Cara, quem cresceu nos anos 2000 lembra bem do impacto que foi assistir Click. A gente ia esperando aquele humor pastelão clássico do Adam Sandler, com piadas bobas e situações absurdas, mas o filme deu um soco no estômago da gente quando a trama ficou densa e começou a falar sobre a fragilidade da vida. É aquele tipo de obra que começa como uma comédia rasa e termina com você soluçando no sofá, provando que o Sandler tinha muito mais profundidade do que a crítica da época queria admitir.
Nós aqui da Gamer Elite resolvemos mergulhar nos bastidores dessa produção para entender como eles conseguiram criar tanta conexão emocional. E, papo reto, nada disso teria funcionado sem o acessório central da história: aquele controle remoto universal bizarro. Sem esse item, a premissa de pausar, mutar e avançar a própria existência seria apenas um conceito abstrato, mas o design do objeto trouxe a tangibilidade necessária para o espectador acreditar no absurdo.

Para quem não sabe, o roteiro original nem descrevia a aparência do controle. Foi aí que entraram o diretor Frank Coraci e o designer de produção Perry Andelin Blake. O Blake teve a sacada genial de não querer algo que parecesse um produto de prateleira. Ele pegou literalmente um pedaço de argila e começou a amassar o material na mão até que o formato lembrasse um aperto de mão, criando algo ergonômico que parecesseu uma extensão do corpo do personagem do Adam Sandler.
O resultado foi um visual orgânico e levemente futurista, algo que o Coraci descreveu como "spacey". O objetivo era que o objeto não lembrasse nada feito pela Sanyo ou qualquer outra marca de eletrônicos da época. Mas, claro, onde tem um produto icônico, tem uma empresa querendo lucrar. O Coraci contou rindo que a Sony insistiu pra caramba para que eles colocassem o logo da marca no controle, tentando transformar o item mágico em um product placement descarado, o que obviamente quebraria todo o clima místico da cena.

Outro detalhe que a galera costuma deixar passar é a paleta de cores do filme. O diretor Frank Coraci é obcecado por azul, e isso influenciou diretamente a cor metálica do controle. Mais do que isso, a cor do objeto ditou a fotografia da obra. No início, o filme usa tons quentes, terrosos, com muito vermelho, verde e marrom. Assim que o controle entra na vida do protagonista, o mundo começa a migrar para tons de azul, simbolizando como a tecnologia estava consumindo a humanidade do personagem e afastando-o de suas raízes.
Sobre a interface do aparelho, a escolha de não colocar centenas de botões — como os controles universais reais daquele tempo — foi estratégica. Eles queriam passar a ideia de que o dispositivo era intuitivo e "sabia a vontade do usuário". Menos botões significavam um visual mais limpo e moderno, evitando que o objeto parecesse um teclado de computador antigo e mantendo o hype visual de algo verdadeiramente especial e tecnológico.

Um ponto técnico bem interessante foi a inclusão de uma pequena tela de display no controle. Em 2006, isso não era nada comum em controles remotos domésticos. Para o Coraci, era essencial que o público visse exatamente o que o controle estava fazendo, já que, em uma TV normal, o volume aparece na tela da televisão, mas ali o controle era o centro do comando do universo, exigindo um feedback visual imediato e independente.
Na parte de filmagem, eles usaram truques de cinema bem clássicos para dar peso ao objeto. Em cenas importantes, como quando o personagem encontra o controle no armário, eles utilizaram a técnica de split diopter. Isso permitia que tanto o controle e o Christopher Walken (que interpretou o misterioso Morty) ficassem em foco no primeiro plano, enquanto o Adam Sandler também permanecia nítido ao fundo, criando uma composição visual poderosa que enfatizava a importância do item.

Olhando para trás, é impressionante como um simples prop de cena consegue carregar tanto significado. O controle de Click não é apenas um acessório; ele é o catalisador de toda a jornada dramática do filme. Ele representa a tentação do atalho, a pressa da vida moderna e a cegueira de quem ignora os pequenos momentos em troca de um resultado imediato. É um design que serve à narrativa, e não o contrário.
No fim das contas, Click conseguiu equilibrar o humor escrachado com uma lição de vida necessária. Mesmo que algumas piadas tenham flopado com o tempo, a essência do filme e a construção visual do seu elemento principal continuam impecáveis. Ver como a equipe de arte lutou contra a pressão de marcas como a Sony para manter a integridade artística do objeto só mostra que o cuidado com os detalhes é o que separa um filme esquecível de um clássico cult.




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