Cara, é difícil acreditar que a gente chegou nesse ponto. A espera por um cenário no Japão feudal era o maior hype da comunidade de Assassin's Creed há décadas, mas parece que a Ubisoft decidiu que já deu por hoje. A empresa confirmou que o jogo receberá sua última atualização relevante no dia 16 de junho, encerrando oficialmente o ciclo de conteúdos adicionais para o título. É aquele sentimento amargo de quando você finalmente consegue o que queria, mas a experiência é cortada no meio.
O chamado Title Update 1.1.11 chega apenas 15 meses após o lançamento do jogo. Sim, você leu certo: pouco mais de um ano. A Ubisoft até deixou a porta aberta para correções de bugs pontuais, mas deixou claro que essa é a "última atualização" de peso. Para quem investiu tempo e dinheiro no PS5, Xbox Series X ou PC, a sensação é de que o projeto foi abandonado enquanto ainda tinha lenha para queimar.

Se a gente olhar para trás, a comparação com Assassin's Creed Valhalla é quase cruel. Enquanto o título dos vikings recebeu montanhas de conteúdo, expansões gigantescas e durou anos no topo do suporte, Assassin's Creed Shadows parece ter flopado feio no quesito pós-lançamento. Tivemos apenas uma expansão, a Claws of Awaji, durante todo o primeiro ano. É bizarro ver como a régua de suporte da Ubisoft caiu tanto em um intervalo tão curto de tempo.
O clima nos fóruns e no reddit está pesadíssimo. A galera está revoltada, e com razão, porque existem boatos fortes de que uma expansão cooperativa, que expandiria a história da irmandade, foi simplesmente cancelada. Imagina a frustração de saber que existia um conteúdo planejado para aprofundar a dinâmica entre Naoe e Yasuke, mas que a empresa decidiu cortar para economizar ou mudar de foco.

A real é que a Ubisoft não solta números de vendas decentes há quase um ano, o que deixa aquele cheiro de que o jogo não atingiu as metas financeiras esperadas. Quando um jogo não "faz o business" necessário, a empresa corta o suporte para focar no próximo produto. E o próximo produto já tem nome e sobrenome: Assassin's Creed Black Flag Resynced. Parece que a prioridade agora é reciclar a nostalgia do porto pirata do que investir em expandir o Japão de Shadows.

Além do remake do Black Flag, ainda temos o misterioso Assassin's Creed Hexe, com temática de bruxaria, no horizonte. A estratégia da Ubisoft parece ser a de "pular de galho em galho", abandonando as produções atuais rapidamente para tentar acertar o próximo hit. O problema é que isso deixa o jogador com a sensação de que está comprando um produto incompleto ou com prazo de validade curtíssimo.

Para tentar amenizar a pancada, o assistente de direção do jogo, Simon Lemay-Comtois, soltou uma frase enigmática dizendo que uma "maré negra está chegando ao Japão". Isso soa como aquele típico marketing de empresa que quer usar a atualização final de um jogo para fazer o teaser do próximo. Basicamente, estão usando a despedida de Naoe e Yasuke como tapete vermelho para o retorno dos piratas.
Não dá para ignorar os comentários dos jogadores que dizem que a história terminou justamente quando estava ficando interessante. Ver um cenário tão rico quanto o Japão feudal ser tratado como um conteúdo descartável é um soco no estômago de quem ama a franquia. O sentimento geral é de que a Ubisoft entregou o mínimo viável e partiu para a próxima fatia do mercado.
No fim das contas, isso serve de alerta para todos nós sobre a era dos jogos como serviço ou com suporte prolongado. A gente entra no hype, compra na pré-venda, espera meses e, do nada, a empresa decide que o ciclo acabou porque a planilha de custos não bateu. É triste ver um potencial gigantesco ser desperdiçado por decisões corporativas frias.
Meu veredito é que Assassin's Creed Shadows será lembrado como um jogo com uma premissa fantástica, mas com uma execução de pós-lançamento pífia. Esperamos que o Black Flag Resynced não siga o mesmo caminho, mas com o histórico recente da Ubisoft, a gente fica com o pé atrás. O Japão merecia mais do que um "tchau" apressado em menos de um ano e meio.
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