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O mestre do propano voltou: tudo o que você precisa saber sobre King of the Hill Season 15

Parece que a indústria do entretenimento entrou num loop infinito de nostalgia, né? Não tem um dia que a gente não acorde com a notícia de algum reboot ou revival que, na teoria, deveria ter ficado no passado. A gente viu Beavis and Butt-Head voltarem em 2022, Futurama ressurgindo depois de uma década de silêncio em 2023 e até Clone High ganhando fôlego novo vinte anos depois. Mas, papo reto, a maioria dessas tentativas costuma flopar ou perder a essência. A exceção, porém, é o que estamos vendo agora com o retorno de King of the Hill, que chega ao Hulu no dia 20 de julho.

Para quem não lembra ou é da nova geração que só conhece memes, King of the Hill começou lá em 1997. A série não tentava ser maluca ou surrealista como a maioria dos desenhos adultos da época; o grande trunfo era justamente ser "pé no chão". A gente acompanhava a vida de Hank Hill, um vendedor de propano e acessórios de propano que era a definição de um cara sensato, embora fosse beeeem conservador e antiquado. Ele era basicamente a única pessoa com dois neurônios funcionando enquanto lidava com amigos idiotas, uma esposa com um julgamento questionável e um filho que ele mal conseguia entender.

Imagem Cena de <strong>King of the Hill</strong> 1

A essência da série era aquela imagem icônica de quatro caras bebendo cerveja encostados numa cerca, falando sobre absolutamente nada. Isso é raro hoje em dia, onde tudo precisa de um ritmo frenético ou de uma reviravolta a cada cinco minutos. A série original rodou por 13 temporadas na Fox, totalizando 259 episódios. Sinceramente? Parecia que não precisava de mais nada. Mas o hype para esse retorno existe porque a série sempre soube satirizar a vida suburbana sem ser forçada, e agora eles têm um desafio gigante: lidar com o mundo hiper-polarizado de 2025.

Imagem Cena de <strong>King of the Hill</strong> 2

Se você parar para pensar, King of the Hill era quase a pior escolha para um reboot agora. A internet já gastou horas debatendo se o Hank Hill teria votado no Donald Trump ou se o Dale Gribble, aquele teórico da conspiração maluco, teria sido engolido pelo QAnon. Era um campo minado. No entanto, os produtores executivos Mike Judge e Greg Daniels, junto com o novo showrunner Saladin K. Patterson, mandaram bem demais na estratégia. Em vez de escolherem um lado da treta política, eles dobraram a aposta no senso comum, que sempre foi a marca registrada do Hank.

Imagem Cena de <strong>King of the Hill</strong> 3

O pulo do gato foi a nova lore: nos anos em que a série ficou fora do ar, o Hank e a Peggy estavam trabalhando na Arábia Saudita. Isso foi genial, porque transforma o Hank em um "peixe fora d'água" quando ele finalmente volta para o Texas. Ele agora é um homem fora do seu tempo, um texano tradicional que olha para o mundo moderno e não entende porra nenhuma do que está acontecendo. É a desculpa perfeita para criticar as absurdidades de ambos os lados do espectro político, tratando os extremos como algo igualmente alienígena e ofensivo para ele.

Imagem Cena de <strong>King of the Hill</strong> 4

Quanto aos personagens, a Peggy continua a mesma pessoa autoconfiante (e muitas vezes errada) de sempre. Já o Bobby, que era aquela criança engraçadinha, agora é um jovem de 21 anos e dono de restaurante. Imagina o choque cultural entre o pai e o filho agora? Os parças Dale, Boomhauer e Bill também estão de volta, embora o Bill tenha se tornado um ermitão enquanto o Hank estava fora. Um ponto digno de aplausos: a equipe decidiu não recastar a Luanne (voz de Brittany Murphy) nem o Lucky (voz de Tom Petty), já que ambos faleceram. É um respeito necessário que evita que a série pareça um Frankenstein de dubladores.

Outra coisa que nos deixou curiosos foi a abordagem de temas como fluidez de gênero e apropriação cultural. Ao contrário de South Park, que joga a bomba no meio da sala e manda todo mundo escolher um lado, King of the Hill faz isso através da confusão do Hank. A série evoca aquela sensação de um tempo onde a política não pesava em cada milímetro da nossa existência. No fundo, o alvo da piada não é ninguém especificamente, mas sim o quão louco o mundo se tornou enquanto o nosso vendedor de propano favorito estava fora do país.

No veredito final, parece que a Season 15 tem tudo para não ser apenas mais um cash-grab. Se eles conseguirem manter esse equilíbrio de não serem panfletários e focarem na comédia de situação e no cotidiano, teremos um dos retornos mais sólidos da década. É aquele tipo de conteúdo que a gente assiste para relaxar, mas que ainda assim nos faz pensar sobre a nossa própria teimosia e as manias da sociedade moderna. Estou com as expectativas altas, mas com aquele pé atrás típico de quem já viu muita série boa ser nerfada por querer agradar todo mundo ao mesmo tempo.

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