Pullman) se sacrificou para salvar a Terra de alienígenas. O nível de hype para presidentes heróis estava no teto, e o filme aproveitou isso com maestria.
O Presidente James Marshall é a personificação do POTUS idealizado. Ele é íntegro sem ser chato, durão sem ser cruel e totalmente dedicado à família e ao país. Para dar aquele buff na credibilidade do personagem, o roteiro nos conta que ele é um veterano da Guerra do Vietnã e detentor da Medalha de Honra. Tem uma cena clássica onde os agentes do Serviço Secreto tentam levá-lo para a cápsula de escape, mas ele simplesmente se recusa a abandonar o barco enquanto sua esposa e filha ainda estão a bordo. É o tipo de atitude que hoje em dia seria vista como imprudente, mas que na época nos fazia torcer desesperadamente por ele.
Se esse personagem estivesse nas mãos de qualquer outro ator, provavelmente teria flopado por ser exagerado demais. Mas, graças a um roteiro afiado de Andrew W. Marlowe (criador de Castle) e a direção competente de Wolfgang Petersen — o mesmo cara de The NeverEnding Story e Troy —, tudo funciona. O Harrison Ford exala competência desde o primeiro segundo. Ele navega por crises políticas complexas para evitar uma guerra nuclear e ainda solta um discurso poderoso em Moscou condenando o terrorismo, inclusive arriscando uns troços em russo para mostrar que não está para brincadeira.
Antes mesmo do caos começar, o filme gasta um tempo precioso nos convencendo de que o James Marshall é um cara legal. Ele brinca com a tripulação, foge para assistir a um jogo de futebol americano (torcendo para Michigan contra Notre Dame) e flerta com a esposa. Não há falhas profundas no personagem, e isso é proposital. O objetivo era criar um herói inquestionável, algo que encaixava perfeitamente na carreira do Harrison Ford naquele momento.
Naquela época, o Ford estava encerrando uma das sequências de blockbusters mais absurdas da história de Hollywood. Entre Han Solo, Indiana Jones e Jack Ryan, o público passou quase vinte anos vendo ele interpretar heróis relutantes, mas decentes e casca-grossa. Air Force One foi apenas o passo lógico: se ele consegue enfrentar nazistas e alienígenas, por que não governar os Estados Unidos enquanto chuta a bunda de terroristas? O nível de entrega do ator é absurdo, e ele trouxe até conexões da vida real para o set.
Um detalhe curioso é que o Harrison Ford conheceu o então presidente Bill Clinton em uma festa de aniversário. Na ocasião, ele estava sentado ao lado de Clinton e de Glenn Close. Sem pensar duas vezes, Ford perguntou se Close aceitaria interpretar a Vice President Kathryn Bennett — um papel escrito especificamente para uma mulher — e depois pediu ao presidente um tour pelo Air Force One real para a equipe de filmagem. O Bill Clinton aceitou na hora e, dizem as más línguas, tornou-se um fã assumido do filme.
E não podemos esquecer do antagonista. Logo após entregar aquela performance completamente insana como Zorg em The Fifth Element, Gary Oldman entra em cena para entregar um vilão instável e ameaçador que serve como o contraponto perfeito para a estabilidade do Presidente Marshall. A química entre a calma calculada do Ford e a loucura do Oldman é o que mantém a tensão lá no alto durante todo o tempo em que estão confinados no avião.
No veredito final, Air Force One é aquele tipo de filme que não tenta ser profundo, mas entrega tudo o que promete: ação, tensão e um protagonista que a gente adoraria ter como líder. É a mistura perfeita entre a estrutura de Die Hard (um herói isolado em um local fechado) e a ostentação dos blockbusters dos anos 90. Se você nunca viu ou não vê desde que era criança, corre para o Pluto TV porque é de graça e a diversão é garantida.

É raro encontrar filmes hoje em dia que tenham tanta confiança na própria premissa sem precisar de mil camadas de ironia ou metalinguagem. Air Force One é honesto, é divertido e mostra o Harrison Ford no auge de sua forma. É um clássico subestimado que merece ser revisitado por qualquer fã de cinema de ação que sinta saudade de quando os heróis eram simplesmente heróis.



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