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Clutch Tenta Misturar Cinema e Corrida mas Peca no Peso do Volante

Olha, vou ser sincero com vocês: o gênero de corrida anda meio parado, né? Ou a gente tem aqueles simuladores ultra hardcore onde você precisa de um cockpit de R$ 10.000 para não rodar na primeira curva, ou temos jogos mais 'arcade' que, embora divertidos, às vezes parecem fichas de fliperama modernas sem alma. Aí chega o Clutch, da Maverick Games, prometendo chutar a porta com uma mistura de cinema, mundo aberto e muita adrenalina na Riviera Francesa. O hype inicial é grande porque o jogo não quer ser só mais um simulador de pista, mas sim uma experiência cinematográfica de ação.

O projeto exala dinheiro, e eu digo isso no sentido literal. Sabe aquele feeling de filme do James Bond, com carros caríssimos deslizando por cenários paradisíacos em Mônaco? É exatamente essa a vibe. Hoje em dia, só gigantes como a Turn 10 com o Forza Horizon conseguem movimentar as massas no gênero, mas a Maverick Games parece estar tentando criar um novo padrão, investindo pesado em captura de movimentos (mocap) e cutscenes que fazem a gente esquecer que está jogando um jogo de carro e sentir que está assistindo a um blockbuster de Hollywood.

Imagem Cena de  I was big 1

A trama gira em torno de Theo e Cass Martial, dois irmãos e estrelas ascendentes da liga profissional R1K. O conflito começa com um acidente fatal na pista, o que leva o presidente da liga a querer 'nerfar' a habilidade humana, introduzindo sistemas de frenagem automática e automação para evitar mortes. Enquanto Theo fica abalado e aceita a ideia, Cass e o pai adotivo lutam pela liberdade de viver no limite. É aquele tipo de drama clássico, mas que serve perfeitamente para justificar a transição do mundo profissional para o submundo clandestino das corridas de rua.

Imagem Cena de  I was big 2

Mas aqui é onde o negócio fica realmente insano. O jogo introduz a chamada "Clutch Tech", que basicamente transforma seu carro em um gadget de espionagem. Em uma das demonstrações, vimos o Theo usando um arpão para saltar de uma cobertura de prédio, engatar em um helicóptero e ser içado para as colinas de Mônaco. Papo reto: isso é absurdo! A gente sai de uma corrida técnica e entra num nível de caos que lembra os melhores momentos de GTA ou filmes de assalto, tirando o jogo da monotonia de apenas 'dar voltas no circuito'.

Imagem Cena de  I was big 3

Só que nem tudo são flores, e aqui entra o meu pitaco de veterano. Apesar de toda a loucura do arpão e do cenário lindo, a dirigibilidade está estranha. O jogo se propõe a ser essa mistura, mas na hora de acelerar, a sensação é de que ele é 'simmier' do que deveria. Ou seja, ele tenta ser simulador demais no controle do carro. Eu queria sentir a destruição e a fluidez de um Burnout, mas em vários momentos parece que estou lutando contra a física do Forza Horizon em um cenário que pede mais arcade e menos precisão milimétrica.

Imagem Cena de  I was big 4

Outro ponto que me chamou a atenção foi a integração do mundo aberto. Não é aquele esquema chato de escolher missões num menu; você realmente tem que se infiltrar. Para roubar um carro, por exemplo, o Theo precisa evitar a segurança de uma garagem, usando um botão dedicado para se abaixar dentro de seu BMW conversível. Se você for pego, a perseguição começa na hora, e a transição entre o stealth e a alta velocidade é feita de forma orgânica, o que dá um ritmo muito melhor para a gameplay.

Visualmente, o jogo é um absurdo de lindo. O uso de ray tracing para refletir as luzes de Mônaco na lataria dos carros licenciados deixa qualquer um babando. As expressões faciais de Theo e Cass são ultra realistas, provando que a Maverick Games não economizou no orçamento para entregar algo que compete com os exclusivos de PS5 e Xbox Series X. É aquele tipo de jogo que, se rodar a 60fps cravados, vai ser um espetáculo técnico absurdo no PC.

No fim das contas, Clutch é uma aposta arriscada. Ele quer ser tudo ao mesmo tempo: simulador, jogo de ação, drama familiar e simulador de roubo de carros. Se a equipe conseguir ajustar esse equilíbrio e deixar a direção menos 'pesada' e mais divertida, temos um hit gigante nas mãos. Caso contrário, corre o risco de ser aquele jogo que é lindo de ver, mas cansativo de dirigir, e acabar flopando por não saber exatamente qual público quer atingir.

Eu pessoalmente estou torcendo para que eles deem um buff na parte arcade. A ideia do mundo aberto com elementos de espionagem e a ambientação na Riviera Francesa são boas demais para serem desperdiçadas por causa de uma física de direção engessada. Se eles conseguirem entregar a diversão visceral de um jogo de destruição com esse visual de luxo, teremos o novo rei das pistas.

Links Úteis

* CLUTCH // Official Announce Trailer

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