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Buddy tenta ser o novo terror de mascotes mas morre perto de Death to Smoochy

Cara, o cinema de terror indie está numa fase bizarra, mas fascinante. Recentemente, vimos o fenômeno Obsession fazer o impossível e lucrar mais no segundo fim de semana do que no primeiro, e agora a vez é de Buddy. O filme conseguiu arrecadar cerca de R$ 29,15 milhões no fim de semana de 28 de agosto, saltando para aproximadamente R$ 31,35 milhões durante o feriado do Labor Day. Para uma produção com um orçamento magro de apenas R$ 16,5 milhões, esses números são um baita win, mas a pergunta que fica é: o filme é realmente bom ou é só hype de internet?

Eu confesso que fui com as expectativas lá no alto porque a premissa é simplesmente genial. Imagina um programa infantil bem no estilo Barney & Friends, onde crianças aprendem lições de moral com um unicórnio laranja chamado Buddy, dublado pelo talentoso Keegan-Michael Key. O problema começa quando a fofura vira obsessão e o bicho começa a forçar a molecada a cantar e dançar contra a própria vontade. Quando as crianças começam a sumir, o clima vira aquele suspense clássico de descoberta de que o mascote é, na verdade, um assassino sanguinário.

Buddy - Pôster Sundance

O visual do Buddy é imbatível; ele parece, soa e passa a vibe exata daqueles mascotes toscos de programas infantis dos anos 90, o que deveria ser o ponto alto do terror. Só que aqui é onde o filme flopou para mim. Enquanto a crítica está babando, eu senti que a execução não acompanhou a ideia. Eu esperava algo que me fizesse rir e tremer ao mesmo tempo, mas o resultado foi um gore excessivo que tentou substituir a tensão psicológica. Sangue espirrando em todo lado é legal, mas não é sinônimo de medo, e Buddy confunde as duas coisas feio.

Essa decepção com o unicórnio assassino me deixou com uma vontade absurda de rever um verdadeiro mestre em destruir a imagem de programas infantis: Death to Smoochy, de 2002. Dirigido pelo icônico Danny DeVito, esse filme é uma sátira ácida e podre sobre os bastidores corruptos da TV infantil. A trama gira em torno de Rainbow Randolph, interpretado por Robin Williams, um apresentador que vê sua carreira desmoronar após ser pego em uma operação do FBI. É cinema de primeira, do tipo que não tem medo de ser politicamente incorreto e cruel.

Death to Smoochy - Pôster Clássico

Para substituir o Randolph, a emissora contrata Sheldon Mopes, vivido por Edward Norton, que se veste de um rinoceronte roxo chamado Smoochy. Enquanto o rinoceronte vira um fenômeno global, o ego ferido de Rainbow Randolph entra em colapso, e ele decide que a única forma de voltar ao topo é eliminando a concorrência. O filme é uma comédia pitch-black, com um humor mórbido que faz qualquer terror moderno de mascote parecer brincadeira de criança. Se você quer ver Notícias sobre cinema que realmente arrisca, esse é o caminho.

O elenco de Death to Smoochy é um esquadrão de elite, com nomes como Catherine Keener e Jon Stewart, mas o brilho real está na dinâmica entre Robin Williams e Edward Norton. Williams entrega uma performance visceral, misturando a energia maníaca de seus papéis cômicos com a perversidade de seus thrillers psicológicos. Ele cria um personagem ganancioso e cínico que, ao perder tudo, começa a arquitetar planos absurdos para destruir o Smoochy, como infiltrar biscoitos em formato de pênis em segmentos ao vivo com crianças. É bizarro, é sujo e é brilhante.

Death to Smoochy - Robin Williams

Claro que, na época, o filme foi um fracasso financeiro colossal. Com um orçamento de R$ 275 milhões, ele arrecadou apenas cerca de R$ 44 milhões, o que na indústria é o equivalente a levar um nerf total na reputação. No entanto, com o tempo, ele conquistou um status cult imenso. O público percebeu que a visão de Danny DeVito era vanguardista demais para 2002, criando uma obra que disse muito mais sobre a falsidade da mídia do que qualquer filme de susto barato consegue fazer hoje em dia.

Um dos momentos mais hilários e perturbadores é quando Rainbow Randolph engana o Smoochy, fazendo-o se apresentar em um comício nazista. Ver um bando de nazistas americanos gritando "Heil Smoochy!" é o tipo de piada pesada que só um roteiro extremamente afiado consegue entregar sem parecer forçado. Enquanto Buddy tenta nos assustar com dentes afiados e tripas, Death to Smoochy nos aterroriza com a realidade da ambição humana e a podridão do ego, tudo embrulhado em cores vibrantes e fantasias de pelúcia.

Death to Smoochy - Bastidores e Elenco

No fim das contas, a diferença entre os dois é a profundidade. Buddy tem uma premissa nota dez, mas uma execução nota cinco; ele é como aquele jogo que tem um trailer incrível, mas no lançamento você descobre que é só um simulador de caminhada com sangue. Já Death to Smoochy é aquela joia escondida que, mesmo tendo flopado na bilheteria, entrega tudo no quesito roteiro e atuação. É a prova de que ser "estranho" é bom, mas ser "estranho com propósito" é o que torna um filme imortal.

Se você está procurando algo para assistir no seu PC ou na TV hoje, ignore o hype momentâneo dos unicórnios assassinos e vá dar uma chance para a loucura de Danny DeVito. O cinema de horror mascotizado pode até estar na moda, mas a sátira ácida e o cinismo bem escrito nunca saem de moda. Buddy pode até ter feito dinheiro, mas nunca terá a alma e a coragem de um rinoceronte roxo e um apresentador psicótico.

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