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Onimusha: Way of the Sword entrega combate visceral, mas sofre com a obesidade moderna

Mano, a Capcom resolveu mexer em um vespeiro que a gente amava e, olha, o resultado é quase um milagre. A lenda diz que Miyamoto Musashi derrotou seu rival com uma espada de madeira tosca, mas no novo Onimusha: Way of the Sword, a coisa é bem mais insana. Estamos falando de combos reflexivos e a tal da 'Flashing Void', uma lança imbuída com o poder de raios vinda de uma forja demoníaca. É aquele estilo exagerado que a gente sente falta, transformando a história em um espetáculo de ação pura.

Para quem acompanha as Notícias de games há tempos, sabe que a Capcom tem esse dom de pegar algo clássico e dar um tapa visual e mecânico sinistro. O reboot chega com um hype gigante e entrega uma fundação de combate que faz você sentir cada osso quebrando e cada músculo tensionando em cada golpe. Não é aquele hack and slash genérico onde você aperta um botão e tudo morre; aqui, o peso da espada é real e a precisão é a diferença entre a glória e a tela de game over.

Imagem Cena de  Onimusha Way of 1

O nível de exigência me lembrou demais a tensão de Sekiro, especialmente na hora de dar aquele parry perfeito em chefes que são verdadeiramente ostentosos. A sensação de finalmente dominar o timing de um boss difícil é indescritível, tirando você de um ciclo de derrotas rápidas para uma execução limpa e letal. O jogo foge totalmente daquele tom silencioso e depressivo da FromSoftware, trazendo de volta a marra e a atitude dos títulos da Capcom do início dos anos 2000, o que deixa a experiência muito mais vibrante.

Um dos pontos mais absurdos — no bom sentido — é o uso da imagem do lendário ator Toshiro Mifune para dar vida ao Miyamoto Musashi. Pode parecer necrofagia digital, mas a execução foi tão precisa que não só funciona, como eleva o jogo a outro patamar. Ver o Musashi com aquelas expressões faciais caricatas, ora convencido, ora furioso, transforma o protagonista em alguém carismático e visceral, fugindo totalmente daquele personagem genérico de RPG moderno.

Imagem Cena de  Onimusha Way of 2

As cutscenes são verdadeiras obras de arte, com animações fluidas que capturam cada tique do Mifune, como aquele jeito específico de coçar a nuca. Isso faz com que Onimusha: Way of the Sword pareça uma homenagem genuína aos filmes de samurai sangrentos dos anos 70. A autenticidade aqui é a chave, e a Capcom acertou em cheio ao transformar a performance do ator em algo que guia a narrativa e a personalidade do herói durante as mais de 35 horas de campanha.

Mas nem tudo são flores, e é aqui que a gente precisa falar do elefante na sala: o ritmo. Enquanto a Capcom conseguiu fazer Resident Evil 9 e Pragmata serem aventuras ágeis, parece que ninguém avisou a equipe de Onimusha que menos é mais. O jogo sofre daquela 'obesidade' típica dos games modernos, com um mundo hub tedioso e a necessidade de farmar materiais de crafting que não adicionam quase nada de graça ao gameplay, tornando a jornada cansativa em certos trechos.

Imagem Cena de  Onimusha Way of 3

O contraste é doloroso quando lembramos que os primeiros Onimusha eram curtos, diretos e eficientes. Agora, temos chefes que insistem em voltar para um segundo ou terceiro round bem depois de você já ter cansado de aplaudir a luta. Esse excesso de conteúdo parece ter sido colocado apenas para justificar o preço de R$ 385 (convertendo os $70 iniciais), esticando a experiência de forma artificial e nerfando a tensão que o combate tão bom consegue criar.

Tecnicamente, o jogo roda lindamente no PC, especialmente se você tiver um hardware robusto como a Radeon RX 9070 XT. A performance é sólida, e o suporte para o Steam Deck torna a experiência de levar esse massacre samurai para qualquer lugar muito viável via Steam. É um jogo visualmente deslumbrante que utiliza a tecnologia a favor da arte, criando cenários que misturam o Japão feudal com elementos demoníacos de forma orgânica e assustadora.

Imagem Cena de  Onimusha Way of 4

No fim das contas, Onimusha: Way of the Sword é um título de contrastes brutais. De um lado, temos um dos melhores sistemas de combate com espada já criados, aliado a uma direção de arte e atuação digital impecáveis. Do outro, temos um design de mundo datado e um ritmo que, às vezes, parece que está tentando nos forçar a jogar por mais tempo do que o necessário, quase como se a Capcom estivesse com medo de entregar um jogo curto.

Mesmo com esse problema de pacing que quase faz a gente flopar no meio do caminho, a experiência geral ainda é sublime. Se você curte um desafio real e quer sentir a adrenalina de um duelo de vida ou morte, esse jogo é obrigatório. A Capcom provou que ainda sabe fazer ação de primeira, mesmo que tenha se perdido um pouco tentando agradar a tendência de 'jogos de 100 horas' que a indústria insiste em empurrar goela abaixo da gente.

Onimusha: Way of the Sword
Site Oficial

Onimusha: Way of the Sword

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