Vamos ser sinceros aqui: a maioria dos jogos que se autodenominam "soulslike" acaba sendo apenas uma cópia pálida do que a FromSoftware faz com perfeição. A gente tenta dar uma chance, mas muitas vezes rola aquele efeito de "vale da estranheza", onde o jogo é quase lá, mas falta aquele tempero especial que faz a gente querer bater a cabeça na parede por dez horas seguidas. Eu mesmo já passei longe de vários títulos que pareciam promissores, mas que no fim das contas floparam na hora de entregar a sensação de peso e progressão que a gente espera de um desafio real.
Mas olha, eu tive que mudar meu discurso depois de testar a demo de Prison of Husks no Steam. Sabe aquele jogo que você começa a jogar sem expectativa nenhuma e, de repente, se vê hipnotizado por cada detalhe? Foi exatamente isso que aconteceu. O jogo não tenta ser apenas "mais um」 do gênero, ele traz uma identidade visual e mecânica que me pegou de jeito, provando que ainda existe espaço para inovação mesmo em um subgênero que parece já ter sido esgotado.

A primeira coisa que me deixou de queixo caído foi a commitment absurda com o estilo visual de PS1. Não é aquele retro fake que a gente vê em todo indie hoje em dia só pra pegar carona no hype da nostalgia; aqui a parada é séria. O jogo vem por padrão com uma resolução de 640x480 e um aspect ratio de 4:3, com menus chunky que fazem você se sentir transportado para 1998. É uma escolha artística braba que tira a pressão de competir com gráficos 4K e foca totalmente na atmosfera e no design.

No quesito gameplay, a mistura é curiosa: parece que pegaram o design de níveis e a vibe soturna de Demon's Souls e injetaram o sistema de combate de Sekiro. Eu sou viciado em parries perfeitos, e Prison of Husks me fez enfrentar o mesmo miniboss da demo dúzias de vezes até que eu finalmente conseguisse aniquilar o bicho. A sensação de dominar o timing do bloqueio é extremamente gratificante e mantém a adrenalina lá no alto durante cada encontro.

Claro que nem tudo são flores e o jogo ainda tem uns pontos que podem ser nerfados ou ajustados. Em alguns momentos, senti que a janela para contra-atacar após um parry era apertada demais, quase injusta. Além disso, sinto falta daquele feedback cristalino do medidor de postura do Sekiro; aqui a gente fica mais no "feeling", o que pode ser frustrante para quem gosta de precisão absoluta. Ainda assim, o combate é muito superior a quase todos os "clones de Sekiro" que já joguei por aí.

A atmosfera é outro ponto alto. Aquelas estruturas góticas imensas e aquele clima de "oh, alma amaldiçoada" lembram demais a primeira era de Dark Souls. Você controla uma espécie de boneco autômato possuído por uma alma errante, e a lore parece estar seguindo aquele caminho enigmático que a gente ama decifrar. É um cenário opressor, cinzento e genuinamente inquietante, que combina perfeitamente com a estética de baixa resolução.
Outro detalhe que eu respeito muito é a aposta da Glass Head Dolls em focar mais na ação e exploração do que em sistemas complexos de RPG. Não vi aquele monte de stats chatos, classes engessadas ou grind infinito de level. Pelo que vi na página do Steam, a diferenciação de builds vai rolar através das armas e acessórios equipáveis. Isso deixa o jogo mais dinâmico e menos burocrático, focando no que realmente importa: a sua habilidade de não morrer em cinco segundos.

Para quem curte jogar no portátil, tenho uma notícia excelente: o jogo roda como manteiga no Steam Deck. Mesmo com os gráficos retrô, nem sempre a otimização para Linux é garantida, mas Prison of Husks entrega uma performance sólida logo de cara. Inclusive, a tela de 16:10 do Deck casa perfeitamente com o formato 4:3 do jogo, criando uma experiência quase orgânica de console antigo.
No fim das contas, Prison of Husks conseguiu o impossível e me fez esquecer por algumas horas que a FromSoftware não assinou o projeto. Ele tem personalidade, tem coragem de ser diferente e não tem medo de abraçar a simplicidade técnica para criar algo artisticamente potente. Se a versão final mantiver esse nível de polimento e profundidade, teremos um dos indies mais interessantes de 2026.
Meu veredito é: baixem a demo agora mesmo. Se você gosta de sofrer com precisão, ama a estética de jogos antigos e está cansado de soulslikes genéricos, esse jogo é para você. É raro ver um projeto que entenda tão bem a essência do gênero sem tentar copiar cada vírgula do mestre, e eu estou genuinamente atento para ver o jogo completo no PC.



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