Saca só, se você é fã de cinema de ação, sabe que os anos 2000 foram uma época completamente maluca. A gente teve desde a seriedade tática de The Bourne Identity em 2002 até a estética visceral de Kill Bill, que moldou visualmente toda aquela década. Mas, para além dos blockbusters polidos, existia uma vertente de 'ação-absurdo' que a gente raramente discute com a seriedade que ela merece, misturando pancadaria gratuita com um humor surrealista que beirava o delírio.
É exatamente nesse nicho de caos puro que se encaixam Crank e sua sequência, Crank: High Voltage. Se você busca um filme que seja alegremente, violentamente estúpido, não procure mais. Nós aqui da Gamer Elite sempre defendemos que existe beleza na simplicidade do 'filme trash' bem feito, e esses dois títulos são a definição máxima disso. A boa notícia é que agora você pode maratonar esse hospício cinematográfico de graça na Pluto TV, sem precisar gastar um centavo do seu bolso.

No primeiro Crank, lançado em 2006, a premissa é tão insana quanto a execução. O protagonista Chev Chelios, interpretado por um Jason Statham no auge da sua forma física, é um assassino de aluguel em Los Angeles que é traído por seu rival, Verona. O cara é injetado com um veneno de ação lenta que inibe a produção de adrenalina, o que significa que, se o coração do Chev Chelios desacelerar, ele simplesmente bate as botas. O plano do vilão era deixar o cara vivo apenas o suficiente para ouvir as provocações, mas o Statham não é qualquer um e decide transformar a cidade inteira em seu playground pessoal para se manter acordado.
O que torna Crank especial é como ele subverte a imagem do Jason Statham. Naquela época, ele estava consolidando sua persona durona com a série The Transporter, mas aqui ele começa como o centro estoico da tempestade e termina como um completo maníaco. A dinâmica é basicamente a de um protagonista de Grand Theft Auto com esteroides: ele rouba tudo que vê pela frente, briga com policiais e se mutila apenas para disparar picos de adrenalina. É um ritmo frenético que não te deixa respirar por um segundo sequer.

Outro ponto que não podemos deixar passar é a direção de Mark Neveldine e Brian Taylor. Os caras não queriam aquela câmera parada e chata; eles operavam a câmera enquanto andavam de patins, criando um visual que parece mais um vídeo amador de skate do que um filme de estúdio. Não confunda isso com o 'shakycam' irritante que saturou o cinema depois de Bourne; aqui a câmera é dinâmica, agressiva e acompanha a loucura do Chev Chelios de um jeito que gera um hype visual absurdo na tela.
Quando chegamos em Crank: High Voltage, a aposta sobe para um nível quase incompreensível. O filme é filmado inteiramente com câmeras digitais domésticas, transformando a experiência em algo parecido com um episódio de 95 minutos de 'Vídeos Caseiros Mortais'. O Chev Chelios acorda em uma mesa de colheita de órgãos sem o coração original e agora depende de um coração artificial movido por uma bateria externa. Ou seja: agora ele não precisa apenas de adrenalina, ele precisa de eletricidade para não morrer.

Essa sequência consegue ser ainda mais desbocada e surreal que a primeira, elevando o conceito de 'filme burro' ao status de obra de arte. Ver o Jason Statham correndo por aí tentando carregar o próprio coração em tomadas de parede enquanto enfrenta gangues é o tipo de entretenimento que a gente não vê mais hoje em dia. Atualmente, tudo parece calculado demais, com roteiros engessados e medo de arriscar, enquanto Crank: High Voltage simplesmente chuta a porta e grita na sua cara.

Para quem nunca viu, esse é o momento perfeito para dar o play. A Pluto TV disponibilizar esses títulos de graça é um presentão para quem gosta de cinema de ação sem frescura. É aquele tipo de filme que você assiste com a galera, pede uma pizza e aceita que a lógica foi jogada pela janela logo nos primeiros cinco minutos. Não tente procurar profundidade filosófica ou desenvolvimento complexo de personagens; o objetivo aqui é a diversão pura e a adrenalina no talo.
No fim das contas, Crank e sua sequência definiram um padrão de anarquia cinematográfica que raramente foi replicado com tanta energia. Eles não tentaram ser inteligentes, e é exatamente por isso que funcionam tão bem. É cinema de entretenimento no estado mais bruto, onde a única regra é: não pare de se mexer ou você morre. Se você curte essa pegada visceral e quer ver o Jason Statham sendo um completo maluco, corre lá e aproveita enquanto está disponível.




💬 Comentários da Comunidade
Carregando comentários...