Mais um dia normal na indústria de games, galera, onde tudo que parece promissor vira fumaça em tempo recorde. Dessa vez, o drama vem da Hasbro, que está com a casa bagunçada e acabou de anunciar que o presidente da Wizards of the Coast, John Hight, está batendo as botas e deixando o cargo após apenas dois anos na função. Para quem não está ligado, o cara chegou com aquele hype todo vindo da Blizzard em junho de 2024, prometendo revolucionar a forma como as franquias de mesa chegariam aos consoles e ao PC, mas parece que o plano flopou feio.
O negócio é o seguinte: a saída dele não foi exatamente um "quero seguir novos rumos" romântico, mas sim algo revelado em documentos da SEC (a Cismar americana). Ele vai ficar no cargo até 1º de setembro, e depois disso vira um "consultor" do CEO por mais um ano. O detalhe que deixa qualquer gamer indignado é que, mesmo como consultor, ele vai continuar embolsando seu salário de R$ 4,4 milhões por ano (aproximadamente $800.000), embora perca os bônus de performance. É o famoso "paraquedas dourado" enquanto a empresa sangra dinheiro.

Agora, se você quer entender o porquê desse movimento, basta olhar para o rastro de destruição financeira da Hasbro. Apenas uma semana antes desse anúncio, a empresa admitiu um prejuízo de R$ 308 milhões (cerca de $56 milhões) devido ao cancelamento de vários projetos de videogames que deveriam sair em 2028 ou depois. Quando a diretoria vê esse número no relatório, a primeira coisa que fazem é começar a cortar cabeças e orçamentos, e o John Hight, que cuidava justamente de toda a parte de desenvolvimento digital, era o alvo óbvio.
Um dos maiores golpes para nós, fãs, é a confirmação implícita de que o jogo de Dungeons & Dragons que estava sendo desenvolvido pelo estúdio Giant Skull, do mestre Stig Asmussen, foi para o ralo. Era um projeto com potencial para ser um marco, mas acabou virando apenas mais um número negativo na planilha da Hasbro. É frustrante ver ideias geniais serem sacrificadas por causa de má gestão corporativa, algo que a gente vê acontecendo direto nas Notícias da indústria ultimamente.

E não para por aí. Tem aquele jogo de GI Joe anunciado lá em 2021 que, embora a Hasbro jure que não foi cancelado, está com cara de projeto fantasma. Ninguém fala dele, não tem atualização real e o silêncio é ensurdecedor. Quando o CEO Chris Cocks diz que 2026 será o "pico do investimento digital" e que a meta é reduzir os gastos em 25% até 2028, ele está basicamente dando um nerf brutal em todas as ambições de criar jogos AAA internos. Eles estão recuando para a zona de conforto.
Fazendo as contas, o papel do Hight era justamente supervisionar o desenvolvimento de jogos originais e licenciados de todo o portfólio da Hasbro. Ou seja, ele era o cara responsável por fazer a ponte entre o tabuleiro e o digital. Com a empresa decidindo gastar menos e cancelar projetos caros, a posição dele perdeu a função prática. É a lógica cruel do mercado: se você não tem mais orçamento para criar, você não precisa de um presidente de desenvolvimento digital.

Claro que a Wizards of the Coast soltou aquela nota corporativa padrão, agradecendo a liderança do John e dizendo que a empresa continua forte. Eles até tentaram acalmar os ânimos mencionando que Magic: The Gathering e Dungeons & Dragons continuam performando muito bem e que a lista de jogos para 2027, incluindo Exodus e Warlock, segue nos trilhos. Mas convenhamos, quem acredita em promessa de empresa que acaba de jogar R$ 308 milhões no lixo? A confiança do público está mais baixa que o ping de quem não usa otimizador de rota.

No fim das contas, a saída do John Hight é apenas o sintoma de uma doença maior dentro da Hasbro. A empresa quer os lucros de jogos modernos sem querer arcar com os riscos e os custos de desenvolvimento de alta qualidade. Querem o bolo, mas não querem quebrar os ovos. Para nós, jogadores, isso significa mais jogos genéricos, menos experimentação e a morte de projetos que poderiam ter sido épicos.
Meu veredito é simples: enquanto a gestão for focada apenas em reduzir custos em vez de investir em talento e visão criativa, a Wizards of the Coast vai continuar sendo uma gigante de papel no mundo dos games. Eles podem ter as IPs mais fortes do mundo com D&D e Magic, mas se não souberem como transitar isso para o digital sem dar passos para trás, vão continuar vendo seus presidentes saírem pela porta dos fundos enquanto embolsam milhões em rescisões.




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