Olha, eu não sei vocês, mas eu estou com sentimentos completamente misturados agora. De um lado, a gente recebe a notícia de que a Obsidian Entertainment está voltando para a franquia Fallout, e do outro, descobrimos que isso aconteceu no meio de um massacre de demissões da Microsoft. É aquele típico cenário onde o hype vem acompanhado de um gosto amargo na boca, porque para um projeto nascer, outros tiveram que morrer violentamente nas mãos da gestão do Xbox.

A situação é feia. De acordo com a Bloomberg e relatórios do California WARN, cerca de 25% da força de trabalho da Obsidian foi chutada para a rua. Estamos falando de 52 funcionários que acordaram e descobriram que não faziam mais parte do time. E o pior: vários projetos que estavam em desenvolvimento foram simplesmente deletados. Entre eles, a sequência de Avowed, aquele RPG em primeira pessoa do universo de Pillars of Eternity que prometia entregar muita imersão em 2025. É revoltante ver um jogo com tanto potencial ser sacrificado no altar da economia corporativa.

Mas calma, que agora vem a parte que faz qualquer fã de RPG raiz pular da cadeira: quem vai comandar esse novo Fallout é ninguém menos que Josh Sawyer. Para quem não lembra ou é novo no pedaço, o cara foi o lead designer e diretor de Fallout: New Vegas, que para muitos de nós é o ápice da narrativa e da liberdade de escolha da série. Ver o nome do Sawyer ligado a um novo título da franquia é, sem dúvida, o maior buff que essa notícia poderia ter. O cara sabe como criar um mundo pós-apocalíptico que realmente reage às nossas decisões.

Só que aqui entra o meu pitaco de veterano: será que o clima no estúdio permite que esse jogo seja genial? O próprio Josh Sawyer já tinha dito no passado que aceitaria liderar um novo Fallout se a Microsoft pedisse, mas desde que fosse nos seus próprios termos. Agora, eu duvido fortemente que os "termos" dele incluíssem ver um quarto do seu time sendo demitido. Trabalhar sob a pressão de cortes massivos e com a moral da equipe no chão costuma gerar jogos engessados ou apressados. Espero sinceramente que a Microsoft não tente transformar esse projeto em um produto genérico para bater meta de acionistas.

Enquanto a gente não tem um trailer ou algo concreto, eu deixo uma dica real para quem quer ver do que a Obsidian é capaz quando não tem chefes obcecados por números respirando no pescoço: joguem Pentiment. É uma obra-prima, um slow-burn absurdo que se passa na Baviera do século XVI. Inclusive, o jogo está em promoção na Steam por cerca de R$ 55 reais, metade do preço original. É o tipo de experiência que prova que a Obsidian tem a alma da inovação, desde que deixem os caras trabalharem em paz.
No fim das contas, a gente fica nessa corda bamba. Queremos desesperadamente um novo Fallout com a pegada de New Vegas, mas não podemos ignorar que a indústria está em um momento sombrio. A Microsoft parece estar tentando reorganizar a casa do Xbox na marra, cancelando projetos promissores para focar em apostas mais "seguras" ou lucrativas. É triste ver o talento ser descartado assim, mas a esperança é que a paixão do Sawyer consiga carregar esse projeto para o topo.

Eu vou ficar de olho em cada atualização. Se a Obsidian conseguir manter a essência dos RPGs densos e complexos, teremos um hit. Se virar apenas mais um jogo de mundo aberto vazio com elementos de looter shooter, aí sim teremos um flop histórico. A expectativa está alta, mas a confiança na gestão da Microsoft está no nível mais baixo possível.
Agora é aguardar. Se o jogo seguir a linha de design rigorosa do Sawyer, podemos ter a redenção da franquia nos consoles Xbox Series X e no PC. Mas, por enquanto, fica o alerta: cuidado com o hype excessivo. Vamos ver se a Obsidian ainda tem força para entregar aquele nível de escrita que nos deixou obcecados anos atrás.


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