Na moral, vamos ser sinceros aqui: estamos no meio de 2026 e a quantidade de musicais decentes que saíram esse ano é praticamente zero. É desanimador ver como a indústria está tentando empurrar versões live-action sem alma, tipo aquele desastre total do Moana que simplesmente flopou feio nas bilheterias e não serviu pra absolutamente nada além de gastar dinheiro. A gente sabe que um musical de verdade precisa de músicas que movam a história, e não apenas números soltos pra tentar ganhar Oscar com atuações medíocres e cantoria de chuveiro.
Mas finalmente temos uma luz no fim do túnel para quem assina a Netflix. A partir de 20 de julho, a plataforma liberou o acesso a Wicked: For Good, a adaptação do musical da Broadway dirigida por John M. Chu. O melhor de tudo é que o primeiro filme, Wicked (2024), também está disponível, então o caminho está livre para aquele binge épico de fim de semana, seja você um fã fervoroso da obra original ou alguém que nunca ouviu falar de Oz e quer descobrir por que esse mundo é tão fascinante.

Para quem não está por dentro, a trama de Wicked: For Good se passa um ano após os eventos do primeiro longa, e o clima aqui é bem mais pesado. A nossa protagonista, Elphaba Thropp (Cynthia Erivo), agora é a pessoa mais procurada de Oz, fugindo do The Wizard of Oz (Jeff Goldblum) e de seus capangas, incluindo a detestável Madame Morrible (Michelle Yeoh). A situação é crítica porque todas as tentativas da Elphaba de expor a crueldade do Mágico deram errado, fazendo com que a população inteira acredite que ela é a vilã malvada da história.
Enquanto isso, a Glinda Upland (Ariana Grande) está em uma sinuca de bico, sendo forçada a lidar com sua posição dentro de um governo ditatorial e opressor. É fascinante ver a química entre a Cynthia Erivo e a Ariana Grande, que carregam o filme nas costas com atuações que dão um banho em qualquer outra produção do gênero. A relação entre as duas é o coração pulsante da obra, e o roteiro explora isso de forma densa, mostrando que a amizade delas é muito mais forte do que qualquer romance superficial.
Se você acompanha as Notícias de cinema, sabe que adaptar musicais é um campo minado, mas aqui a transição do palco para a tela foi feita com maestria. O tom do primeiro filme era mais otimista e fantasioso, focando na época da escola, mas Wicked: For Good mergulha no lado sombrio da fantasia. As canções agora refletem as dificuldades, a dor e a solidão das personagens, transformando a experiência em algo visceral que atinge o espectador em cheio.




No fim das contas, Wicked: For Good não é apenas um filme de música, é um estudo sobre poder, preconceito e a coragem de ser diferente em um mundo que exige conformidade. É raro encontrar produções que consigam ser comercialmente viáveis e artisticamente densas ao mesmo tempo, e este longa consegue equilibrar esses dois pratos com facilidade. A jornada de Elphaba para se tornar a Bruxa Má é, na verdade, a história de alguém que se recusou a aceitar a injustiça.

Meu veredito final é: parem tudo o que estão fazendo e vão maratonar isso agora. É a melhor coisa que a Netflix disponibilizou em termos de fantasia nos últimos tempos e prova que, quando há talento e paixão no projeto, o resultado é indiscutivelmente superior. Se você gosta de histórias épicas com personagens complexos e músicas que grudam na cabeça, esse é o seu lugar.



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