Mano, preparem o estômago porque The Blood of Dawnwalker não veio para brincar em serviço. Eu passei umas 35 horas mergulhado nesse jogo e, papo reto, nunca vi tanta carnificina e bizarrice concentradas num RPG dessa escala. O bagulho é tão pesado que faz qualquer outro jogo de terror moderno parecer desenho animado de criança para distrair a molecada.
A gente viaja para a Romênia dos anos 1300, mas esquece aquele clima romântico de Drácula; aqui o feudalismo foi trocado por um vampirismo populista e industrial. Se você achava que The Witcher 3 era sombrio, esse jogo faz o Geralt parecer que vive num melodrama de tarde. A Rebel Wolves realmente quis botar a gente num mundo onde a esperança morreu faz tempo e o sangue é a única moeda que importa.

Para vocês terem ideia do nível da crueldade, encontrei um personagem que estava sendo comido vivo por kobalds há dois anos, mas como era vampiro, a carne regenerava constantemente. O cara era literalmente um banquete humano fixado na parede, servindo de comida infinita num calabouço esquecido nos Cárpatos. É esse tipo de bizarrice que faz o jogo ser visceral, mas que às vezes beira o ridículo de tão pesado, transformando o horror em algo quase surreal.
A história foca no Coen of Laslea, um camponês comum que vê sua vida virar um inferno quando o Brencis, um vampiro guerreiro, decide que colher sangue de forma industrial é a melhor saída para a região. O Brencis não é tão cruel quanto o antigo senhor da região, mas razer vilas inteiras e sequestrar famílias é o "preço justo" para ele manter a ordem. O objetivo do jogo é recuperar a família do Coen e, dependendo da sua paciência e escolhas, chutar a bunda de todos os vampiros no caminho.

O grande trunfo aqui é que o Coen vira um Dawnwalker, o que significa que ele é humano durante o dia e vampiro durante a noite. Isso é genial porque a Rebel Wolves conseguiu unir dois estilos de gameplay: você usa espadas o tempo todo, mas as magias de bruxaria e os poderes vampíricos são exclusivos de cada turno do dia. Você não precisa ficar se escondendo nas sombras como em outros jogos do gênero, o que deixa a exploração no PC muito mais dinâmica e menos travada.
No combate, a pegada lembra muito o sistema direcional de Kingdom Come, onde você precisa ler o movimento do inimigo para bloquear na direção certa e contra-atacar. Mas ó, não se assuste, porque aqui é bem menos punitivo e muito mais acessível, já que existem ícones indicando os ataques (que você pode desligar se quiser mais hype na dificuldade). É satisfatório demais acertar aquele golpe certeiro depois de ler a brecha do adversário e aplicar um combo devastador.

Além da espada, a diversão real está nos poderes sobrenaturais. Você pode invocar ondas de corvos espectrais, teleportar para as costas do inimigo para sugar sangue e recuperar vida, ou até ferver o sangue dos adversários dentro das veias. Tem até um golpe que extrai a alma do cara ou deixa ele imóvel com um grito, o que torna as lutas contra grupos de inimigos bem menos estressantes e muito mais estilosas.
Rodando o jogo numa RTX 3060 de laptop com um Ryzen 5 5600H, a performance foi honesta, mas não esperem milagres de ray tracing em tudo para manter os 60fps. O preço de lançamento na Steam está na casa dos $70, o que dá aproximadamente R$ 385 reais, um valor salgado para os padrões brasileiros, mas aceitável pela densidade do título. Só não recomendo tentar jogar no Steam Deck, porque a experiência provavelmente vai ser um flop total devido à complexidade dos controles.

Mas nem tudo são flores (ou sangue). O clima é tão depressivo e violento que, em certos momentos, o jogo acaba se tornando involuntariamente engraçado. É tanta desgraça empilhada que você começa a rir do absurdo, e sinto que a Bandai Namco e a desenvolvedora não tiveram a coragem de equilibrar isso. Às vezes, a gente só queria tomar um vinho branco da Transilvânia para relaxar desse pesadelo constante.
No fim das contas, The Blood of Dawnwalker é um dos melhores action RPGs de orçamento alto que joguei em anos, batendo de frente com a escala de Elden Ring. Ele tem ideias brilhantes e um sistema de combate que flui muito bem, mesmo que a atmosfera tente te esmagar psicologicamente a cada cinco minutos. Se você gosta de Reviews honestas, eu digo: o jogo é incrível, mas é exaustivo.

O título peca por não ter a coragem de seguir todas as suas ideias até o fim, ficando preso num ciclo de miséria que pode cansar alguns jogadores mais sensíveis. Mesmo assim, a profundidade da construção de mundo e a versatilidade do Coen fazem valer a pena a jornada sangrenta. É um jogo que não pede desculpas por ser grotesco, e isso é refrescante num mercado cheio de jogos polidos demais.
Se você curte um clima pesado, combate técnico e não se importa em ver coisas que te fazem querer tomar um banho de sal grosso depois de jogar, vai fundo. É uma experiência visceral, brutal e, acima de tudo, inesquecível para quem busca um RPG adulto de verdade. Só não diga que eu não avisei sobre a cena do banquete humano!

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