Imagina pegar a tensão desesperadora de um Soulslike e jogar isso dentro de um cenário de faroeste psicodélico, com monstros e horror oculto. Pois é, cara, esse é exatamente o conceito de Guns of Eschaton, a nova aposta da Eschatology Entertainment. Não é aquele tipo de jogo de tiro onde você sai metralhando tudo que se move enquanto corre pelo mapa; aqui a pegada é muito mais deliberada, lenta e, honestamente, feita para te fazer passar raiva antes de te dar aquela sensação de vitória.
O que realmente chama a atenção logo de cara é a direção de arte, que carrega a assinatura do lendário Viktor Antonov. Para quem não lembra ou é novo no pedaço, esse cara foi o gênio por trás de cenários icônicos como a City17 de Half-Life 2 e Dunwall de Dishonored. O resultado em Guns of Eschaton é um mundo surrealista, onde você encara desertos infinitos de areia e chamas, com vermes gigantes e planetas pairando no céu. É um visual visceral que coloca o jogador num estado de constante inquietação.

A jornada começa do jeito mais clichê e eficiente possível: você acorda no fundo de um buraco, que serve como um tutorial orgânico para as três mecânicas principais: tiro, esquiva e parry. Mas não se engane pela simplicidade dos termos. Enquanto em muitos Shooters a movimentação é frenética, aqui tudo é pesado. Cada passo e cada ação parecem ter um peso real, transformando cada encontro com inimigos em um duelo de vida ou morte onde qualquer erro bobo resulta em Game Over imediato.
O sistema de combate com o revólver é onde o jogo realmente tenta inovar e, ao mesmo tempo, te trollar. A Eschatology Entertainment, formada por ex-membros da Wargaming, implementou um pseudo-realismo chato mas fascinante. Você tem seis tiros, mas não é só puxar o gatilho. Você precisa engatilhar o cão para rotacionar o cilindro após cada disparo. Imagina o pânico de estar com um morto-vivo na sua cara e ouvir aquele 'click' seco de uma câmara vazia porque você perdeu o ritmo do reload. É um sistema que exige um timing preciso e pune severamente a expectativa.

Mas a treta não para no reload. O jogo introduz o conceito de "sequence shooting", ou seja, tiro sequencial. A maioria dos inimigos é imune a danos genéricos; você precisa acertar partes específicas do corpo em uma ordem exata para derrubá-los. Um cowboy zumbi básico pode ir embora com um tiro na cara, mas criaturas mais complexas exigem que você acerte a perna direita, depois o braço esquerdo e só então a cabeça. O CEO da empresa, Fuad Kuliev, deixou claro que a ideia é criar um "shooter inteligente", onde pensar antes de atirar é a única forma de não flopar na primeira fase.
Para ajudar a não perder a sanidade, o jogo oferece um Codex ricamente ilustrado onde você pode consultar as fraquezas de cada bicho. Só que, na hora do vamo ver, com vários inimigos te cercando no PC ou no console, processar todas essas informações em tempo real é um desafio absurdo. É aí que entra a alternativa: o parry e o dash. A esquiva funciona quase como a rolagem clássica de Dark Souls, com janelas de invulnerabilidade que salvam a pele do jogador, permitindo contra-atacar com danos massivos após um bloqueio perfeito.

O nível de dificuldade é, no mínimo, sádico. O jogo não pega na sua mão e as explicações iniciais são bem vagas, o que pode afastar quem não curte esse estilo de "descubra ou morra". No entanto, é justamente essa barreira que torna a experiência refrescante. Em um mercado saturado de jogos de tiro que te fazem sentir um deus intocável, Guns of Eschaton te joga na lama e te obriga a rastejar até conseguir a primeira vitória real. É um design punitivo, mas com propósitos artísticos e mecânicos claros.
No fim das contas, estamos falando de um projeto ambicioso que tenta fundir gêneros que, no papel, não deveriam funcionar. A mistura de Weird West com a estrutura de check-points e respawns em fogueiras cria um loop de gameplay viciante para quem gosta de superação. Se o jogo vai conquistar a massa ou ficar restrito a um nicho de masoquistas digitais no Steam, ainda é cedo para dizer, mas a proposta é corajosa.

Meu veredito é que Guns of Eschaton é um sopro de ar fresco, mesmo que esse ar venha acompanhado de poeira e sangue. Se você está cansado de fórmulas repetitivas e quer algo que realmente desafie seus reflexos e sua capacidade analítica, esse jogo é para você. Só prepare o psicológico, porque você vai morrer. Muitas vezes. E isso faz parte da diversão sinistra desse mundo.
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* Guns of Eschaton announcement trailer



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