Cara, para e pensa comigo: parece que foi ontem que a gente estava trancado em casa durante a pandemia de 2020, tentando ignorar que o mundo estava acabando enquanto esperávamos com grande expectativa pela nova geração de consoles. Naquela época, o hype estava no teto, e a Sony resolveu soltar aquele evento lendário chamado "Future of Gaming". A gente viu coisas incríveis, trailers de Returnal e Ratchet & Clank: Rift Apart que deixaram todo mundo maluco, e a internet, como sempre, não perdeu tempo fazendo piada com o design do PS5, comparando o console com um roteador de Wi-Fi gigante. Foi nesse cenário de euforia que conhecemos, ou melhor, fomos apresentados a um projeto que prometia revolucionar a estética indie: o Little Devil Inside.
O problema é que, olhando para trás agora, em junho de 2026, a espera por esse jogo está fazendo a agonia de quem aguarda por Hollow Knight: Silksong parecer um passeio no parque. Nós aqui da Gamer Elite acompanhamos a trajetória desse título e a sensação é de que ele se tornou o rei do vaporware. O jogo tinha tudo para dar certo: um estilo artístico único, um senso de aventura visceral e aquela vibe de exploração que a gente ama. Mas entre o anúncio e a realidade, existe um abismo de promessas não cumpridas que já dura mais de uma década.
Para quem acha que o jogo é novo, deixa eu te contar que a Neostream Interactive apresentou o Little Devil Inside lá em abril de 2015 via Kickstarter. Sim, isso foi há uns 11 mil anos atrás, na era em que a gente ainda acreditava que o Wii U teria algum futuro, tanto que o suporte para aquele console era inclusive um objetivo estendido na campanha. Na época, a comparação era pesada: falavam em algo que misturasse a exploração de The Legend of Zelda: The Wind Waker com a dificuldade e atmosfera de Dark Souls. A promessa era de um lançamento no segundo semestre de 2016. Pois é, a gente ainda está esperando até hoje e a data de 2016 parece agora um erro de digitação grotesco.
Mesmo com esse histórico nebuloso, a Sony resolveu dar um empurrãozinho e colocou o jogo no stream de revelação do PS5 em 2020. A gente ficou hipnotizado por aquele cenário inspirado na era vitoriana, cheio de monstros bizarros e criaturas misteriosas. Você controla um mercenário que viaja por florestas, desertos e mergulha em oceanos para estudar essas feras. O visual era tão impactante que muita gente, inclusive nós, ignorou o fato de que o jogo já estava em desenvolvimento há cinco anos naquela época. A gente quis acreditar que o hype finalmente se transformaria em gameplay real.
A coisa ficou ainda mais surreal em outubro de 2021, quando o jogo reapareceu em um State of Play. A Sony e a Neostream Interactive soltaram um trailer de gameplay longo e, para a surpresa de ninguém, prometeram uma janela de lançamento para 2022. Em dezembro de 2021, um post no Instagram foi ainda mais específico, dizendo que o jogo sairia no final do ano 2022. Naquele momento, a comunidade respirou aliviada, achando que o pesadelo da espera estava chegando ao fim. Spoiler: não estava. O ano de 2022 passou, o 2023 voou e o jogo continuou sendo apenas um conjunto de vídeos bonitos no YouTube.
O silêncio ensurdecedor foi quebrado apenas em fevereiro de 2024, com uma atualização no Kickstarter intitulada "Despite all" (Apesar de tudo). O texto era basicamente um pedido de desculpas cheio de eufemismos, sugerindo que rolou treta pesada nos bastidores da Neostream Interactive. Para tentar acalmar os ânimos, eles soltaram um vídeo de seis minutos mostrando o jogo rodando na Unreal Engine 5. E olha, vou ser sincero: o jogo continua lindo. O problema é que beleza não se joga, e a comunidade já estava cansada de receber "visões" do futuro enquanto o presente era um vazio absoluto de informações.
Chegamos ao Summer Game Fest 2026 e, adivinha? O Little Devil Inside deu outro no-show. É surreal pensar que um projeto que começou com tanta energia tenha se tornado esse símbolo de frustração. Nos fóruns do Reddit e nos comentários do Kickstarter, o clima é de revolta. Tem gente perguntando abertamente se foram enganados ou se o projeto simplesmente flopou nos bastidores. A confiança do público em financiar projetos indie via crowdfunding foi seriamente nerfada por causa de casos como este, onde a ambição do desenvolvedor atropela a capacidade de entrega.
O que mais irrita é que a premissa do jogo é genuinamente fantástica. A ideia de ser um mercenário em um mundo surrealista, com mecânicas de viagem e estudo de criaturas, tem um potencial enorme para ser um clássico cult. Mas a falta de transparência da Neostream Interactive transformou a expectativa em deboche. Quando um jogo leva 11 anos para sair da fase de trailers, ele deixa de ser um produto e passa a ser um experimento social sobre a paciência humana. Não dá para simplesmente mudar a engine para a Unreal Engine 5 e achar que isso apaga uma década de atrasos.
No fim das contas, o caso de Little Devil Inside serve como um aviso brutal para todo gamer: cuidado com o hype excessivo de projetos que prometem o mundo no Kickstarter. A linha entre a ambição artística e a incapacidade técnica é muito tênue. Muitas vezes, o que vemos nos trailers é apenas a ponta do iceberg de um projeto que nunca foi planejado para ser terminado, mas sim para arrecadar fundos e gerar engajamento momentâneo. É triste ver um conceito tão rico ser enterrado por má gestão.
Meu veredito final é que, mesmo que o jogo saia amanhã, ele já chega com o peso de ser um "fantasma". A mística de ser o jogo mais esperado do PS5 morreu e foi substituída pela piada de ser o jogo que nunca sai. A Neostream Interactive conseguiu a proeza de transformar um possível sucesso em um exemplo de como NÃO gerenciar a comunicação com a comunidade. Agora, resta a nós, jogadores, decidir se ainda vale a pena gastar um centavo ou um minuto de atenção em algo que nos tratou como meros espectadores de um trailer infinito.
Você ainda teria paciência para comprar um jogo que levou 11 anos para ser desenvolvido ou já deletou ele da sua lista de desejos? Deixe sua opinião nos comentários!